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15 de março, dia Nacional da Escola Pública

É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.

Immanuel Kant

 Edergênio Vieira*

O mês de março representa no calendário ocidental um mês importante, obviamente todos os meses, dias, horas, minutos, segundos, o são. Porém, eu falo do mês de março em especial, por representar o intervalo de tempo, em que celebramos o dia internacional das mulheres (dia 08 de março) e o dia 15, Dia Nacional da Escola.  A celebração de uma data é importante, a medida que provoca o homem a refletir sobre o cotidiano, fugindo da mecanicidade dos dias e lançando um olhar crítico e reflexivo sobre aquele que seria “apenas” mais um dia de sua existência nesse país latino americano, nesse pálido ponto azul que viaja a mais de 107.200 km/h ou 29,78 km/s ao redor do Sol, na periferia da via Láctea, essa que é apenas uma das inúmeras galáxias existente neste universo que é na verdade multiverso.

E falando desta multiplicidade constante que marca nossa breve existência enquanto seres “conscientes”, e nossa eternidade enquanto elementos orgânicos na Terra, não posso deixar de falar e refletir sobre a importância da escola nas nossas vidas. Sobretudo em tempos como o de hoje, em que querem tirar-nos o direito social de ir à escola, por meio da MP (medida provisória) dohomeschooling, ideia extraída da cabeças daqueles que acreditam que o problema da sociedade são os professores, e os inimigos imaginários inventados pelo governo Bolsonaro e o senhor ministro da educação, chamados de “gramscismo” e “marxismo cultural”  nas escolas, implementados por docentes “doutrinadores” que corrompem a educação das nossas crianças.

Nesse dia 15 de março é dia de defesa da escola pública, gratuita, LAICA, democrática, plural e de altíssima qualidade. Essa escola que tem raízes históricas múltiplas, sobretudo, grega pois traz como lugar de nascimento a Grécia Clássica. Lá estudar era uma atividade possível apenas para aqueles privilegiados que não precisavam trabalhar. A não necessidade do labore (trabalho) cria o nome SCHOLÉ, que na passagem do Grego para o Latim, se transforma em SCHOLA, que em ambos os casos designava lazer, descanso, ou alguma atividade feita na hora do descanso, como estudar. Lá as pessoas se divertiam, quer dizer, estudavam. Quando fazemos da sala de aula, da escola um lugar diferente do que é hoje, quando a escola é um lugar alegre, divertido, prazeroso reconectamos a escola às suas origens.

Infelizmente as instituições escolares (a maioria delas) são locais insalubres, com salas fechadas, muros altos (a tendência é que esse pavor se intensifique, sobretudo, após a tragédia do dia 13 de março em Suzano, São Paulo, no Colégio Estadual Raul Brasil). Nossas escolas mais se parecem fábricas ou mesmo prisões. É preciso repensar a estrutura e os conceitos dessa escola. Que sejam espaços seguros sim, pois a violência assusta todos profissionais que lá atuam: profissionais da educação, alunos e pais. Porém a escola precisa ter espaços amplos, arejados, lugares de socialização, aprendizado e de prazer. Pois, já dizia o poeta: escola não se faz com muros e paredes e sim com gente.

Nesse dia 15 é o momento para repensar os processos sociais das escolas. O paradigma de aprendizagem mudou, o conhecimento sistematizado, aquele que antes se encontrava apenas nos livros, hoje está nas “nuvens” virtuais, o que permite que os professores sejam pontes entre aquele e os educandos. A escola deve ser o espaço de novas relações de saber e conhecimento. Lugar privilegiado para o ensino de novas relações entre os seres humanos com outros seres terrestres, aquáticos e botânicos. Uma nova escola que reflita sobre amor, ódio, tristeza, alegrias, sofrimentos e etc. Uma escola que fale de nossa identidade planetária que olhe para dentro da alma e também para o cosmo e repense, reflita sobre a nossa existência nesse terceiro planeta do sistema solar.

*É professor da rede municipal de ensino de Anápolis e colunista do Cartas Proféticas.

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