Finalmente um juiz dá um soco na cara da desonra judicial!

juizandreaugusto

Querida correspondente Tatiane Sant’Anna de Faria, São Fidelis, RJ

Recebi entrechocado e reflexivo o seu comentário inquieto feito aqui abaixo de uma de minhas cartas.

Seu comentário “carta” sacode nossas emoções pelo caráter honesto com que a senhora o escreveu, além da beleza de sua dinâmica linguística. Sua alma transborda no seu texto, para minha honra, embora me sinta humilde diante de tanta preocupação de uma mulher e irmã brasileira.

Ali a senhora expõe o cansaço que pesa sobre o povo brasileiro, limitado e apertado nos limites de sua pobre participação nas decisões do País, nesta falsa democracia com certa tintura de felicidade durante pouco mais de uma década.

Quando escreve que “muitos estão cansados e só querem garantir o Wi-Fi, uma TV como o mínimo de entretenimento, os alimentos e o cartão de crédito pago. A grande massa não quer muito, só o suficiente para sobreviver, nem saberíamos o que fazer com o muito” a senhora, antes no contexto, se angustia com o fato de que muitos jovens não desejam estudar porque isso não dá dinheiro nem prestígio, demonstrando, no fundo, preocupação com a vocação humana para muito mais do que os miseráveis apelos do submundo do consumo de quinquilharias despejadas pelo mercado antissocial e desumano.

Vivemos a tristeza do fracasso do consumismo mercantil, que cansou e exauriu deixando a maioria no vazio da justiça social, por que os donos do poder não contam e até desprezam a pressão da grande maioria na sua edificação.

No vazio parece que o que vale são os monumentos às escórias da barbárie.

Nos corredores da ausência da equidade nos deparamos com os louvores aos ídolos pés de barro deitados e rolando sobre as desgraças da maioria. Aí se perfilam imbecis como Sérgio Moro, Rodrigo Jenot, Michel Temer e sua laia de corruptos, que se alarga desde a mídia, passando pelas igrejas, parlamento e judiciário.

Até aqui pareço participar do seu pessimismo, no bom sentido.

Tenho amigos que se rendem a Sérgio Moro, crentes sinceros de que o filhote da burguesia mais apodrecida e golpista pratica a justiça e seja um messias. São bons amigos, mas miseráveis intelectualmente, verdadeiros pulhas rendidos ao sofisma e à falácia.

Nada disso, o caminho libertário não passa por esses corredores prenhes em ciladas e armadilhas do mal.

A justiça irrompe de onde menos se espera e lá encontramos os homens e as mulheres justos que conseguem vislumbrar o ser humano ao mesmo tempo heroico e vítima desse conjunto de omissões que geram a barbárie. Em seus atos de justiça oferecem esperança e esbofeteiam os canalhas que se ocupam do poder para sacanear a verdade e a justiça, como é o exemplo dos que mencionei acima.

O juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42.ª Vara Cível de São Paulo, capital, que obrigou liminarmente o Metrô a pagar pensão à viúva do ambulante Luiz Carlos Ruas, assassinado a socos, pauladas e pontapés por dois homens na estação Pedro II, em dezembro, ao tentar defender travestis, afirmou que existe hoje no Brasil uma “verdadeira epidemia” de homofobia. 

André Augusto Salvador Bezerra é juiz de verdade. Ele atacou dois problemas consequentes da onda neofascista que sacode o Brasil golpeado, hoje. Um é o da homofobia alimentada pelo fundamentalismo religioso e politico, típico comportamento nazifascista desagregador e destruidor do outro. E o segundo é o desmerecimento do Estado, fenômeno muito patente neste ambiente de golpe.

Ao condenar o Metrô a pagar salário para a viúva, André enfrenta a falta de respeito deste Estado confiscado pela máfia de São Paulo e pela máfia de Brasília, que só ocupam o poder cegando e embecilizando a sociedade. No ato justo afirma também o direito da viúva de um herói.

O juiz André Augusto merece solidariedade por seu gesto justo. Atitudes como a sua são mais poderosas do que a descoberta da eletricidade, porque iluminam a esperança de que há pessoas dignas e honradas nessas dobras de um Estado desgraçado pelo assalto dos diabos que geram assassinos retirados e apodrecidos da classe trabalhadora, sempre prontos a contribuir com essa burguesia sugadora da vida e da felicidade geral do povo.

André Augusto Salvador Bezerra, querida Tatiane, testifica que vale a pena estudar, não para esse marcado vampiro, mas para entender onde, como e é o ser humano, principalmente o agredido pela injustiça e pela omissão.

Não é por acaso que o nosso juiz é presidente do Conselho Executivo da Associação Juízes para a Democracia (AJD). Trata-se, portanto, de um democrata que sabe que o Estado deveria servir à justiça, mas para isso tem que ser social e nutrido pelo povo democraticamente.

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

3 Comment

  1. Jorge Luiz Ferraz says: Responder

    As verdades vão se mostrando!

  2. […] Fonte: Finalmente um juiz dá um soco na cara da desonra judicial! – CartaS e ReflexõeS ProféticaS […]

  3. Jotage says: Responder

    A 34 anos atrás tendo terminado uma especialização em uma renomadíssima universidade no exterior, fui convidado, a lá permanecer como professor e fazer meu doutorado nesta universidade.
    Após alguma reflexão, pensando que eu havia me formado no Brasil, em uma universidade pública, e que o país era dependente de meu conhecimento e eu deveria retribuir um pouco daquilo que meu país me havia dado, recusei e retornei.
    O país vivia ares de mudança e eu deveria colaborar com o meu país.
    Foram anos de Sarney, Itamar, Fernando Henrique, e eu sempre acreditando que com o tempo teríamos uma população que enxergaria a necessidade de nos tornarmos um povo, não um país.
    Com Lula, pude vislumbrar a alegria que se aproximava timidamente, mas este país esquecido por Deus, nos deu Temer.
    Francamente, apesar de exemplos como o do juiz citado e de muitos outros, acredito hoje que não somos uma nação, um povo. Retornamos ao canibalismo.

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