O Papa Francisco prefere os ateus aos cristãos hipócritas

Papa Francisco e o ser cristão

Amigo Jornalista Valterli Leite Guedes, Goiânia, GO

Sou-lhe muito agradecido pela entrevista que fez comigo na TV Metrópole News. Juntamente com o  Sociólogo Tarzan de Castro vocês levantaram questões que nos permitem reflexão e posicionamento em face da situação grave que vive o Brasil.

Não é tarde para refletirmos sobre as sábias palavras do admirado Papa Francisco na missa matinal na Capela da Casa Santa Marta no Vaticano no dia 23 de fevereiro de 2017.

Com base no Evangelho de Marcos 9, 41-50, que sugere a extrema figura da mutilação de  membros por parte dos discípulos  para evitar dizer uma coisa e fazer e ser outra, no sentido de negar solidariedade ou até prejudicar os pequenos amados por Jesus, o Papa disse que a vida dupla e hipócrita é um escândalo.

Francisco criticou os católicos por hipocrisia e vida dupla, mas suas palavras servem como avaliação e juízo para todos os cristãos e até a todas as pessoas que alegam ser e fazer uma coisa quando são e fazem outra. Muitos dizem, lembrou o Papa, “sou muito católico, vou sempre à Missa, pertenço a esta e aquela associação mas a minha vida não é cristã. Não pago o que é justo aos meus funcionários, exploro as pessoas, faço jogo sujo nos negócios, faço lavagem de dinheiro”.

O celebrante “deu o exemplo de uma empresa “importante” que estava perto da falência, cujos funcionários não recebiam o salário; as autoridades que queriam evitar uma “greve justa”, mas não conseguiram falar com o responsável, “um católico, de férias numa praia do Médio Oriente”, noticia o site Ecclesia do Vaticano.

“Quantas vezes ouvimos – todos nós, no bairro e noutros locais -, ‘ah, para ser católico como aquele, mais vale ser ateu’. É este, o escândalo”, falou.

Creio, amigo Valterli, que o Papa fere o âmago da contradição atual da maioria dos cristãos – os igrejeiros , como dizem alguns ateus de esquerda.

Há um abismo de margens irreconciliáveis entre cultos, missas, atividades de igrejas e as vidas éticas de muitos cristãos.

Os mesmos que levantam fervorosamente as mãos em momentos ditos de louvor são incapazes de estendê-las em solidariedade aos pobres, aos oprimidos e injustiçados. Pelo contrário, seus dedos indicadores são ágeis na condenação preconceituosa dos outros.

Os olhos dos crentes que “veem” a glória do Senhor são míopes e cataratas para perceber os problemas sociais e suas causas dos que são pisados pela elite dominante.

Os que ouvem emocionados as ditas palavras do Senhor são surdos aos gritos dos que gemem de fome, catástrofe que volta a atingir o Brasil com o golpe de Estado que sofremos.

O que se constata nos cristãos hipócritas é a duplicidade mutilante entre o que Jesus ensina sobre o amor ao próximo e o seu desprezo à justiça e à misericórdia, insistentemente valorizadas pelos Evangelhos e pelos profetas, diante de cujo tribunal da consciência o juízo final penaliza duramente.

Os exemplos de duplicidade e hipocrisia criminosas se atropelam. As bancadas católicas e evangélicas no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores são comparsas da corrupção e aos atentados geradores de destruição dos direitos dos trabalhadores e das vítimas dos preconceitos históricos.

Muitos desses cristãos são coniventes com fascistas e direitosos, sempre prontos a agredir os diferentes até com a morte.

Vivemos uma crise gigantesca com cristãos aceleradamente muito mais adeptos do capitalismo e sua natureza corrupta do que seguidores do projeto de serviço à humanidade, ensinado por Jesus. Dom Oscar Romero já identificou essa praga em El Salvador e pagou com a vida a denúncia desse modelo político de religiosidade, como escrevi aqui.

Nesse momento somos perturbados por um candidato a presidente em 2018 que, apesar de se batizar no Rio Jordão, comanda uma turba de desordeiros nazistas, que perseguem e ameaçam pessoas que odeiam.

Jair Bolsonaro, batizado por um pastor investigado por propina, amigo de Eduardo Cunha, também crente, é membro de uma igreja evangélica no Rio de Janeiro, mas não sabe nada de Jesus. Neste vídeo o denunciei por agressão e desrespeito aos trabalhadores rurais sem terra. Os seguidores dele, certamente crentes como seu ídolo, me perseguem no canal com comentários ameaçadores e preconceituosos.

A imprensa nesse momento noticia outro cristão crente, o pastor Silas Malafaia, que recebeu propina  – para Malafaia propina é oferta por venda de orações – de um advogado corrupto.

Bem disse o Papa Francisco, isso é escândalo, e do grosso. Esse cristianismo adorador do dinheiro, de ovelhas seguidoras irracionais de pastores coronéis, autoritários, mentirosos e manipuladores vive grande decadência. Torço por sua extinção.

Não creio em cristianismo de fofoqueiros, de juízes que dão vereditos preconceituosos contra os pobres, os negros, as prostitutas, os homossexuais e os comunistas.  

Felizmente conheço inúmeros cristãos e inúmeras cristãs que se solidarizam com o próximo e são de grande compaixão ao ponto de lutarem para derrubar o capitalismo, altar do ídolo capital desses cristãos hipócritas de vida dupla, na construção de uma sociedade socialista e generosa.

No labor de uma sociedade nova não importa se as pessoas são crentes ou ateias, o que realmente vale é a compaixão pela justiça social e os direitos humanos.

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

2 Comment

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