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23 de abril, dia mundial do livro

Edergênio Vieira*

Em um velho sebo, localizado a duas quadras da praça Bom Jesus, um homem folheia de forma despretensiosa “O Estrangeiro” do Franco-Argelino Albert Camus. Na periferia de Caracas, em um aterro sanitário, uma jovem encontra uma velha edição do “Capital” de Karl Marx. Um grafitte em Ceilândia-DF, o artista desenha uma garota que traz nas mãos “O pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry

Em comum todas as personagens tinham o brilho nos olhos, são amantes desse objeto fascinante, que nos conecta com um mundo diferente constituído a partir da imaginação e do olhar acurado daqueles e daquelas que escrevem e compartilham seus escritos com a humanidade.

Hoje dia 23 de abril é o dia mundial do Livro, esse instrumento fascinante que desperta paixão, medo, ódio, alegria, amor, desespero… a data foi instituída pela  Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no ano de 1995 para encorajar as pessoas, especialmente os jovens, a descobrirem os prazeres da leitura, e conhecerem a enorme contribuição dos autores de livros através dos séculos. O dia 23 de abril foi escolhido por ser a data da morte de três grandes escritores da história: William Shakespeare, Miguel de Cervantes, e Inca Garcilaso de la Veja. Outra curiosidade sobre a data está ligada a uma tradição Catalã, no dia de São Jorge (23 de abril), é costume dar uma rosa para quem comprar um livro. Trocar flores por livros já se tornou tradição em outros países também.

O livro surgiu depois da escrita, pois foi por meio dela que os africanos o inventaram. Os primeiros suportes para o signo escrito foi a argila e a pedra. Só depois surgiu o Khartés (volumén) em Latim, que consistia em um cilindro de papiro, que facilitava o transporte. O papiro consiste em uma parte da planta, que era liberadalivrada (latim libere, livre) do restante do vegetal – daí surge a palavra liber libri, em latim, e posteriormente livro em português. Os fragmentos de papiros mais “recentes” são datados do século II a.C...

Ler é um ato muita das vezes solitário, exige esforço e concentração. Ler já foi considerado até um ato subversivo. Na distopiaFahrenheit 451, de Ray Bradbury ler era considerado crime, e se na casa de algum morador fosse encontrado algum livro, esse deveria ser incinerado e aquele condenado a prisão. A Igreja Católica já chegou a proibir a leitura de inúmeras obras, e aqueles que desrespeitassem a proibição estavam cometendo pecado, na Alemanha de Hitler e no Brasil de Bolsonaro a leitura de certas obras eram e são respectivamente considerada atos de subversão.

O brasileiro lê pouco. Os dados são da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2018, desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro. Os números revelam que o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano. O baixo índice de leitura é uma de nossas mazelas históricas e aponta para o empobrecimento dos debates brasileiros. Por conseguinte, o repertório amplo de leituras pode e deve contribuir para o amadurecimento do espírito crítico do cidadão. Sobretudo em tempos como o de agora, com o avanço do conservadorismo por parte de grupos de ultra-direita no país.

É preciso descobrir qual o papel da escola pública nesse debate. Obviamente que a instituição escolar como a principal agência de letramento na sociedade deve ter um papel de protagonista nessa agenda. Senão ofertando espaço para a leitura, à medida que o tempo escolar é ocupado com outras demandas, pelo menos fazendo com os alunos se apaixonem pela leitura. Sabemos que essa tarefa é uma das mais difíceis.

Esse país não conta com uma tradição profícua em leitura, dessa forma não podemos perder mais tempo. É preciso que o poder público crie mecanismo de fomento a leitura e a escrita no Brasil. A construção de parques e que nesses locais hajam bibliotecas é umas das medidas que podem se realizadas de forma premente. Campanhas de incentivo a leitura em rádios, tvs e internet são fundamentais para atrair a atenção das crianças e dos mais jovens. Nas bibliotecas é preciso criar espaços interativos com livros digitais, novas formas de ler e de lidar com a literatura, também são exemplos de políticas públicas a serem construídas.

Eu sou apaixonado pelo livro físico, gosto de folhear, de sentir o cheiro, o gosto das páginas no paladar. É sem dúvida um dos meus principais companheiros, tenho um caso de amor com eles. Todo mundo que é apaixonado pela leitura tem algum livro inesquecível. Nesse dia 23 de abril, dia do Livro, eu quero saber qual é o seu livro favorito, ou quais são eles. Então peço que você deixe uma sugestão de leitura nos comentários. “Com a liberdade, livros, flores e a lua, quem poderia não ser feliz?” – Oscar Wilde

É especialista em Linguagem e Educação Escolar, mestrando em Linguagem e Tecnologia pela Universidade Estadual de Goiás e colunista do Cartas Proféticas.

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