ilusão

A escola é uma fábrica de ilusão

“Redes sociais deram voz à legião de imbecis.”
Umberto Eco
O mundo é ilusão. Esse mundo que se apresenta aos nossos olhos é fruto de uma ilusão coletiva. Não tem nada de novo no que lhes apresento caro leitor. O filósofo Arthur Schopenhuaer teorizou sobre isso numa obra clássica do pensamento filosófico: O mundo como vontade e representação (2005), partindo do pensamento kantiano que apresenta o mundo sob uma perspectiva dual: o mundo dos fenômenos, possível de ser experimentado pelo homem numa relação direta entre sujeito e objeto e o mundo incognoscível, aquele impossível de ser experimentado.  Schopenhauer também acredita que o mundo é constituído da realidade (por meio dos fenômenos) e da coisa-em-si.

Mas, para ele,  a coisa-em-si, não é constituída de coisas diferentes. Para que haja diferenças é preciso que exista o espaço e o tempo. Porém o tempo e o espaço são invenções humanas, pertencem ao mundo fenomênico. Logo se não há espaço e tempo tudo é indiferenciado e uno. Dessa forma a coisa-em-si se apresenta a nós. Portanto, ela não pode ser razão do fenômeno, afinal uma ligação de causa só pode existir no mundo fenomênico. Resumindo, o fenômeno é puro e simplesmente uma manifestação do incognoscível.

Para fechar meu raciocínio à luz do pensamento schopenhaueriano, a mente e a consciência é o que nos permite ver a representação da coisa-em-si. Esta, porém, não tem nada que ver com a mente ou consciência como nós imaginamos mente e consciência. Aquela não possui pessoalidade, possui na verdade o que Schopenhauer chama de vontade. O filósofo emprega este termo porque a Vontade é a experiência direta mais próxima que podemos ter disso. É a Vontade o motor de nossas vidas. Então, para o filósofo, o incognoscível é possível de ser experiênciado (ao contrário de Kant). Mas a grande questão que nos interessa é que Schopenhauer concluiu que a realidade (o mundo sensível) é uma ilusão que camufla uma realidade una e transcendente.

Essa construção não uníssona é marcada por subjetividades que possibilita que cada pessoa enxergue a realidade de uma maneira bem dissímil. A isso damos o nome de ponto-de-vista, cada um observa o fato de um ponto-de-vista. Entender e colocar-se no lugar do outro é sem dúvida o maior desafio contemporâneo. Vivemos um tempo marcado por uma hipertrofia da individualização. Há em curso na sociedade uma profunda regressão psíquica que avança para formação de abismos. Abismos psíquicos que separam as pessoas.

É paradoxal o período que vivemos. Ao mesmo tempo em que as redes sociais possibilitaram a formação de teias de conexão, temos também o distanciamento entre os indivíduos exatamente porque não conseguimos colocarmo-nos no lugar do outro.

Mas essa falta de capacidade de diálogo, da incapacidade de se colocar no lugar do outro, não surge do nada. Pelo contrário, a intolerância é construída. O não diálogo é fruto do modelo educacional que temos. O tipo de ser humano que temos hoje é fruto não só, mas fundamentalmente da nossa escola. Então a escola é uma fábrica de ilusão. Local do discurso pronto. Lugar de ordem e da formatação de idiotas. E só há uma maneira de sobreviver à escola: não levá-la a sério. Pois ao não levarmos a escola a sério, podemos descontruir esse modelo educacional que vigora. Porque o que ninguém tem coragem de dizer, porque há um acordo tácito entre diversos atores: professores, governo, alunos, sociedade… É que esse modelo educacional faliu.

Reconhecer isso é o primeiro passo para construirmos um novo espaço de aprendizado… Mas isto é já é assunto para outro texto.

*É PÓS GRADUADO, FORMADO EM PEDAGOGIA E LETRAS PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS. POETA, ESCRITOR, MILITANTE SOCIAL, NIILISTA, PAI DO MURYLLO E DO CARLLOS EDUARDO. DOCENTE DE EDUCAÇÃO SUPERIOR E EDUCAÇÃO BÁSICA EM GOIÁS, TENDO ATUADO EM INSTITUIÇÕES COMO UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS, INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIAS E TECNOLOGIA. ATUALMENTE É PROFESSOR EFETIVO DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE ANÁPOLIS.

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