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A humanidade que vem tem que repensar o estatuto social dos bancos privados: ou isso ou os banqueiros causarão uma destruição irreversível na vida econômica humana

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Texto conjunto de Daniel da Costa* e Daniel Reis (líder sindicalista da categoria dos bancários).

O capitalismo não representa a “natureza” da vida econômica humana. A economia e o mercado sempre existiram, antes do surgimento do modelo capitalista, que é histórico e datado e, portanto, como tudo criado pelo ser humano, passível de ser mudado, superado para melhor.

No entanto, no meu entender, o sistema capitalista não é o problema mais imediato da humanidade. Este sistema pseudo econômico falido (pois inverte a ordem natural das coisas na vida econômica humana) está muito impregnado na nossa vida para que possamos tirá-lo rapidamente sem causar um estrago gigantesco.

O sistema capitalista, sua dinâmica de existência, orientado pela atuação e o esquema montado de sua proteção pela ideologia liberal há 300 anos no mundo, inverte a ordem natural da vida econômica humana de modo artificial, e nada “natural”: portanto mortal.

A palavra portuguesa “economia” é, na verdade, uma transliteração para o Português de uma expressão grega composta de duas palavras: oikos + nomos (oikosnomos) Sendo oikos = casa, e nomos = regra, lei. E, em toda expressão conjunta, como esta, é o primeiro conceito, o que aparece primeiro, que determina o sentido do segundo. Assim, é a oikos (casa) que determina o nomos (regra, lei), e não o inverso, como propõe a economia capitalista inspirada pela ideologia liberal. Pois nesta, não é a necessidade humana real, a necessidade da casa (incluindo o meio ambiente) que deve determinar a regra da economia. Não. O que para esta inversão decadente importa é a “sua regra” (nomos), abstrata e fora dos eixos, fora das necessidades reais econômicas da humanidade, determinar como deve se comportar a “oikos” (casa), a vida humana real concreta, incluindo a casa comum, o nosso planeta terra, o meio ambiente. ISSO É UMA EXPRESÃO DE LOUCURA INAUDITA!

Todavia, se nosso problema maior é primeiramente destruir a ideologia liberal, e sua contaminação na alma e na vida humana, o primeiro passo para isso passa pela mobilização da humanidade (sociedade, em cada país) para se repensar o estatuto de existência dos bancos privados: que deve deixar de existir, se nós quisermos continuar existindo como espécie. A economia humana real precisa mesmo de “banco privado” para funcionar? Esta é a pergunta. Mas vejamos o tipo de reflexo que essa verdadeira quadrilha mundial de saqueadores parasitas, chamados banqueiros, possuem.

A jornada de todos os bancários é de 6HS. Os que fazem 8HS tem 2 horas extras previamente contratadas. É a famosa comissão de função. A diferença é que, na década de 90, 90% faziam 6HS, agora esse número chega a 30% apenas. Houve uma inversão.

A 1° proposta da Fenaban foi de retirar direitos começando pela redução de até 48% da Participação dos Lucros e Resultados PLR. Amanhã 20/08/20 haverá nova rodada de negociação.

Os banqueiros adoram dinheiro só ganharam  R$28,9 bi. Lucro dos grandes bancos caiu 40% no 2º trimestre, para menor valor desde 2016. Mas o acumulado foi de R$ 12,1 bilhões, mais R$ 16,8 bilhões no 1 trimestre período. Está bom ou precisa fazer vaquinha para receberem?

“Bancos querem retirar direitos da categoria bancária. Com lucros bilionários, falar em retirar auxílio alimentação é absurdo.” (Juvandia Moreira: líder sindical)

A Fenaban avacalhou e desonrou a categoria bancária, na mesa de ontem: 20/08/20. Ja tinha feito a proposta de diminuir em até 48% a PLR dos bancários, agora propôs retirar 13ª, cesta alimentação e diminuir a gratificação de função de 55% para 50%. Também não apresentou propostas para as demais reivindicações.

O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta na mesa e continua reunido hoje 21/08, continue tuitando. NãoMexaNaPLR …

Alguns podem estar lendo este texto e se perguntando agora: e o que eu tenho a ver com as reivindicações dos bancários?

Quem faz este tipo de pergunta realmente parece não entender que sua vida está toda embrenhada no esquema fechado imposto pelos liberais banqueiros. Toda nossa vida econômica, a vida econômica de toda sociedade, está nas mãos de meia dúzia de famílias que simplesmente decidem, em comum acordo, a taxa de juros (por meio de lobby junto a políticos com candidatura bancada pelos banqueiros que não aparecem na foto), a qualidade de serviços prestados, o valor de cada serviço (tabelado entre eles “na calada da noite”, dando a falsa impressão à sociedade de que há concorrência; os banqueiros, tendo já o controle da vida econômica, sabem como estabelecer “a lei zero da termodinâmica” da divisão dos lucros [despojos da guerra econômica entre eles] para manter o equilíbrio do sistema, a mediação nas negociações econômicas de vulto etc. etc. etc.

Para isso, os banqueiros contarão e contam com o apoio das políticas e dos políticos liberais sempre sob a seguinte regra: Em momento de crise, primeiro servir aos bancos, e não às pessoas; pois, em tempos de vida econômica normalizada, predominará a privatização dos lucros pelos banqueiros, e, quando da crise, a “socialização dos prejuízos”. Nesta “homeostase” econômica, a vida dos banqueiros fica sempre garantida, e a da sociedade humana e ambiental fica sempre comprometida, até a saturação. Quando não mais a haverá a possibilidade de existência de uma ou outra.       

Assim, na sociedade que vem, portanto, será preciso a humanidade repensar o estatuto social dos bancos privados para destruí-los, juntamente com a destruição dos falsos valores da ideologia liberal que justificam a forma pela qual os banqueiros agem, a forma pela qual eles justificam sua vida parasitária … não é possível mais convivermos com os desmandos dessa canalha de parasitas que não produzem (de fato) e se acham na condição de impor o que bem quiserem à vida econômica de toda sociedade humana.

Os bancos controlam o país atualmente: sim … este tema tem que se tornar pauta pública, é questão de vida ou morte da vida social … da vida humana … não dá mais para brincar com isso .. fazer de conta que se trata de algo “natural” a existência dessa doença chamada “banqueiros” …

Não se trata mais de guerra abstrata, ideal, ao capitalismo; os banqueiros constituem hoje uma quadrilha perigosa mundial acobertada por uma série de instrumentos jurídicos estabelecidos ao longo do tempo pelos liberais canalhas e hoje representam os maiores e mais deletérios parasitas da vida econômica humana … Através dos bancos privados, principalmente, é possível a lavagem de dinheiro sujo vindo do crime organizado: tráfico de drogas, de pessoas, de órgãos humanos, de desova de lixo tóxico no meio ambiente etc. etc. etc. Não podemos mais, como seres humanos, conviver pacificamente com isso …

Nossa guerra tem de ser objetiva e concreta contra a permanência dos falsos valores da ideologia liberal e seus congêneres (individualismo e competição) e a reapropriação do dinheiro, fruto do trabalho social, surrupiado pelos parasitas banqueiros, e redistribuído para movimentação real da vida econômica: geração de riqueza, emprego, produção etc.

A vida econômica e seus intermediários (os bancos) têm que existir sob o controle popular, nosso controle. Nós, que somos os mais interessados em nossa vida econômica real, de nossa casa, de nós e nossos filhos no meio ambiente que deve ser sadio.   

Portanto, uma vida econômica afim a uma democracia inclusiva e participativa, sob o controle popular, movida pelos valores da pessoa singular relacional e a cooperação. Valores estes baseados nos valores congêneres da solidariedade, fraternidade, paz e justiça. Uma vida econômica pautada sobre as verdadeiras necessidades da vida humana, biológica e do meio ambiente.

Ou isso, ou a destruição, em breve, da vida humana e biológica tal como a conhecemos … pois com base no esquema tresloucado liberal capitalista de produção consumo atual, este nosso lindo planeta não suportará mais 50 anos, sem uma completa devastação das condições que têm possibilitado a vida biológica tal como a conhecemos.  

*O Dr. Daniel Costa é bacharel, licenciado, mestre e doutor em filosofia pela USP; bacharel em teologia pela Faculdade Teológica Batista de SP; pedagogo licenciado pela FALC; autor de artigos de filosofia em veículos especializados e livros coletânea; autor do livro *O cristianismo ateu de Pierre Thevenaz* (no prelo); tradutor de mais de trinta livros nas áreas de filosofia, ciências da religião, ciências humanas e teologia; músico profissional (guitarrista) e jornalista. Colunista do Cartas Proféticas.

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