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A Igreja Católica Romana se soma às máfias evangélicas fundamentalistas, ao tráfico de drogas, ao fascismo e aos proprietários no apoio ao golpe na Bolívia

Ontem analisei aqui a desgraça que é o papel das igrejas evangélicas fundamentalistas no golpe fascista que derrubou o Presidente Evo Morales.

Financiadas por grupos estadunidenses, ligados aos grandes negócios de petróleo, de armamento, de agrotóxicos, dos bancos, da viação aérea, associados com lojas maçônicas e outras entidades secretas e porânicas, pastores e donos de igrejas servem como ponta de lança na manipulação das massas e como contatos com setores empresariais nacionais.

Sempre de forma melosa, chorosa, teatral, com vozes treinadas e padronizadas, fortes doses emocionais e com curandeirismo os pastores fomentam ideologicamente o povo com doutrinas fundamentalistas, alienando-o, esvaziando sua consciência de classe com o claro objetivo de tornar as pessoas servis e dóceis aos poderosos a quem, em última análise a quem esses chefes de currais servem e de quem ganham muito dinheiro.

Não é por outra razão que essas “igrejas” – na verdade empresas de grandes negócios no campo dito religioso – se transformam cada vez mais em grandes puxados dos partidos políticos oficiais conservadores e de direita.

Os resultados no campo humano e ético são danosos aos direitos dos trabalhadores, dos pobres, da sexualidade e politicamente as práticas são para proteger a desigualdade,  pendendo a  balança favoravelmente aos ricos e poderosos, em desabono aos pobres.

O luxo é a regra permanente desses donos de igrejas. Para defendê-lo subvertem as constituições das nações e ajudam a golpear a ordem democrática, inspirados no autoritarismo de cunho nazista.

 Essas igrejas, apesar de brigarem muito entre elas, como quais grupos mafiosos, formaram um mínimo de aliança na colaboração da destruição do governo de Evo Morales na Bolívia.

O que acontece na Bolívia é o mesmo que ocorre no Brasil e em toda a América Latina: as igrejas neopentecostais e fundamentalistas não têm nenhuma relação com Jesus de Nazaré nem com o cristianismo original. O deus delas é o capitalismo.

Lamentavelmente a Igreja Católica Romana na Bolívia é aliada histórica dos grandes  proprietários rurais, dos bancos e das elites militares, eternas golpistas e ativas terroristas na forma de ditaduras militares, tão bandidas e sangrentas quanto as outras que tingiram de sangue toda a América Latina.

Os bispos da conferência episcopal boliviana, além de pressionarem o Presidente Evo Morales, em favor das elites arcaicas que os sustenta no luxo, se calaram para favorecer a que os mafiosos do mercado tomassem o poder com a intenção de arrastar o povo boliviano à miséria e à pobreza.

Diante das perseguições sofridas pelos próprios familiares do Presidente Evo, inclusive com suas casas incendiadas, forçando o líder na nação a, com sua residência incendiada, improvisar proteção com cobertores, como se fossem telhados e também como colchões. Isto é, nenhum bispo foi capaz de acolher o presidente ameaçado de morte. Nenhum deles o acolheu seus majestosos e luxuosos palácios  episcopais.

O Monge Marcelo Barros, na conta dele no Facebook, denuncia a pecaminosa, porque injusta, opção preferencial pelos ricos que fazem os bispos protgolpistas bolivianos.

Marcelo destaca que aqueles bispos declaram guerra ao Papa Francisco e se colocam ao lado do capitalismo internacional no assalto à Amazônia e na matança de suas populações.

Leia o texto do Monge e Teólogo Marcelo Barros abaixo.

E o golpe também pegou a Igreja

As mais recentes notícias sobre a Bolívia nos entristecem, por causa do terrível golpe de Estado e da realidade triste que ele significa de racismo e de fechamento das elites com relação a qualquer governo que tente administrar o país para a maioria do povo. Por outro lado, o mais triste é constatar que os dirigentes da Igreja Católica na Bolívia se declaram favoráveis ao golpe.

Em sua declaração, os bispos negam que tenha havido golpe, mas não explicam como se derruba um presidente constitucionalmente eleito sem golpe. Deixam claro que a primeira preocupação é a defesa da propriedade e só depois falam na vida das pessoas. Convocam as forças armadas para cumprir essa função constitucional, sem nada dizer do fato de que se elas tivessem cumprido sua função nesses dias, não teria acontecido o que aconteceu. Nenhuma palavra sobre a violência e os crimes cometidos pela oposição que provocou o golpe. Nenhuma alusão à realidade dos povos indígenas, maioria da população boliviana que o presidente Evo Morales representava. E aludem claramente à possiblidade de novas eleições.

Qualquer pessoa de bom senso que leia a declaração da Conferência dos Bispos Bolivianos diante do atual Golpe de Estado poderá se fazer várias perguntas. A primeira é a que Igreja esses bispos pertencem: a do papa Francisco ou a que insiste em se manter no modelo de Cristandade, graças aos núncios de cada país que garantem a nomeação de bispos, à imagem e semelhança de um Vaticano que boicota o papa? Os mesmos bispos que nunca se pronunciaram contra as ditaduras militares do passado e os governos corruptos que tomaram conta do país até o século XXI, de repente, sempre que podem mostram sua inaceitação de um governo que não prestigiou mais o poder eclesiástico dos bispos e se declarava sempre pela valorização das espiritualidades dos povos originários. Provavelmente esses bispos não quiseram ler o Instrumento de Trabalho do Sínodo da Amazônia, nem prestaram atenção às palavras do papa Francisco colocando a valorização das culturas originárias como missão da Igreja. Será que não percebem que, por trás da rejeição a Evo Morales (com todos os defeitos e limitações que seu governo possa ter) o que está por trás é o racismo e o ódio contra o processo que na Bolívia, desde o primeiro governo do MAS, tem se chamado de Revolução Indígena? Por acaso, algum desses bispos pode afirmar que algum dos líderes da oposição ao governo agora derrubado tem a mesma preocupação ética e a mesma solidariedade ao povo pobre que o governo de Evo Morales, com todos os seus defeitos, demonstrou?

Outra questão é se esses bispos representam de fato a Igreja Católica da Bolívia ou sinalizam um fosso entre a cúpula e as bases?

De um lado, é triste constatar que dificilmente os bispos se pronunciariam de forma tão clara pelo golpe e contra o processo constitucional da Revolução Indígena se a maioria dos padres e diáconos das dioceses tivessem posição contrária. Sabemos que a Pastoral das Culturas que corresponde ao que aqui no Brasil seria o CIMI e a CPT juntos e os/as companheiros/as da Pastoral Bíblica das diversas regiões da Bolívia sempre têm apoiado as iniciativas do governo e quando podiam colaboravam com ele. No entanto, a declaração dos bispos revela um fosso entre os bispos e muitas bases das comunidades e mesmo entre os bispos e os/as responsáveis leigos ou padres das pastorais sociais.

Provavelmente o que está por trás dessa declaração é o velho instinto eclesiástico de se posicionar sempre pela elite e à direita. É o mesmo tom e conteúdo das declarações dos bispos da Venezuela e também do Equador quando este ainda se movia nos caminhos da Revolução Cidadã.Essa declaração revela que nenhum desses bispos, alguns dos quais têm suas Igrejas na região panamazônica, devem ter assinado o Pacto de compromisso com os pobres renovado pelos bispos e missionários nas Catcumbas de Domitila em 20 de outubro de 2019.

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