rogério favreto

A imolação de um desembargador legalista e corajoso

Por João de Paiva Andrade

Muitos serão os desdobramentos e análises decorrentes dos fatos políticos, históricos e [anti]-jurídicos ocorridos no domingo, 8 de julho de 2018, assim que publicada a concessão de liminar em habeas corpus em favor do Ex-Presidente Lula, mantido como preso político de forma ilegal e inconstitucional desde o dia 7 de abril de 2018, numa solitária, em Curitiba, na Superintendência Regional da Polícia Federal na capital paranaense. Quem concedeu a liminar foi Rogério Favreto, que era um dos dois desembargadores em plantão judiciário no TRF-4, num final de semana, durante as férias forenses de meio de ano.

Não haveria fato político-histórico se no plantão judiciário do TRF-4 – esse tribunal de 2º grau que em setembro de 2016, ao coonestar ilegalidades e crimes do juiz de piso da 13ª VJF curitibana, Sérgio Fernando Moro, revelou-se um Tribunal Fascista e de Exceção – estivesse qualquer outro, dos 14 desembargadores que compõem o pleno dessa côrte. Foi do desembargador legalista, garantista e corajoso, Rogério Favreto, o único voto contrário à admissão dos abusos, ilegalidades e crimes cometidos pelo juiz de piso, Sérgio Moro, e contra a chancela do Estado de Exceção, registrada por escrito pelos demais 13 desembargadores do TRF-4.

Três deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), Wadih Damous, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira, ao saber que na escala do plantão estava o desembargador Rogério Favreto, impetraram um pedido de habeas corpus em favor do Ex-Presidente Lula cuja solidez da fundamentação jurídica não permitiu nem aos mais ferrenhos golpistas, desafetos políticos e inimigos de Lula no poder judiciário apresentar razões jurídicas ou jurisprudenciais para negar o pleito. Sendo dois dos deputados impetrantes formados em Direito, um deles advogado de carreira que presidiu a OAB-RJ, fica claro que foram extremamente precisos, rigorosos, quando elaboraram o pedido de HC. Mas não se pode inferir, a partir disso, que tenha sido feita uma jogada combinada com o desembargador Favreto, sorteado para julgar o pedido de HC em favor do Ex-Presidente Lula; os que fazem essa ilação integram o time dos golpistas, seja no sistema judiciário, seja no PIG/PPV. Essa inferência, assim como a menção a ligações pretéritas de Rogério Favreto com o PT, serve apenas de alimento às maltas manipuladas pela mídia corporativa e aos nazifascistas, pois os “colonistas” que lançam essa desconfiança em relação a Favreto, mas nada dizem, além de tímidos muxoxos, em relação à atuação descaradamente político-partidária de juízes e ministros de tribunais e côrtes, de 2º grau e superiores, em defesa de aliados políticos de partidos de direita e centro-direita; Sérgio Moro e os desembargadores da 8ª turma do TRF-4 (João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Laus), Félix Fischer, o auxiliar e colegas dele na 5ª turma do STJ, chamada de “câmara de gás”, Laurita Vaz, na presidência e plantão do STJ no período de férias forenses, e os exemplos mais conhecidos, no STF, que são os tucanos militantes e de carteirinha, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Em artigo que escrevi ontem fiz a seguinte ponderação:

A propositura/impetração do pedido de habeas corpus em favor do Ex-Presidente Lula, feita pelos deputados Wadih Damous, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira, exatamente num final de semana em que o desembargador de plantão no TRF-4 era o legalista/garantista Rogério Favreto, único a discordar daquela monstruosa decisão do plenário dessa côrte de 2º grau que, em setembro de 2016, coonestou o crime do juiz Sérgio Moro, em gravar e divulgar para TV Globo uma conversa entre a Presidenta da República, Dilma Vana Rousseff, e o Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, referendando, por escrito, um Estado Fascista de Exceção, foi um golaço político. É discutível se a principal intenção dos deputados era/é, de fato, a defesa dos direitos políticos do Ex-Presidente Lula, sobretudo se observarmos que os dois primeiros não demonstraram interesse em denunciar crimes cometidos por Sérgio Moro e dos quais o portal Duplo Expresso publicou prova documental em janeiro deste ano; fraude processual foi cometida por Sérgio Moro e procuradores do MPF, que agendaram uma audiência clandestina, para ouvir, na Espanha, o advogado Rodrigo Tacla Durán; os procuradores e juiz lavajateiros ocultaram da defesa do Ex-Presidente Lula a realização dessa audiência. Outro crime denunciado por Tacla Durán foi cometido por procuradores do núcleo lavajateiro curitibano do MPF, em conluio com o advogado Carlos Zucolotto Jr., amigo e padrinho de casamento do casal Rosângela Wolf Quadros Moro e Sérgio Fernando Moro; desse crime Tacla Durán também apresentou provas, periciadas na Espanha. Mesmo que o objetivo dos deputados seja o de se capitalizar para renovar o mandato parlamentar, de forma indireta o pedido de HC, concedido pelo desembargador plantonista, Rogério Favreto, foi benéfico ao Ex-Presidente Lula, já que causou um curto-circuito e expôs pùblicamente as vísceras de um poder (na verdade de um sistema) judiciário caracterizado pelo arbítrio fascista e pelas práticas que se assemelham às da máfia e do crime organizado

A encenação feita pelos deputados petistas impetrantes do HC, culminando com a notícia divulgada pelo portal jurídico (de direita, frise-se) Conjur, cuja lide é “Deputados pedem que STJ arquive HCs que não foram impetrados pela defesa de Lula”, que pode ser lida em https://www.conjur.com.br/2018-jul-11/petistas-arquivar-hcs-impetrados-simpatizantes-lula, faz acender sinais amarelos, alaranjados e vermelhos na Esquerda Consciente, principalmente levando em conta o teor da reportagem assinada por Sérgio Rodas e a atuação dos deputados Wadih Damous e Paulo Pimenta quando, em vez de apurarem e repercutirem a denúncia e a prova documental de crimes cometidos por Sérgio Moro e procuradores do MPF que atuam na “lava a Jato”, publicada pelo portal Duplo Expresso (DE) em janeiro deste ano, arregimentaram veículos da chamada “blogosfera progressista” para assassinar a reputação dos jornalistas responsáveis pelo DE e aniquilar este portal, que por ser sediado no exterior não expõe seus editores e colaboradores às coações, chantagens e ameaças a que estão sujeitos os jornalistas independentes e não alinhados com o golpe, mas que atuam no Brasil. Para se ter uma idéia da marotagem desses deputados, que parecem atuar em jogo combinado com os golpistas, mas fingindo ser “guerreiros” e “bravos defensores” do Ex-Presidente Lula, a “cabeça” da matéria mostra:

“Para não esgotar argumentos de futuros pedidos de Habeas Corpus em favor do ex-presidente Lula, os deputados federais do PT Wadih Damous (RJ), Paulo Pimenta (RS) e Paulo Teixeira (SP) pediram, nesta terça-feira (10/7), à presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministra Laurita Vaz, que arquive todas as ações constitucionais impetradas desde segunda (9/7) requerendo a liberdade do líder do PT.”

O teor da argumentação usado pelos deputados, para pedir o arquivamento dos pedidos de HC, feitos por cidadãos comuns, democratas, eleitores ou simpatizantes do Ex-Presidente Lula, é risível, sem sustentação alguma nos textos legais, normativos e jurisprudenciais. Nem é preciso ser iniciado em Direito para saber que não é monopólio de advogados constituídos o direito de impetrar habeas corpus em favor de uma pessoa cujos direitos (políticos, de ir e vir, de expressão ou outros individuais, elencados no Art. 5º da CF/1988) estejam sendo flagrantemente desrespeitados pelo aparelho repressor do Estado. A reportagem do Conjur apresenta o link para a petição, mas nem é preciso colocá-lo aqui, por desnecessário. Romulus Maya, um dos editores responsáveis pelo portal Duplo Expresso e que possui formação em Direito Internacional, faz críticas contundentes e bem fundamentadas aos deputados petistas, um deles sequer advogado, Paulo Pimenta. O link para a matéria é https://duploexpresso.com/?p=95732

Além da coragem, rigor e correção que tem marcado a atuação do desembargador Rogério Favreto, seguindo fielmente o ordenamento jurídico, sobretudo os comandos e cláusulas pétreas inscritas no texto da CF/1988, ele deve ter “couro grosso” e estar preparado para a já iniciada campanha de difamação, calúnia e linchamento que lhe impingirão os golpistas enquistados e encastelados nas hostes e burocracias do sistema judiciário, assim como no PIG/PPV. Favreto será vítima de uma ainda mais atroz campanha de aniquilamento que a observada contra outros magistrados que ousaram/ousam ir contra a maré golpista/entreguista/punitivista/opressora: Luiz Carlos Valois, juiz de execução penal no Amazonas, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, do STF, Fausto de Sanctis, que em 2008, quando estava à frente da 6ª Vara Criminal de São Paulo, condenou o banqueiro Daniel Dantas a 10 anos de prisão, por corrupção ativa e tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal (devidamente registrada em áudio e vídeo e divulgada em reportagem nos telejornais de maior audiência), na Operação Satiagraha, coordenada pelo então DPF, Protógenes Queiroz.

Na reportagem publicada em 24 de setembro de 2016, no portal jurídico Justificando, que pode ser lida em http://justificando.cartacapital.com.br/2016/09/24/unico-votar-pela-representacao-contra-moro-desembargador-aponta-abusos-e-partidarismo/ são citados trechos do voto proferido pelo desembargador Rogério Favreto no julgamento da representação impetrada por 19 advogados, contra o juiz Sérgio Moro, pelas ilegalidades e crimes cometidos em março daquele ano, quando o juiz da 13ª VJF de Curitiba não só autorizou escutas ilegais de conversa telefônica entre a Presidenta Dilma Rousseff e o Ex-Presidente Lula como criminosamente vazou o teor dos grampos para a Rede Globo de Televisão, causando “comoção nacional” e “revolta” entre as hordas de manifestoches e coxinhas que saíram à s ruas, pedindo a deposição da Presidenta, além da criminalização dela e do Ex-Presidente, que foi impedido, dois dias depois, de tomar posse como Ministro de Estado da Casa Civil, embora estivesse em gozo de plenos direitos de ser nomeado para o cargo, que é uma atribuição exclusiva/discricionária da Presidenta da República. Seguem abaixo os trechos do voto, citados na reportagem. Infelizmente o link para a íntegra do voto do desembargador Favreto não funciona mais.

“O levantamento do sigilo contemplou conversas que não guardam nenhuma relação com a investigação criminal, expondo à execração pública não apenas o investigado, mas também terceiras pessoas. De mais a mais, a decisão emanou de juízo incompetente, porquanto constatados diálogos com pessoas detentoras de foro por prerrogativa de função, o que deveria ter ensejado a imediata remessa do feito ao Supremo Tribunal Federal, conforme reiterada orientação daquela Corte”.

“Seria precipitado descartar de plano a possibilidade de que o magistrado tenha agido instigado pelo contexto sócio-político da época em que proferida a decisão de levantamento do sigilo de conversas telefônicas interceptadas. São conhecidas as participações do magistrado em eventos públicos liderados pelo Sr. João Dória Junior, atual candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB e opositor notável ao governo da Ex-Presidente Dilma Rousseff. Vale rememorar, ainda, que a decisão foi prolatada no dia 16 de março, três dias após grandes mobilizações populares e no mesmo dia em que o Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi nomeado para o cargo de Ministro da Casa Civil.

Além disso, a decisão, no quadro em que proferida, teve o condão de convulsionar a sociedade brasileira e suas disputas políticas. Aliás, no dia dos protestos contra o Governo da Ex-Presidente Dilma (13/03/2016), o próprio magistrado enviou carta pessoal à Rede Globo e postou nota no seu blog, manifestando ter ficado “tocado” pelas manifestações da população e destacando ser “importante que as autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas”. Ora, esse comportamento denota parcialidade, na medida em que se posiciona politicamente em manifestações contrários ao Governo Federal e, ao mesmo tempo, capta e divulga ilegalmente conversas telefônicas de autoridades estranhas à sua competência jurisdicional”.

“O Poder Judiciário, ao qual é própria a função de pacificar as relações sociais, converteu-se em catalisador de conflitos. Não é atributo do Poder Judiciário avaliar o relevo social e político de conversas captadas em interceptação e submetê-las ao escrutínio popular. Ao fazê-lo, o Judiciário abdica da imparcialidade, despe-se da toga e veste-se de militante político”.

Aliás, esse dever de cautela resta redobrado pelo destaque da Operação Lava Jato e pela repercussão que as mídias reproduzem na sociedade, mormente quando alguns magistrados e membros do Ministério Público se apresentam mais como atores globais e midiáticos, quando deveriam prezar pela discrição e serenidade em sua atuação. Exemplo mais recente de menosprezo aos preceitos basilares do processo penal foi a apresentação de denúncia contra o Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Procuradores da República, acompanhada de apresentação em Power Point em rede nacional de TV e rádio.

Hoje, quase três depois dessa reportagem do Justificando, após escutas atentas da gravação entre a conversa ilegalmente grampeada e criminosamente divulgada para a mídia golpista, há indícios claros de que a captação da conversa se deu no gabinete da Presidência da República, pois antes que a Presidenta Dilma iniciasse o breve diálogo com o Ex-Presidente Lula, comunicando a nomeação e o envio do Termo de Posse dele como Ministro da Casa Civil, é possível ouvir o som ambiente do Palácio do Planalto e a fala da secretária, que atendeu ao telefonema feito pelo Ex-Presidente Lula. Portanto a alegação de Sérgio Moro e seus apoiadores golpistas nos sistemas judiciário e midiático, de que o telefone grampeado era o de Lula, é deslavada mentira, portanto é mais um crime cometido por esse juiz de piso, já que um grampo instalado no telefone do Ex-Presidente Lula JAMAIS captaria o som ambiente do gabinete presidencial e a voz da secretária da presidência, que atendeu à ligação feita por Lula. Esse crime, que nem mesmo a chamada “mídia alternativa” baseada no Brasil teve coragem de denunciar é ainda mais grave do que, por acidente, gravar uma conversa da Presidente da República sem autorização do STF e divulgá-la “por engano”.

Tendo em vista que já em 2013, como mostram os documentos divulgados por Eward Snowden e pelo portal Wikileaks, a NSA e outras agências e departamentos de investigação e espionagem dos EUA espionavam as estatais brasileiras, o governo brasileiro, o governo alemão, etc., fica evidente haver ação dessas agências e departamentos de investigação e espionagem no grampo ilegal e na divulgação criminosa de seu conteúdo nos veículos da mídia golpista brasileira. É importante lembrar que no dia 2 de outubro de 2015, a Presidenta Dilma Rousseff anunciou a extinção do GSI, que nada mais era/é do que o recriado SNI, afinado e alinhado com agências e departamentos de investigação e espionagem dos EUA, como hoje bem sabemos. Surgem então algumas dúvidas e polêmicas: 1ª) o grampo no gabinete presidencial foi feito pelo GSI, em retaliação à iniciativa da Presidenta Dilma de extinguir o órgão?; 2ª) o grampo ocorreu em decorrência da extinção do GSI, que deixou ainda mais vulnerável o gabinete presidencial?; 3ª) o grampo foi colocado ou permitido pela ala quinta-coluna que fingia defender a Presidenta da República, mas que na verdade trabalhava para destituí-la do cargo? Como a resposta a pelo menos uma dessas dúvidas é SIM, surgem outras duas dúvidas ainda mais emblemáticas: 4ª) se não foi a ala quinta-coluna quem gravou a conversa entre a Presidenta Dilma e a entregou à TV Globo, quem adentrou o gabinete presidencial e instalou a escuta ilegal?; 5ª) admitindo a improvável hipótese de que o grampo foi feito na linha telefônica de Lula e não no gabinete presidencial, como uma companhia telefônica operante no Brasil conseguiria, em menos de 2h, entre milhões de ligações telefônicas realizadas, degravar a conversa ente a Presidenta Dilma e o Ex-Presidente Lula, entregá-la ao juiz Sérgio Moro, este ouvi-la e liberar o conteúdo para ser divulgado pela TV Globo?

Notem os leitores que no parágrafo acima sequer entrei nas inconsistências e inverossimilhanças contidas na narrativa oficial, de que a Polícia Federal continuou realizando o grampo após cessada a autorização judicial do próprio juiz criminoso da 13ª VJF curitibana e que a conversa entre a Presidenta e o Ex-Presidente se deu após expirada essa autorização. Mesmo essa narrativa fantasiosa não resiste a um primeiro questionamento que se faça, pois se o objetivo é aliviar a barra do juiz lavajateiro, isso não é possível, já que foi ele quem forneceu uma chave de acesso para que jornalistas da TV Globo baixassem o conteúdo do grampo ilegal e criminoso e o divulgassem em rede nacional de televisão. Se a PF, expirada a ”autorização judicial” do próprio juiz criminoso, Sérgio Moro, continuou a grampear a conversa entre a Presidenta e um Ex-Presidente da República, os policiais federais cometeram crime também. Ao receber o conteúdo do grampo, sabidamente ilegal e criminoso, e ainda assim entregá-lo à TV Globo, por meio do fornecimento da chave de acesso, para que jornalistas da emissora baixassem o conteúdo e pudessem divulgá-lo em rede nacional de televisão, Sérgio Moro cometeu crime grave.

Qualquer falsa aura de “inteligência”, “sutileza” ou “sofisticação” com que eram tratados os operadores do golpe no Brasil, notadamente os do sistema judiciário, caiu por terra no último domingo, 8 de julho de 2018. Embora seja mais do que discutível a real intenção dos deputados petistas que impetraram o pedido de HC em favor do Ex-Presidente Lula, como mostrei ao longo desta análise, os golpistas dos sistema judiciário e midiático ficaram nus, desprovidos de quaisquer argumentos lógicos ou jurídicos, capazes de sustentar a falsa narrativa de “normalidade institucional e democrática” no Brasil pós-golpe. É muito importante observar e ressaltar que NENHUMA das críticas, ataques e linchamentos, que os golpistas estão fazendo ao desembargador Rogério Favreto apresenta fundamentação jurídica ou jurisprudencial que lhe(s) dê sustentação; isso fica claro quando observamos ataques grosseiros, ameaças, apelação para pretéritas ou atuais simpatias políticas do desembargador, mas NENHUMA citação de fração de texto legal, normativo ou jurisprudencial capaz de mostrar que Rogério Favreto não tinha competência jurídica para conceder o HC e o Alvará de Soltura em benefício do Ex-Presidente Lula. O atropelo dos trâmites e ritos processuais, a usurpação de competência, o atravessamento de hierarquia, observados nas tresloucadas e teratológicas ações do juiz de piso, Sérgio Moro, que já não tinha mais qualquer jurisdição sobre o processo penal contra o Ex-Presidente Lula, julgado e condenado por ele, muito menos sobre a execução da ilegal e inconstitucional prisão numa solitária, à qual Lula está submetido desde o dia 7 de abril de 2018, do desembargador do TRF-4, João Pedro Gebran Neto, relator da AP contra Lula nessa côrte, na qual o processo não mais tramita, bem como do presidente do TRF-4, desembargador Carlos Thompsom Flores Lenz, que se imiscuiu a “resolver” um inexistente “conflito de competência” entre os desembargadores Gebran e Favreto, tudo isso mostra que houve um completo desarranjo nos intestinos do sistema judiciário golpista e cooptado pelo alto comando internacional.

A cereja do bolo, ou a pontinha última do excremento produzido pelo sistema judiciário nesses últimos dias é a decisão patética, vulgar, grosseira, sem qualquer embasamento ou fundamentação jurídica, tomada pela presidente do STJ, Laurita Vaz, ao cassar o HC concedido por Rogério Favreto ao Ex-Presidente Lula, partindo para o ataque vil e linchamento do desembargador, pois incapaz de elencar argumentos jurídicos para reformar ou cassar a decisão liminar que restabelecia liberdade de Lula. Muitos são os esqueletos no armário e as capivaras que carrega essa presidente do STJ: foi ela quem concedeu a Roger Abdelmassih, condenado a mais de 180 anos de prisão por abuso sexual e estupro de mais de 30 mulheres, o benefício de cumprir pena em regime domiciliar; foi ela também que negou a uma mulher, condenada por tráfico de drogas por portar 8 gramas de maconha, o direito de cumprir pena em casa, na companhia do filho recém-nascido e dos outros 4, já mais crescidos.

Devemos observar que os algozes do Ex-Presidente Lula no sistema judiciário não leram ou, se leram, leram mal ou não compreenderam o teor e o objeto, tanto do pedido de HC impetrado pelos deputados petistas em favor do Ex-Presidente Lula como da decisão liminar proferida pelo desembargador Rogério Favreto, plantonista do TRF-4, concedendo a liberdade a Lula. Em duas reportagens, o jornalista Marcelo Auler mostra que não apenas sólida fundamentação jurídica como vários fatos novos, que dão suporte ao pedido de HC em favor de Lula. A primeira dessas reportagens, que pode ser lida em https://marceloauler.com.br/fatos-novos-do-hc-de-lula-negam-mas-existem/ , cita trechos da peça, mostrando de forma clara e didática a pertinência e solidez da fundamentação jurídica em que jaz o pedido de HC. Na segunda reportagem, como é do padrão desse grande repórter, são mostradas provas cabais do descumprimento de ordem judicial pelos delegados Flúvio Cardinelle Oliveira Garcia, que estava de “sobreaviso”, Roberval Ré Vicaldi, delegado regional executivo. A reportagem mostra que esses delegados receberam ordens do juiz Sérgio Moro, do desembargador João Pedro Gebran Neto, do desembargador e presidente do TRF-4, Carlos Thompsom Flores, e do Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para descumprir a ordem judicial expressa (Alvará de Soltura) pelo desembargador Rogério Favreto, determinando a imediata libertação do Ex-Presidente Lula. Pelo teor bombástico e probatório dessa segunda reportagem, que pode ser lida em https://marceloauler.com.br/registro-564-2018-hc-de-lula-descumprido/ , o jornalista bloqueou os comentários de leitores, já antevendo a perseguição que os golpistas do judiciário farão contra ele.

Finalmente, ao negar todos os pedidos feitos por veículos de mídia, para fazer entrevistas e sabatinas com o Ex-Presidente Lula, mas sem capacidade de fundamentar jurìdicamente a decisão, usando argumentos rasteiros, vulgares, primários, alguns deles frontalmente contrários aos textos legais e jurisprudenciais, a juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba e responsável pela execução penal do Ex-Presidente Lula, passou um enorme “recibo”, dando cabal razão aos impetrantes do HC em favor de Lula, que na petição citaram os direitos individuais, de expressão e políticos do Ex-Presidente Lula, prevalentes até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, pois mesmo que negado o registro da candidatura (seja de ofício, como tentou antecipar o advogado Admar Gonzaga, nomeado pelo golpista e corrupto Michel Temer para o TSE) ou após o pedido formal de registro, cujo prazo final é 15 de agosto de 2018, caberá ainda recurso ao STF, contra a impugnação da candidatura. Portanto, entre os dias 8 e 12 de julho de 2018 esgotaram-se TODOS os argumentos jurídicos dos golpistas. A ditadura da toga não mais conseguirá fingir que não existem ou tentar explicar e justificar os muitos batons que os golpistas togados carregam nas ceroulas e cuecas.  Nem mesmo as velhinhas de Taubaté, para recordar o saudoso Chico Anysio, acreditam mais nas falácias dos golpistas do midipoliciário.

Como o caldeirão do Brasil pós-golpe não pára de ferver, eis que na tarde deste dia 12 de julho de 2018 é publicado o teor de uma ação proposta pela PGR, Raquel Dodge, casada com o estadunidense Bradley Dodge (de quem não se encontra sequer UMA fotozinha no google ou outros buscadores da internet; por que será, hein? Agente do Deep State?). Sobre essa PGR a revista CartaCapital apurou que “trabalhou no passado com o senador Antonio Anastasia (MG), fidelíssimo do senador Aécio Neves, presidente do PSDB até o fim de 2017”, “nutre ligações José Roberto Santoro, subprocurador de estreitos vínculos com outro senador tucano, José Serra (SP), com quem trabalhou no Ministério da Saúde nos anos 1990″ e teve sua escolha para o cargo apadrinhada pelo ministro do STF Gilmar Mendes ,”de indisfarçável pendor tucano, vide suas decisões e opiniões”. O que propõe essa PGR golpista? Aposentadoria compulsória para o desembargador Rogério Favreto. A argumentação? Infringência ao “princípio constitucional da impessoalidade”. Piada pronta, como diz o humorista Zé Simão.

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