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A mentira é o elo entre Edir Macedo, Malafaia e Bolsonaro, dizem evangélicos sérios

Lideranças evangélicas relatam ameaças e coerções. “Bolsonaro é o contrário dos princípios elementares da fé. Servir a mentira é servir ao diabo. É ser um anticristo”, diz pastor Ariovaldo.

O jornalista Marcelo Santos da RBA sintetiza muito bem a que ponto chegaram os evangélicos conservadores, neopentecostais e igrejas midiáticas.

O pastor Ariovaldo Ramos é um teólogo, estudioso e sério. Como um dos coordenadores da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, em cujo ambiente o debate político, a reflexão coletiva e a análise da realidade são constantes e iluminadoras,   conceitua que os manipuladores das congregações são coronéis totaliários e tiranos, como é o caso do bufão Silas Malafaia e outros.  Ariovaldo ‘considera a campanha promovida pelos midiáticos pastores’ “uma distorção, um desrespeito a liberdade de consciência do fiel. Um desrespeito aos limites da autoridade espiritual”.

O pastor diz “que esses irmãos estão fazendo não está condizente com o papel do sacerdote e conselheiro espiritual. Usar o poder mais intenso que existe, que é o poder da fé, para chantagear ou manipular é escabroso”, condenou.

“O líder religioso lamentou também o uso de mentiras, especialmente espalhadas por alguns setores evangélicos. Recentemente, o pastor Silas Malafaia espalhou fake news dizendo que o ataque sofrido por Bolsonaro, em Juiz de Fora, foi obra de um “militante do PT” que “assessora a campanha de Dilma ao senado”. Questionado, usou do seu costumeiro cinismo para dizer que “assessora” era uma palavra “dúbia” e não significava que ele teria afirmado que o homem fosse funcionário ou recebesse algum tipo de salário.

“Estamos assistindo evangélicos envolvidos nisso. Isso é assustador porque uma das advertências que as Escrituras fazem é a de que a mentira é filha do diabo. Portanto, servir a mentira ou lançar mão da mentira é fazer um pacto com o diabo. É servir ao diabo. É ser um anticristo. É colocar-se contra Deus e contra tudo o que nossa fé proclama”, ressalta Ariovaldo.

A  mentira é consciente como modo de agir desses coronéis e é lamentável. “Nós estamos diante do que Bíblia chama de ‘filhos de Belial’. De gente que lança mão da mentira, da desfaçatez e da hipocrisia para desviar os fiéis da vontade de Deus”, se entristece o pastor Ariovaldo.

Além da mentira como técnica de manipulação e substituição da ação política honesta como dever e direito à cidadania, os coronéis donos de igrejas, manipuladores de pessoas, iludindo suas inteligências e razão, eles pregam o ódio e ameaçam as pessoas, inclusive de expulsão de suas igrejas e até de morte.

Um lider comunitário evangélico, que tem seu nome preservado por causa de perseguições que sofre, narrou que participava de sua igreja com encanto e entusiasmo quando se desiludiu com o autoritarismo dos que o obrigavam a abrir mãos da reflexão, do diireito a escolher politicamente as lideranças que entendia ser justas para servir o povo.

Conta ele  “que o que era exemplo claro de compromisso social e fidelidade aos preceitos cristãos tornou-se motivo para perseguições e ameaças dentro de sua própria comunidade de fé. Bastou se opor ao discurso de ódio do candidato Jair Bolsonaro para ser ofendido por bolsonaristas de alcunhas nada elogiosas como “comunista de merda”, “lixo dos infernos”, “servo do diabo”, “vagabundo”, “terrorista criminoso”, “militantezinho extremista”, além de passar a ser monitorado virtualmente”, conta.

“A gota d’água foi quando apoiou um ato contra as reformas trabalhistas realizadas pelo governo Temer. “Num grupo de WhatsApp dos obreiros da igreja, um irmão,  policial militar, ironizou o movimento. Dizia que as atividades girariam entre ‘comer pão com mortadela e apanhar da polícia’”.

“Francisco reagiu e pediu que fosse respeitado o direito à manifestação. O homem aumentou o tom das ofensas e passou a postar xingamentos e ameaças.” “Ele escreveu que lamentava não estar com o fuzil dele nas mãos naquele momento para me dar ‘um tiro nos miolos para ver se aprende alguma coisa’”.

“A ameaça vinda do obreiro e militar o deixou perplexo. A liderança não repudiou a violência. Francisco e sua família deixarem a comunidade onde começou seus passos na fé evangélica, descreve o jornalista Marcelo. “Foi muito triste. Alguns amigos saíram em solidariedade ao que ocorreu comigo e outros também indignados com os discursos de ódio que foram disseminados, com um moralismo excludente e com um tradicionalismo que colocou para fora todos os que pensam de forma diferente do que a cúpula da igreja deseja.”

“Casos assim não são raros. Defender a justiça, verdade e a solidariedade, nos últimos anos, tornou-se motivo de forte perseguição dentro de boa parte de denominações evangélicas”, narra o jornalista da RBA. “Os evangélicos estão trazendo à tona um ser imenso e terrível que estava sendo gestado há décadas em seu interior. Isso não acontece de uma hora para outra”, explica o professor de Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Orivaldo Lopes Junior.

Segundo ele, por volta de 1960 o protestantismo, como era chamado na época, vivia uma primavera de liberdade e de esperança. “Havia uma unidade entre as igrejas tradicionais, mas uma suspeita para com as pentecostais. As organizações de união, como a Confederação Evangélica Brasileira tinham uma atuação social intensa. Por exemplo, realizou no Recife, em 1962, a conferência Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro, com a participação de teólogos, pastores e intelectuais”, lembra Lopes Junior.

Tudo isso, entretanto, foi reprimido e esmagado com o golpe de 1964. “Os seres pequenos que jamais conseguiriam espaço no mundo religioso de então, aproveitaram para expelir líderes que tinham postura de unidade e diálogo com a sociedade, e ocupar seus lugares, beijando em seguida as botas dos militares. De uma hora para outra, as igrejas saíram do quintal e vieram para a sala de visitas do poder”, relata.

O “monstro” criado há cinco décadas, segundo o professor, voltou a se apresentar com os movimentos de 2013. “A carta de protesto contra o governo federal que propunha aumento de consultas populares, gravações de ameaça aos candidatos do PT, silenciamento quanto ao golpe de 2016, e agora, com plena força, apoio a um candidato que é tudo o que há de contrário aos princípios mais elementares da fé evangélica, como fidelidade, respeito à vida, tolerância e amor aos excluídos”, observa o professor.

Para ele, é como se parte da Igreja brasileira entregasse todos “seus anéis de respeito, dignidade, responsabilidade histórica e coerência” em troca de sentir que estejam salvando “o moralismo, a heteronormatividade, o neoliberalismo, o fim do Estado laico e seu crescimento desenfreado como um fim em si mesmo”, conclui ele, que também é pastor batista.

Os elos que ligam esses “evangélicos” no apoio ao nazista Jair Bolsonaro são a mentira, a intimidação, o desprezo ao estudo teológico e à militância política que defenda a justiça social, como o faziam os profetas e o próprio Jesus.

Leia a íntegra desse elucidadativa matéria jornalistica da RBA clicando aqui.

Para o pastor Ariovaldo Ramos, a Bíblia chama isso de ‘filhos de Belial’: ‘Gente que lança mão da desfaçatez e da hipocrisia para desviar os fiéis da vontade de Deus’

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