caristia_fome-card

A miséria e a fome mexem nas estatísticas eleitorais e nas mobilizações populares

Analisei aqui a ocupação de supermercados por populações com fome em busca da formação de cestas básicas, com grande impacto na estatística deste site.  Em todo o país o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) conseguiu organizar grupos expressivos na denúncia do abandono de programas sociais e na pressão por alimentos na contradição ao mercado, que lucra e acumula capitais com negócios de gêneros alimentícios.

Agora leio no Site Brasil 247  que o jornalão O Globo  constata num cruzamento de dados que 37% entre as pessoas mais pobres migra do facínora Jair Bolsonaro ao ex-presidente Lula na estimativa de declaração de intenção de votos para 2022, depois que manipuladas, enganadas e afundadas no analfabetismo político, se deixaram arrastar pelo mentiroso e tinhoso “vencedor” das eleições de 2018.

Neste 21 de dezembro de 2021, enquanto a burguesia briga por jatinhos para as viagens aos seus bacanais de natal e de fim de ano,  a Central de Movimentos Populares ressuscita as lutas contra a carestia, que promoveram as famosas passeatas no enfraquecimento da ditadura fascista-militar, chamando as pessoas favelizadas à mobilização contra a fome em São Paulo, no final da década de 70 e início da de 80 desembocando na quebra dos pés de barro do monstro nazifascista responsável pela destruição da base econômica da classe trabalhadora.

Este movimento em São Paulo, agora em dezembro de 2021, produziu carta aberta na qual repercute as causas reais do fracasso do capitalismo na produção de destruição econômica, da elevação da miséria, da pobreza, dos abandonos e fome de milhões de brasileiros e de brasileiras. “A desigualdade social se aprofunda com a concentração da riqueza, sob a hegemonia do capital financeiro, e causa desemprego estrutural que, no Brasil, já atinge 13,5 milhões de trabalhadores. A fome já penaliza 20 milhões de pessoas no Brasil, país que é o terceiro produtor de alimentos do mundo. A carestia dos alimentos básicos tem piorado as condições de vida do povo, especialmente das camadas mais empobrecidas da população”, afirma o documento.   

Como é próprio dos movimentos sociais,  analisar e expor as causas verdadeiras da gravidade da situação crítica, como arte de mobilização, o texto alerta que na atual realidade e estrutura capitalista não há esperança de solução, como vimos afirmando aqui desde a origem desta crise profunda, que denuncia a decadência desse sistema. “Sem previsão de crescimento econômico para 2022, a tendência é o agravamento da fome e da miséria, piorando ainda mais as condições de vida do povo – que não terá outra saída a não ser se organizar e se colocar em luta, assim como o fez no Movimento Contra Carestia no final dos anos 1979 e início dos anos 1980”, afirma o documento, testemunhando o único caminho a seguir.

Portanto, a via justa que nos resta como povo, como classe trabalhadora  e como pobres é a da mobilização ampla, geral e irrestrita, primeiro,  para atacar solidariamente a emergência da fome e, consequentemente, com o objetivo da ruptura definitiva desta estrutura neoliberal, mãe de todas as desgraças, buscarmos muito mais do que a derrubada e mudança eleitoreira de governo, como fizemos na resistência à ditadura nazifascista de 1964.

Leia a Carta aberta da Central de Movimentos Populares à população, postada abaixo.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

*********************************************************************************

Carta aberta da CENTRAL DE MOVIMENTOS POPULARES á população

MOVIMENTO POR EMPREGO E CONTRA A CARESTIA E A FOME.

AGORA, como no final da década de 1970 e começo da de 1980, movimentos populares das periferias de São Paulo voltam a se organizar contra a carestia. Diante do altíssimo número de desempregados, e aumentos dos preços dos alimentos, do aluguel, do botijão de gás e das tarifas de energia, agora, nessa virada de 2021/2022, na cidade de São Paulo está sendo retomado, após mais de 40 anos, o MOVIMENTO CONTRA A CARESTIA.

A desigualdade social se aprofunda com a concentração da riqueza, sob a hegemonia do capital financeiro, e causa desemprego estrutural que, no Brasil, já atinge 13,5 milhões de trabalhadores. A fome já penaliza 20 milhões de pessoas no Brasil, país que é o terceiro produtor de alimentos do mundo. A carestia dos alimentos básicos tem piorado as condições de vida do povo, especialmente das camadas mais empobrecidas da população. 

Cada vez mais as pessoas têm dificuldade para se alimentar.

A inflação acumulada de alimentos atingiu 11, 71% nos últimos 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com a inflação dos alimentos e sem emprego, o povo não tem condições de pagar aluguel. Resultado: milhares são despejados e, sem alternativas, enchem as ruas, praças e se amontoam debaixo dos viadutos das cidades.

Cenas de pessoas desmaiando por falta de comida são cada vez mais frequentes. Há relatos de que todos os dias as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) da cidade de São Paulo são procuradas por moradores com queixa de mal-estar, decorrente de fome, e que crianças, durante a consulta, pedem comida. Situação parecida também tem sido notada nas escolas, onde alunos passam mal porque vão para as aulas sem se alimentar.

O reajuste no preço dos alimentos chegou a 40% durante a pandemia, impactando mais severamente as famílias com renda menor. Para famílias com renda de um salário mínimo, o preço da cesta básica chega a consumir 65,32% dos ganhos mensais, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Bolsonaro destruiu instrumentos responsáveis pela política de alimentação e regulação dos preços, como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

O gás de cozinha, para muitos, foi substituído pelo fogão à lenha, e muitos acidentes com o uso do álcool para acender o carvão já foram registrados. Somente em 2021, o preço médio do botijão de 13 quilos aumentou 30%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço da energia elétrica no Brasil já acumula uma alta de 24,97%, em 2021.

O desmonte de direitos e políticas sociais também contribuiu para o agravamento da crise social. Some-se a isso o crescimento do racismo, do machismo, dos fatores estruturais de desigualdade, além do genocídio da população indígena e negra, pobre e periférica.

Infelizmente temos assistido cenas que nos causam indignação. Imagens de pessoas revirando lixo em busca de sobras de alimentos, nas filas de açougues a procura de ossos para retirarem restos de carne. No sertão do Nordeste, pessoas em disputa de carniça com urubus têm revelado, ao Brasil e ao mundo, a tragédia humana e social pela qual passam milhões de pessoas em todos os cantos de nosso país.

A situação de fome e pobreza deve piorar em 2022, tendo em vista que, até o mês de outubro, 37 milhões de pessoas recebiam Bolsa Família ou auxílio emergencial. A partir de agora, o Auxílio Brasil irá atender, no máximo 17 milhões de pessoas, excluindo, portanto, 20 milhões, que ficarão sem nenhuma renda para a sua sobrevivência básica. 

Sem previsão de crescimento econômico para 2022, a tendência é o agravamento da fome e da miséria, piorando ainda mais as condições de vida do povo – que não terá outra saída a não ser se organizar e se colocar em luta, assim como o fez no Movimento Contra Carestia no final dos anos 1979 e início dos anos 1980.

É nas periferias e nas comunidades favelizadas onde a fome mais pesa e impacta as pessoas. O povo não suporta mais tanta miséria, não aguenta mais ver aumentar a quantidade de bilionários enquanto passa fome. Comida tem, os supermercados estão cheios, o que falta é dinheiro para comprar e justiça social.

Panela vazia não, comida no prato sim. Queremos trabalho e salário dignos. Não aceitaremos morrer de fome.

Para além do desemprego e da fome, uma multidão sobrevive nas cidades sem ter acesso à moradia, à saúde, à educação, à água, ao saneamento básico, e impactada pela destruição do meio ambiente e ausência de mobilidade urbana. As cidades são governadas sob a égide da especulação imobiliária, como se fossem meras mercadorias, colocando o lucro acima da vida. 

Há campanhas com o mote “Natal Sem Fome”, porém a verdade é que milhões de famílias chegam a este Natal desempregadas e sem condições de comprar um simples presente para os filhos, parentes e amigos, tampouco preparar uma ceia de Natal.

Por isso, hoje, 21 de dezembro, no centro e nas  periferias de São Paulo, ecoamos nossa voz, batemos panelas vazias, levantando faixas e cartazes para chamar atenção da sociedade para a grave crise social que assola milhões de pessoas. Está tudo muito caro, e culpa é do Bolsonaro, da falta de políticas sociais, de verdadeira democracia!

São Paulo, 21 de dezembro de 2021.

Assinam:  MOVIMENTO POR EMPREGO, CONTRA A CARESTIA E A FOME e CENTRAL DE MOVIMENTOS POPULARES.

******************************************************************************

PROGRAMAÇÃO DO CANAL E DO SITE CARTAS PROFÉTICAS

– Chimarrão Profético: todas as terças e quintas feiras, às 11 horas;

– Leitura Profética: todas as quarta feiras, às 11 horas;

– Fé e  Luta: todos os sábados, às 11 horas;

– Mergulho nas Notícias: todas as segundas feiras, às 10 horas;

– Arte e Vida: todas as sextas feiras, às 19 horas;

– Reflexão do Evangelho: todos os domingos (programa gravado);

– Vigília e Resistência na Pandemia;

– Impactos das Notícias: notícias analisadas a qualquer momento (ao vivo).

Apoie este projeto com sua doação  pelo  Pix domorvandil@gmail.com.

Acesse e leia mais. Compartilhe:

Inscreva-se, ative o sininho, comente, dê likes, compartilhe e apoie sempre!

Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe um Comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.