a páscoa supera a morte

A morte não tem a última palavra!!!

Por Reimont Otoni*

O Cristão celebra a Páscoa o grande mistério da vida. Páscoa é passagem, renascimento, compromisso firmado de que a última palavra será sempre o amor.

Nunca foi tão necessário afirmar este significado, visto que vivemos tempos de culto ao ódio, tempos de promoção de violência por muitos lados. É aí que devemos explicitar nossa compreensão e nosso empenho.

Tomando como exemplo a figura de Jesus de Nazaré, somos levados muito rapidamente à conclusão de que não há a mínima possibilidade de estarmos ao seu lado se promovemos o ódio, a intolerância, a intransigência ou qualquer desrespeito ao diferente que para alguns deve ser aniquilado, mas que devemos acolher como elemento de aperfeiçoamento humano. As diferenças nos enriquecem.

Temos uma única possibilidade para fazermos juntos com Jesus o seu caminho: o amor. Pelo amor, com amor e no amor foi que assumiu os compromissos de sua prática e foi até a morte, até a morte de cruz. Em Jo 13,35 nos está colocada uma condicionante essencial para o seguimento: “nisto reconhecerão que são meus discípulos, ‘SE’ vocês se amarem uns aos outros”. Não há outra possibilidade e nem mesmo outra prática religiosa ou espiritual que nos colocará junto d’Ele.

Os fundamentos de nossa fé precisam ser permeados desta verdade escancaradamente colocada na proposta do Reino, o amor. “Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele”, (1Jo 4,16). Deus enviou seu filho para viver e não para morrer. Não pode ser desejo de Deus, o Abba, o Pai Amoroso, que seu filho amado tivesse morte tão dolorosa, tão covarde, tão cruel, morte de Cruz ainda na juventude. Não é desejo de Deus que seus filhos e filhas continuem morrendo a cada dia. Deus não quis a morte de Jesus e nem quer a morte violenta que a cultura do ódio propõe.

Jesus vem pregar o Reino. É preciso fazer uma demarcação do que é a vontade de Deus na sociedade do tempo de Jesus onde uns submetiam os outros, onde uns se enriqueciam às custas do trabalho dos outros, onde uns enganavam os outros com uma religião vazia e desconectada da vida e da realidade, onde a mulher era a adúltera e os adúlteros podiam apedrejá-la. O Reino pedia contraposição a esta sociedade e Jesus fez isso. Jesus não morreu porque “estava escrito”. Foi assassinado porque assumiu posição clara contra a sociedade de seu tempo e levou a sério a missão que proclamou “eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Pensar que o amor que Jesus pregou era etéreo, abstrato e insosso, não nos ajuda a compreender nem a missão dEle e nem a nossa. Ele que mandou darmos a outra face, reclamou com o soldado que lhe bateu diante de Pilatos “se fiz mal dize-me o que fiz, mas, se só fiz o bem, por que me bates?” (Jo 18,23).

Seu amor era comprometido. Diante da polêmica se devia ou não pagar imposto a César, diz que a Cesar, só o que é de César e que nossa vida não pertence a César, mas a Deus. “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (Mt 22,21). No templo, não pensou duas vezes e expulsou de lá os vendilhões vendedores de sonhos/pesadelos que faziam da casa de Deus um covil de ladrões. Enfrentou a casta religiosa de seu tempo chamando a muitos de hipócritas, fariseus, sepulcros caiados. “Vocês enxergam um cisco no olho do outros mas não conseguem ver uma trave no próprio olho” (Mt 7,3). Questionou a sociedade de seu tempo. Questionou o templo, o império e os poderosos. Por isso foi executado num tribunal de exceção, um tribunal iníquo de juízes vendidos aos poderosos que também influenciavam o povo e o incitava a pedir a morte de Jesus.

O que esperar? Que o deixassem morrer velhinho? Jesus passou a ser intolerável e para os intoleráveis, a morte, a humilhação mais degradante que lhe tira a vida e dispersa os seguidores.

Hoje, temos que afirmar de que lado estamos e se nosso lado coincide com o de Jesus de Nazaré, com o que propõe o Reino. Ainda hoje acirra-se a violência contra os pequenos preferidos de Deus. Ainda hoje o diferente tem sido abatido, a intolerância tem sido ampliada, o ódio tem sido disseminado. Anunciemos o amor e não o ódio, a paz e não a violência, que Deus é maior que nossas convicções e que não se limita às pregações que fazemos d’Ele e sobre Ele. Acreditemos que o travesti agredido nas grandes cidades, é preferido de Jesus.

Como disse a amiga Inamar, “caso você vá a alguma igreja, qualquer que seja ela e encontre uma pregação de ódio, saia, porque você não vai encontrar lá o que procura, Deus”.

É tempo de Páscoa, de renascimento, de vida, de compromisso e precisamos anunciar o amor. A força de Jesus estava na certeza de que Deus o amava e que estava com ele, era um com ele. Por isso relativizou a Cruz e a compreendeu como passagem. Por isso ressuscitou e está vivo no meio de nós!

Que em nossas lutas e missão lembremos sempre de que Deus é conosco e de que o ódio e a morte nunca tiveram e nunca terão a última palavra.

Só o amor vale a pena! Só o amor nos salva! Só o amor nos aproxima de Deus!

Feliz Páscoa!

*Reimont Otoni é Professor, Bancário e Teólogo. Está em seu terceiro mandato de Vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de Janeiro.

 

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