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A pastora Lucimari Alves Barro da Igreja do Evangelho Quadrangular se suicidou, também! Por que?

Julgar não é propósito deste blog nem de seu editor. Mas cada vez que circunstâncias, estruturas ou injustiças esmagam pessoas, oprimindo-as, desconstuindo-as como seres vivos, é nossa missão perguntar pelas causas desses fenômenos.

O suicídio da pastora Lucimar Alves Barros, encontrada enforcada em sua residência em Criciúma, SC, no dia 27/12/17,  é o quarto de lideranças evangélicas  a tomar medidas extremas contra suas vidas.

As causas podem atuar na própria pessoa ou no seu ambiente.

Sabe-se de que “teologias” adotadas por certas igrejas são eivadas de ideologia neoliberal. Isto rompe com o cerne da vida cristã que é a comunhão, tão insistentemente ensinada pelas comunidades primitivas na Palestina tendo Jesus como modelo inarredável.

Ora, em relações de inveja, de ciúmes, de concorrência predatória entre pastores e lideranças são sinais de quebra de comunhão (koinonia em grego). E vice-versa, onde a comunhão é transcendente e transversal nas relações, aqueles desvalores não subsistem.

Muitas vezes a concorrência demolidora ocorre nas próprias famílias dos/as  pastores onde e quando os casais são ordenados.

Na notícia do suicídio de Lucimari, publicada pelo site Gospel, principalmente nos discursos do seu viúvo e de mulheres suas entristecidas e enlutadas colegas se percebe marcas de patologia que fazem sofrer essas lideranças religiosas, que merecem atenção e, quem sabe, até investigação do Estado através do ministério público.

O pastor Sandro Barro usou sua página no Facebook para expressar sua dilacerante dor e para mostrar culpa: “Que momento é esse? É muita dor, Senhor. Me ajuda, meu amigo Espírito Santo… desde os 14 anos de idade nunca amei outra mulher, vc foi para mim um achado, um tesouro que não se mede valor. Seu sorriso sempre foi minha alegria, te amei com todas as minhas forças… desculpa minha linda”.

Ele pede desculpa pelo que? Não deveria se investigar essa relação e o que aconteceu antes do suicídio da pastora?

Sabe-se que nas igrejas há eivado machismo, inclusive mal justificado com textos bíblicos ideológica e deficentemente traduzidos.

Como as redes sociais viraram também confessionário, só que escancarado, algumas almas femininas pastoras expuseram pontas importantes de problemas que merecem investigação, antes que vire epidemia e tragédia de proporções ilimitadas: “Meu coração está dilacerado, pela perda dessa pastora tão amada, tão querida e dedicada a obra, que infelizmente tirou sua própria vida”, afirmou a pastora Aimée Chaves no Facebook.

Que “obra” de igreja é essa capaz de tirar a vida de uma mulher a ela dedicada? O que há por detrás dessa afirmação?

E alertou a pastora Aimée: “Com certeza não fez isso porque era fraca. Muitos de nós pastores andamos muito sozinhos, precisamos de amigos, pessoas pra desabafar, pessoas que não vão expor nossas feridas, mas nos amar e ter misericórdia, amigos para nos orientar e nos entender como ser humano, sem julgamentos, e não apenas olhar para nós como ‘pastores super-heróis’”

Continua a pastora como que a gritar por socorro e a denunciar ambientes religiosos que perderam o senso e o valor humanos, tornando-se estruturas opressoras, desumanas e arcaicas: “Acorda Igreja, vamos parar de julgar, vamos amar mais,  vamos ouvir uns aos outros sem julgamento. Eu passei pela depressão, pensei várias vezes tirar minha vida, mas tive amigos que me sustentaram em oração, amor e fé. Meu coração dói por estarmos como Igreja tão longe dos nossos colegas que precisam de amor, atenção ou só de alguém para os ouvir”.

Racionalizações de que as lideranças religiosas são alvo maior de demônios e potestades malignas, além de superstições e banalizações teológicas, não resolvem os problemas das pessoas eliminadas por algo ruim em que se transformaram muitas igrejas como balcões de negócios e de concorrências capitalistas, tão atrozes e maléficas como o é esse regime decadente,  que precisa ser destruído.

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