Consumismo

A vida miserável que o mercado oferece para os infelizes consumidores

Caríssima Carolina Vilani Pererira Pinto, Itanhaém, SP
Agradeço-lhe por curtir minha postagem na qual trato do ímpeto libertário das mulheres que se desprendem dos laços dos instintos e se deixam tomar pelo amor revolucionário, como escreveu a grande russa Alexandra Mihaylovna Kollontai (leia mais aqui).
Na semana passada li informação de que grandes homens e mulheres gênios amam levar vidas simples e despojadas. Assim viveu o inventor dos telefones Appel, Steves Jobs, que se alimentava com comidas triviais, andava em carros básicos e baratos e se vestia despojadamente com roupas baratas.  Outros empresários empreendedores e ricos no Brasil fazem sua própria refeição com base no cardápio cultural brasileiro como arroz, feijão, bifes, ovos e saladas verdes.
Em contrapartida me deparei com uma entrevista assustadora dada pela advogada Isabella Henriques ao jornalista Marco Weissheimer do site Sul 21. Ela é  diretora de Advocacy do Instituto Alana, organização da sociedade civil criada em 1994 e que desenvolve programas que buscam a garantia de direitos das crianças e de uma vivência plena da infância. .
Isabela aponta para a tragédia à qual o mercado empurra as crianças de até 12 anos, com resultados praticamente sem volta.
O marketing envenena as crianças de tal modo que elas, na ânsia por consumir, sejam agentes infernizadores das vidas de seus pais e familiares.
A frase que serve de título à entrevista é alarmante quanto ao papel sujo e desonesto do mercado capitalista: ‘Mercado procura formar crianças como consumidores eternamente desejantes e insatisfeitos’.
Pior ainda é a situação contraditória relatada por Isabella ao afirmar que muitos donos e funcionários das empresas que envenenam as crianças e as famílias com propagandas bem engenhadas e sedutoras não usam os produtos e se sentem mal com a pressão feita pelo marketing agressivo e ilusório. A entrevistada se socorre da ciência para denunciar esse escândalo capitalista: “A relação da obesidade infantil com a publicidade de alimentos ultraprocessados já foi demonstrada por pesquisas científicas”.
Quer dizer, as crianças, os familiares e os cidadãos são absolutamente vulneráveis em face de agressões das empresas e da mídia, que só visam lucros, sobrando, ao final, pessoas doentes e alienadas socialmente.
A pressão que o mercado exerce sobre as crianças e adolescentes é de tal monta que desvirtua o espírito solidário que marca o comportamento dos pobres das periferias. Dessa forma, iludem-se com o mundo caro que se projetam nos caminhos mais violentos e sem volta para obter os “bens” de consumo que vêm nas mensagens comerciais. Assim informa Isabelle Henriques com base em pesquisas em não em achismos: “Um estudo recente realizado entre adolescentes em conflito com a lei, na Fundação Casa, de São Paulo, mostrou que metade deles estava lá por problemas envolvendo o tráfico de drogas e metade por crimes patrimoniais, ou seja, roubo e furto. As pesquisas também mostram que esses adolescentes entram no tráfico muito por conta do desejo de receber recursos financeiros para poder adquirir uma roupa ou tênis de marca, um boné, uma moto ou outros bens materiais”
Penso que não extrapolo o cerne da entrevista de Isabelle ao afirmar que o mercado, essa face oculta e macabra do capitalismo, esvazia o espírito humano e belo da cidadania para fazer dos membros da sociedade meros consumidores manuseados, sem pensamento, sem inteligência e sem consciência política de direitos e deveres. Nesse ambiente infernal o Estado é nulo com legislação inexistente ou inaplicada e com o judiciário a serviço dos poderosos negócios mercadológicos, jogando as pessoas a esmo e desamparadas.
Seguidamente vejo nos meus alunos jovens que buscam em cursos “superiores” – aspei porque essas faculdades que se esparramam por aí não têm nada de formação superior – apenas atalhos para aprender  a ganhar dinheiro. Não se perguntam sobre os compromissos sociais nem se preocupam com isso.
Dos corredores dos cursos superiores – de todas as áreas – saem pessoas com diplomas nas mãos, mas com orelhas mais alongadas. Tudo o que querem são automóveis novos, luxos e superficialidades encontradas no mercado.
O resultado de tudo isso é o golpe que temos hoje no Brasil. Os cidadãos brasileiros não são formados para a luta e para a construção da cidadania, mas para serem meramente consumidores de quinquilharias que são trocadas rodos os anos por outras mais modernas.
A alma humana grita por sua realização e não pelo que mercado estúpido e desumano oferece.
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2 Comentários

  1. O antigo engano do Ter pelo Ser...
    Desse jeito...

  2. Pura verdade,Dom Orvandil.
    Tenho a infelicidade de compartilhar esta triste realidade nas comunidades da periferia da região metropolitana do Recife,o que não difere das demais e em regioes rurais.É absurdo o que as propagandas televisivas, novelisticas,de redes sociais,incutem na mente dos jovens: o abuso do consumismo apesar da pobreza extrema. E a pobreza, é de conhecimento nao objetificado:o pensamento crítico construtivo e revolucionário.
    O mercado do consumismo consome a alma.

    Que um dia possamos viver para a vida e não para o mercado.

    Abraços críticos e fraternos

    Marly Valentim
    Enfermeira Sanitarista em Recife/ PE

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