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Contradições no discurso da aluna Ana Júlia Pires Ribeiro e as mãos sujas de sangue

Amadinha Ana Júlia Pires Ribeiro, Curitiba, Paraná

Guria linda, teu discurso na Assembleia Legislativa do Paraná constitui-se num suave, belo e esperançoso raio brilhante em meio à escuridão de nossa conjuntura.

Escrevi constitui-se e não constituiu-se porque teu discurso é tempo presente e continuará a falar por muito tempo ao Brasil e ao mundo.

As lágrimas que derramaste foram as das mulheres brasileiras, a chorar o lamentável futuro que Temer quer para os filhos e filhas desta Pátria. Mas também são as das jovens e dos jovens que se sentem projetados para dentro de uma luta nova, com desafios gigantescos contra a demolição dos bens sociais de responsabilidade do Estado e da sociedade, estuprados por aventureiros do mal, muito bem representados pelo traidor Temer e pelo governador do Paraná.

Penso que quando o povo brasileiro te vê pelos vídeos de teu discurso na Assembleia Legislativa do Paraná e no Senado Federal deve se sentir imensamente emocionado com tua delicadeza e aparente fragilidade, por um lado, mas estupefato com o poderio que subiu da tribuna onde discursaste.

No poder das palavras fundamentadas nos conceitos constitucionais do direito à educação, à ocupação das escolas que são públicas, por tanto do povo, teu discurso demarca importantes contradições nesses tempos bicudos. A elas devemos prestar atenção.

No polo afirmação vê-se vida, dinamismo, beleza, luta, organização e aprendizagem política no movimento de vocês. Sem dúvidas, o povo e a Nação necessariamente, como num mar, correm juntos nessa poderosa energia que crescerá e atingirá o poder.

Um dos elementos da afirmação é a retomada das conquistas constitucionais, democráticas e progressistas da Constituinte de 1988.

Sabiamente acentuas que a educação é direito constitucional de vocês e recorres ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para te respaldares.

Recolocar a Constituição Federal no debate e nas mobilizações hoje é ato democrático e progressista, já que ela é alvo de afronta e de destruição pela avalanche golpista que toma conta do Brasil, a começar com a asquerosidade Temer.

Outro sinal de afirmação transparente em tuas falas é o sentido do coletivo. Insistes em dizer que mais importante do que tua genialidade, coragem e desprendimento é o valor “coletivo” do movimento.

Parabéns, Ana Júlia. É isso mesmo, embora tua figura seja luminária de esperança e de inspiração, não somente para a juventude ameaçada pela alienação, mas para todo o povo brasileiro.

Pensar, debater, construir campo de unidade na ação é o maior desafio da luta contra o golpe que tenta recrudescer na ameaça aos direitos sociais nem que tenha que se transformar em uma ditadura de sabor militar.

Disseste que o movimento de vocês é político sim, que tem por bandeira a educação. Disseste que não é ação partidária, mas apartidária.

Isso, o melhor seria dizer suprapartidária para não cair na onda fascista de criminalização política dos partidos, principalmente os comprometidos com o povo.

O movimento estudantil ganha forças e chegará no que antecipaste no teu discurso no Senado: “iremos para as ruas”.  

Vocês retomam a correnteza jovem importante do estraçalhamento da ditadura de 1964. Milhares de jovens se organizaram de muitas maneiras, inclusive em guerrilhas para enfrentar os anos de chumbo. Muitos deles e delas perderam as vidas, mas nunca se omitiram nem se acovardaram, porque se recusaram beber do cálice da alienação.

Portanto, nos seminários, nos círculos de estudos, nos congressos e organizações vocês naturalmente retomam o caudal coletivo de lutas que empurrou aqueles jovens às mudanças e à derrota do nazifascismo. Mesmo sob prisões arbitrárias, torturas e assassinatos jamais se entregaram à preguiça e não se permitiram tragar pela covardia, postura típica dos alienados.

Quanto à contradição esta já se manifestou ao discursares na Assembleia Legislativa do Paraná. Ao afirmares que os deputados tinham as mãos sujas de sangue, denúncia verdadeira, o deputado Ademar Traiano, presidente do PSDB daí e da própria casa Legislativa, portanto maior interessado na destruição da educação pública, reagiu com autoritarismo ameaçando tua liberdade democrática de falar. Ameaçou te tirar da tribuna e de encerrar a seção, como se fosse dono da casa que deveria ser do povo.

Nada mais lógico do que a reação do presidente da Assembleia. Ele é membro do partido de direita que mais destruiu e desossou o Estado Brasileiro. Para o partido dele educação é apenas mercadoria para treinar crianças e jovens para o matadouro chamado mercado. Para o guri de recados de Beto Richa presidir a seção que te acolheu na dita casa do povo foi osso duro de engolir.

Outra gigantesca contradição é a voz da juventude em luta pela educação pública levantar-se exatamente no Estado onde a republiqueta golpista, injusta e sanguinária se sedia com Sérgio Moro.

Daí de onde se emanam decisões “judiciais” que atropelam dignidades, liberdades democráticas, a justiça e a honra da Pátria, na destruição das empresas nacionais e na aniquilação de imagens de lideranças populares é que se levanta o grito de defesa do futuro nacional.

Justamente onde um dos governadores mais impopulares, que odeia com sangue nos dentes a educação e aos professores da rede pública, que joga a polícia composta por desalmados e terroristas pagos com o dinheiro público para bater em professores desarmados e para esmagar direitos à luta, é que tua voz galvaniza a juventude e a sociedade democrática.

A contradição continuará até que a luta mandará para debaixo das camas os covardes que atacam na calada da noite o movimento de vocês, de policiais treinados sob o comando do ódio ao futuro e à democracia, que tentam amedrontá-los, desses filhos de papais fascistas que de tudo fazem para mentir contra vocês e para criar ambiente para privatizar as escolas públicas e fazê-las aparelhos de alienação e de massacre da juventude.

Em nível nacional o movimento estudantil se unirá ao dos professores, ao dos petroleiros, bancários, estudantes universitários, da classe trabalhadora e até mesmo dos iludidos coxinhas, que mesmo sendo trabalhadores se atrapalham pensando que são ricos e incluídos nos ninhos burgueses.

Nem mesmo figuras ridículas, de gestos indefinidos, com penteado de manequim de vitrine, o coxinha senador José Medeiros, uma figura menor e medíocre do Senado, a serviço da reação e da contradição, que mente dizendo que vocês são doutrinados e que o movimento que promovem é somente para fumar maconha, terão o menor sucesso.

Paspalhos como José Medeiros são bons para serem enterrados com os monturos da contradição, que sempre sofre derrotas com a persistência da luta na afirmação democrática, da educação política e da justiça social.

A luta de vocês é árdua, mas bela porque produz conhecimento, levanta pessoas de valor que se expressam com facilidade na síntese da esperança de uma sociedade justa e coordenada por um Estado para todo o povo e livre de golpistas e de egoístas.

O movimento estudantil é parte da grande luta que cresce para livrar o Brasil dos mãos sujas de sangue como alguns dos deputados a quem falaste, dos traidores que votaram na PEC 241 e dos canalhas senadores que votarão na 055.

O sangue dessas mãos é o mesmo da barragem derrubada em Mariana, que matou 19 pessoas, que assassinou rios e desagregou populações inteiras, dos que impõem medidas que sangram os direitos dos trabalhadores e da juventude.

Essas ensanguentadas mãos estão por detrás da morte do estudante Lucas aí de Curitiba e de todas as pessoas que tombam sob a violência, na pobreza e na miséria.

O sangue que vês se despejar das mãos sujas dos deputados de direita, que odeiam a educação pública no Paraná, é o mesmo que escorre dos dentes e mãos dos que na Câmara votaram na PEC assassina e nos senadores canalhas que assoprarão nos olhos do demônio, porque tremem de medo da juventude, também faz correnteza com os atos terroristas das polícias que matam negros, pobres, mulheres e cegam jovens lutadores nas lutas contra o golpe e se avoluma com o reforço do golpe a partir do Planalto, tomando conta do judiciário que manda torturar e desconstruir a juventude e seus sonhos de um Brasil justo. 

Viva a luta contra a PEC que era 241 e agora é no Senado 055.

Viva Ana Júlia Pires Ribeiro. Viva o levante popular e nacional a favor de mais justiça social e contra os lixos que se atravessam nos cursos de água fresca da revolução social.

Fora Temer! Fora Beto Richa! Fora PEC 055! Fora escola sem partido!

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapazbispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
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4 Comentários

  1. Brilhante análise do discurso mais lindo que já ouvi, nestes tempos de trevas! Milhões de Anas Julias se levantam contra as barbáries que o país está vivendo!
    Tenho 66 anos de vida e 40 de luta! Me vi em Ana Júlia nos anos 60, despertando a minha consciência para essa luta, que dura até hoje.
    Confesso que a atitude dessa menina e da juventude que se levanta, reacendeu em mim, uma chama de esperança e energia para continuar. E a luta continua!

  2. […] do fundo da alma o seu comentário aqui no meu blog. Suas palavras são reforço para os gritos proféticos que ecoam nos céus do Brasil. […]

  3. Querido amigo D. Orvandil,
    seu belíssimo texto é um complemento ao discurso de Ana Júlia.
    Foi um alento. mais uma vez, lê-lo.
    Levo-os para debate em minhas aulas de História no 3º ano do Ensino Médio. São aulas prontas.
    Muito obrigado e um grande e fraterno abraço.

    • Obrigado, querido professor Adilton. Na próxima segunda feira sairá um vídeo que gravei comparando a Ana Júlia com a Sofia Macedo, mostrando os mundos de uma jovem inteligente filha do povo e um jovem estúpida gneseológica e ética da elite branca e dominante. Abraços e bom proveito.

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