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Anápolis, a cidade que mais cresce no Brasil

 Professor Edergênio Vieira*

“Para nos libertarmos do preconceito de que o milagre é um fenômeno genuína e exclusivamente religioso, no qual algo sobrenatural e sobre-humano se intromete no desenrolar terrestre dos assuntos humanos ou no desenvolvimento natural, talvez seja conveniente rememorarmos em breves instantes que todo o marco de nossa existência real – a existência da Terra, da vida orgânica sobre ela, a existência do gênero humano – baseia-se numa espécie de milagre”

O trecho relatado acima é ipsis litteris da filósofa alemã Hannah Arent. De fato, o milagre é a explicação coerente com a mitologia cristã, e explica como essa cidade que foi “Edificada sobre as mãos da padroeira”, saiu de um pequeno vilarejo de casebres de adobe, a uma cidade rica e próspera como ela o é hoje.

A cidade sofre com um crescimento que marca, o chamado desenvolvimento (desordenado) das cidades brasileiras. Da vila que nasce do caminho de burros à cidade comparada com a industrial Manchester, no Reino Unido “Anápolis, Anápolis “é” poema de bravura”.

 Anápolis que cidade é essa? A cidade cresceu. Cresceu, porque é um município que tem vocação para o crescimento. Contudo a questão que fica é: estamos crescendo de forma responsável e sustentável? Queremos uma cidade grande, com seus grandes problemas?

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A classe empresarial anapolina, tem trabalhado incansavelmente para implementar a pauta deles, o que eles entendem por desenvolvimento. E o governo municipal, que deve cuidar do bem para coletividade e não somente de um grupo, o dos empresários por exemplo, o que ele (o governo) deve fazer para garantir que outras pautas sejam debatidas? Resposta: Garantir que os serviços públicos (Educação, Saúde, Cultura (ócio), Transporte Público de Qualidade, Trabalho e Renda, Saneamento Básico, Assistência Social (ao mais vulneráveis economicamente) Segurança Pública, Respeito ao Meio Ambiente, a Diversidade Racial, de Gênero, de Orientação Sexual, Religiosa, Política) sejam revertidos àqueles que mais precisam. A escola pública, com instalações novas e modernas, com ótimos profissionais da educação, serve aos mais pobres em especial, e também aos ricos que vivem numa cidade com menos contradições sociais. As contradições sociais geram inúmeros problemas, observem as metrópoles brasileiras: alagamentos, violência extrema, miséria extrema, trânsito caótico… são constantes em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, São Luiz, Maceió, Salvador, e até mesmo Goiânia, a nossa capital do estado.

O Nobel de Economia, o indiano Amartya Sen, foi premiado com a honraria ao mostrar que o desenvolvimento de um país está essencialmente ligado às oportunidades que ele oferece à população de fazer escolhas e exercer sua cidadania. E isso inclui não apenas a garantia dos direitos sociais básicos, citados nos parágrafos acima, bem como respeito a toda e qualquer forma de vida terrestre.  Todos os países que investiram “nas pessoas”, em detrimento do cinza e do concreto, estão experimentando os benefícios de optarem por esse caminho. Anápolis e seus políticos profissionais têm a oportunidade de aprender com o erro das outras cidades, que já passaram pelo período que a cidade está passando, e pode construir experiencia de gestão menos excludentes e mais participativas. Não podemos deixar passar essa chance.

As cidades, tornaram-se sinônimo de modernidade. Berço da inventividade, lugar de todas as classes sociais, dos espetáculos, dos divertimentos. Anápolis não é diferente, aqui a vida fervilha, seja nos parques ou em suas ruelas estreitas com seu tráfego espremido em ruas que mal cabem um carro, ou nas grandes avenidas revitalizadas e modernizadas pelo atual gestor público. Tráfego que provoca fusão e confusão. A cidade é um caos, no qual se combinam ordem e desordem, assim como o Universo.

Nesses 112 anos é preciso repensar a cidade. Pensar a Anápolis que queremos deixar para nossos filhos e netos. Pensar a cidade é pensar o habitante, ou melhor, a pluralidade dos habitantes. Boas experiências não faltam, como em Marinaleda, na Andaluzia, uma cidade autogerida pelos habitantes. Ali se realizam assembleias públicas todas as semanas. Os cidadãos fazem a manutenção das ruas e calçadas gratuitamente todos domingos.

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Uma política comercial autofágica.

Esses exemplos acima provam que é possível sonhar. Anápolis precisa dessas heterotopias e constituindo assim nossos espaços de alteridades.

Sim, devemos comemorar e acreditar no povo que aqui vive. Pois o que a cidade tem de melhor, e de pior também (ambivalente), é o seu povo. Assim como os Ypês que florescem e colorem a cidade nessa época do ano, a cidade floresce. Viva Anápolis, viva os anapolinos, viva a cidade do coração do Brasil.

*É  mestrando em Linguagens e Tecnologia pela (UEG, antiga Uniana) e colunista do Cartas Proféticas.

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