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Artigo retrata Dom Pedro Cassaldáliga como verdadeiro cristão em tempos de trapaceiros, golpistas, mafiosos e vendilhões de Cristo

Li com muito interesse e emoção a resenha que Cecília Figueira fez de dom Pedro Casaldáliga, bispo jubilado de São Félix do Araguaia, MT.

Cecília reuniu testemunhas que conviveram junto, de perto e na própria vida de Dom Pedro.

Na tentativa de ligar os testemunhos na formação de linhas que desenhem o autêntico bispo descalço, se pode ver o próprio Jesus e o que é o cristianismo genuíno na sua mais profunda e inegável radicalidade.Dom Pedro pobre e simples: em contradição ao exibicionismo das igrejas neopentecostais, as da renovação carismática romana, aos poderosos pastores coronéis donos de rebanhos de pessoas cabresteadas, dominadas pelo charlatanismo, pelo assalto aos dízimos, pelo curandeirismo chantagista, pelos chefões de denominações donos de aviões, amigos de governadores, de presidentes corruptos e golpistas, de banqueiros e de empresários poderosos; também aos bispos e cardeais de anéis de pedras preciosas, de mitras costuradas a fios de ouro, a casulas coloridas feitas de tecidos caríssimos importados pela Rota da Seda, de batinas ornamentadas como tesouros dos imperadores da Roma Antiga, o bispo de São Felíx nunca usou anéis, mitras ou casulos esnobes e burgueses.

1. Dom Pedro Casaldáliga calçava chinelos de borracha e de dedos. Nem por isso as missas que celebrava eram despidas de profunda e emocionante espiritualidade.Dom Pedro assumiu o lado dos pobres e dos mais radicalmente sofridos pela perseguição imposta pelos grandes fazendeiros, assassinos, jagunceiros, proprietários rurais ladrões das terras dos pequenos e primeiros donos, de quem tomavam tudo e, quando estes resistiam,  os mandavam matar e jogar seus cadáveres nos rios.

2. Dom Pedro, ao assumir o lado dos pobres também entrou em contradição,  em enorme contradição aos falsos cristãos que se aliam aos poderosos e opressores, que crucificariam Jesus,  hoje.  

Os religiosos relacionados no ponto 1 desta reflexão, sem dúvidas, não guardam nenhuma coerência com o Jesus seguido por Dom Cassaldáliga e  por todas as pessoas que a ele se uniam em busca de uma caminhada justa na construção de uma sociedade sem proprietários e apropriados.

A linha vergonhosa desses religiosos, que desembocam hoje nas bancadas católicas e evangélicas do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, das Câmaras de Vereadores, em muitas prefeituras municipais, em governos dos Estados e na vergonhosa presidência da república, exercida hoje por miliciano, corrupto e inimigo dos pobres, são os que negam o cristianismo de Casaldáliga.

Dom Pedro, ao chegar na boleia de um caminhão em São Félix do Araguaia, depois de viajar 7 dias, desde a viagem original,  fez a necessária opção pela natureza autêntica do cristianismo. Nosso bispo cristão provou que não é verdadeira a afirmação do jornalista Janer Cristaldo, da falecida Folha da Manhã do Correio do Povo em Porto Alegre, que repetidas vezes escrevia que “o ultimo cristão morreu numa cruz no século I”.Outra linha da fotografia de Dom Pedro, construída por Cecília Figueira, no testemunho dado com emoção e sangue nas palavras, é a da violência sem tréguas. Desde sua chegada ao novo campo missionário, para juntar as pessoas para a missão em plena vigência da ditadura imperialista-militar, o projeto foi acossado por perseguições brutais e sanguinárias.

3. Não há ilusões a se esperar quando se faz opção pelos pobres, pelo Cristo do Povo, pelo caminho profético da construção da justiça econômica e social. O lado dos opressores, lá em São Felix composto pelos latifundiários articulados com os bancos, com os extratores de minérios e com a ditadura sanguinária, não contempla de braços cruzados e dando de ombros ao verem-se instigados pela luta pela reforma agrária e pela regulamentação mínima dos direitos dos seus trabalhadores.

Os opressores são necessariamente bandidos, assassinos e muito violentos. Primeiro,  usam dos métodos da calúnia, das fofocas, das cartas anônimas, dos abaixo assinados falsos, das pressões sobre os superiores do bispo e depois avançam na prática do derramamento de sangue como eliminação dos lutadores e como processo de intimidação.

Quantos padres foram arrastados pelos cabelos, outros mortos a tiros, freiras estupradas, já sua chegada Dom Pedro recebeu à porta de seu casebre 4 cadáveres de bebês, como intimidação e humilhação.

A classe dominante é violenta no trato com os trabalhadores desde o pagamento dos salários injustos até a perseguição sem respeito dos que se empenham na defesa dos injustiçados pelos ladrões de direitos. Dom Pedro sabia disso e não fugiu porque sempre foi cristão de verdade.Dom Pedro Casaldáliga, com a única opção dada como certa pelo cristianismo, a pelos pobres, constituiu-se em marca luminosa a milhares e até milhões de pessoas, não somente na vasta região de 300 km quadrados de sua prelazia no Mato Grosso, mas para cristãos e não cristãos em todo o mundo.

4. Não foi a opção pelo luxo e pelo requinte litúrgico,  das vestes episcopais e sacerdotais que o profeta se fez voz do povo, mas por ser fiel ao evangelho.

Nessa condição Dom Pedro não fez acepção de pessoas. Agregou católicos romanos, evangélicos, espíritas, humbandistas e ateus na boa vontade da luta com e pelo povo.

Falta fazem mais cristãos como Dom Pedro Casaldáliga. De líderes que optam pelos pobres e não pelo oportunismo safado dos que se aliam aos ladrões e assassinos da elite dominante. Os  que são a mesma casta dos golpes de Estado e dos inimigos da justiça e da paz.

 Nessa linha não cabem bobagens como afirmar que os pobres são menos favorecidos, descamisados e o essa gente. Não, os pobres são roubados nos salários, na renda, na dignidade e na consciência de luta, já que, como diz Paulo Freire, “seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”.

Dom Pedro nunca traiu o cristianismo, nunca se vendeu, num traiu Jesus nem nunca foi ingênuo com a classe dominante, sempre opressora, sanguinária e inimiga, feita de gente disposta a usar todos os mecanismos para eliminar o povo e os seus aliados.

Acesse abaixo o link para ler a belíssima resenha de Cecília Figueira.

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Se liga no papo;

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Dom Pedro Casaldáliga: Luta e Vida pelos povos da terra, por Cecília Figueira no GGN.

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