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As mulheres entenderam que a luta contra o golpe e o fascismo só se dá com o povo mobilizado nas ruas

Amada Waldirene Gonçalves da Cruz, Secretária Primacial de Ação Social da Igreja Católica Anglicana, em Cametá, PA

Agradeço emocionado pelos constantes informes sobre a grandiosa mobilização que vocês, mulheres da Amazônia,  fazem aí e no Brasil inteiro.

Reitero meu particular orgulho de contá-la como liderança que honra a fé e o cristianismo, essa proposta humana de riqueza de valor indiscutível no que tange à justiça como fruto da compaixão pelos pobres e oprimidos, grande Waldirene.

És o típico modelo do povo brasileiro. Tua antropologia é essa abençoada amálgama das raízes indígenas, quilombolas e negras de nossas mulheres amazônicas. Assim o afirmam teu sotaque paraense de beleza rara, bem como teus cabelos belamente crespos,  obra de nossa cultura única no mundo, com teu rosto arrendondado, moldura de sorriso e alegria nascidos da sentida honraria de ser negra, parda, branca e bronze, experiência indiscritível do modo de ser da mulher brasileira, intensa e aguerrida na luta dos que ardem de amor por uma sociedade que abrigue crianças, adolescentes e jovens como pessoas felizes e não destruídas pelo ódio feito Jair Bolsonaro.

Tenho particular orgulo de ti por tua liderança como sindicalista, como Secretária Primacial da Igreja e como vice presidente do Conselho Executivo Administrativo da Igreja Católica Anglicana.

A experiência alegre, entusiasmada, movida pela energia da luta que, por sua vez energiza ainda mais a força das mulheres,  pontua que vocês são as que mais entenderam o valor, a necessidade e o papel da mobilização popular contra o golpe e contra o fascismo, que Jair Bolsonaro representa.

Com o fascismo não se brinca, se combate.

O combate dessa praga se faz necessário pela força do povo nas ruas, que vocês conseguem mobilizar neste 29/09/18, que ficará para a história.

Vocês mulheres, como companheiras, mães, sogras, avós, trabalhadoras e militantes,  sabem muito bem o significado da vida e de que,  numa conjuntura com o país ameaçado como agora, só se levantando como povo unido é que se pode fazer frente aos ameaçadores e traidores, como Jair Bolsonaro e os golpistas que o contornam, semelhantes às moscas sobre excrementos.

Quem luta sabe o que o fascismo fez,  ameaçando a humanidade de destruição quando agiu carregado de ódio sob todas as formas de preconceito e discriminação, impondo-se pela força militar na Alemanha  da Segunda Guerra, no Brasil, no Uruguai, na Argentina, no Chile, na Bolívia etc, fazendo rios de sangue dos povos, sufocando a liberdade e tiranizando os países controlados pelos macros interesses internacionais.

É isso que Bolsonaro representa nesta conjuntura nacional e internacional. Sua candidatura, esfaqueamento e programa de desgoverno são para submeter o Brasil,  sem ouvir os clamores da dor e da morte do povo brasileiro.

O facínora do ódio não age sozinho nem fala por si somente. Bolsonaro é a voz do fascismo que se incorpora na pereba e delinquente Luiz Fux, que afronta de modo sem vergonha o judiciário brasileiro, caçando a voz do ex presidente Lula, a liberdade de imprensa e os melhores jornalistas de nossa pátria.

O esfaqueado se espraia com seu fascismo para o discurso imbecil e ameaçador do desqualificado vice de sua chapa, o despreparado e traidor general Hamilton Mourão,  que ameaçou o pais de golpe militar e de caçar os mais sagrados direitos da classe trabalhadora.

O fascismo é a loucura abraçada por parte do mercado poderoso neoliberal, que é capaz de lançar mãos do terrorismo e do desiquilíbrio do chorão que ameaça de golpe militar ao não ser eleito, coisa que ele já sabe que não será.

O corrupto que ameaça a ex esposa de fuzilamento, que promete retirar creches de crianças pobres e rebaixar economicamente ainda mais as mulheres brasileiras, não está brincando, querida líder de fé e do  povo.

Jair Bolsonaro é o renascimento do que há de pior já feito pela humanidade.

Essa praga não será combatida e extirpada somente com campanha eleitoral e com as urnas, que já sinalizam ser desfavoráveis ao sacripanta, mas com muita mobilização, com permanente e organizada mobilização, com qualificação, disciplina e educação dos novos quadros de lideranças que o povo mobilizado é capaz de conceber e de parir.

Parabéns a vocês mulheres, querida Waldirene, pela compreensão que faltou às centrais sindicais, aos sindicatos e às lideranças partidárias, que se especializaram somente em fazer campanhas eleitorais e em alianças para exercer o poder.

Enquanto isso,  lobos ferozes como Amilton Mourão, Luiz Fux, Sérgio Moro, Luiz Roberto Barroso, organizações como a Globo, o mercado, este cada vez mais próximo do fascismo e do lobo gigante, o imperialismo internacional, que vem perdendo terreno na Europa e na Ásia, por isso o desespero para engolir o Brasil com tudo o que puder, ameaçam devorar nossos direitos, a nossa democracia e nossas riquezas. Isso não é brinacadeira!

Os delinquentes que nos golpeiam, usando o fascismo, não darão atenção à mobilização deste 29/09/18, mas o povo sim perceberá e se fortalecerá.

Ao se fortalecer nosso povo unido recuperará a Nação e nossos direitos, colocando os facínoras a correr.

Por isso as notícias sobre o grandioso poder de mobilização de vocês, mulheres, é altamente alentador e significativo.

E elas vêm de todo o país. Mostram-se pelos vídeos, pelas fotos, pelas faixas, pelos discursos,  pelo heroísmo de vocês e do povo brasileiro.

Como disse Célia Medina, médica, com quase 70 anos, corintiana, que compareceu ao Largo da Batata em São Paulo com milhares de pessoas concentradas: “Mais do que corintiana, sou da democracia corintiana que representa uma luta importante dos amantes de futebol e de política que, sobretudo, quer um país melhor. Queremos um país de direitos iguais, justo, sem essa distância enorme de classes. Queremos um país com direitos iguais para homens e mulheres. Um país sem o racismo assombroso do Brasil. O contrário disso tudo está representado pelo coiso, pelo #EleNão”, disse aos repórteres Cláudia Motta e Paulo Donizetti da Revista Brasil Atual.

Assim como as mulheres se mobilizaram decisivamente para derrubar a ditadura empresarial-militar, que começou no dia 1º de abril de 1964, com torturadores e assassinos elogiados por Jair Bolsonaro, destruindo vidas e rebaixando o Brasil à condição de antro de corrupção e de bandidos, que foi derrubada em 1985, agora vocês são imprescindíveis novamente para arejar a democracia, expulsar o fascismo, empurrando-o para o esgoto da história e para a construção da paz nacional e mundial.

Abraços críticos e fraternos.

Dom Orvandil, bispo cabano, lanceiro farrapo e republicano.

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2 Comentários

  1. Excelente. carta às. Mulheres da luta.Exclarecedora.

  2. Parabéns pelo texto

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