Associação criminosa

As previsíveis ‘surpresas’ que a associação criminosa mídia-sistema judiciário guardam para o fim de semana

Novembro de 2017 tem sido um mês crucial para dois setores que, desde 2005, mas com maior intensidade a partir de 2013, se associaram por interesses corporativos, políticos e econômicos: a chamada mídia comercial e o sistema judiciário, sendo este composto pelas polícias, ministério público (no âmbito da União e nos estados federados) e poder judiciário, seja na esferafederal, seja nos estados. O farsesco, midiático e até mesmo fraudulento processo e julgamento daAP-470, que os veículos da mídia apelidaram de “mensalão” foi o primeiro ensaio ou tentativa de desestabilização do governo chefiado por um ex-operário, eleito por um partido com origem operária e sindical. A partir desse episódio, iniciado lá nos idos de 2005, com desfecho ardilosamente calculado para as vésperas da eleição municipal de 2012, os veículos da mídia comercial oligopólica e golpista estabeleceram não só um ‘namoro’, mas um compromisso tácito,uma espécie de ‘noivado’ com as três instituições que compõem o sistema judiciário federal, com destaque para a cúpula, sendo elas: Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Supremo Tribunal Federal (STF).

O ano de 2013, quando ocorreria no Brasil a Copa das Confederações, ante-sala dos maiores eventos esportivos que o Brasil sediaria no ano seguinte, com a Copa do Mundo de Futebol, e depois, em 2016, sediando os jogos olímpicos, foi escolhido para selar um pacto de sangue, um ‘casamento’ indissolúvel, entre a mídia oligopólica, golpista e antinacionalista e o MPF. Naquele ano já estava madura a cooptação do sistema judiciário brasileiro pelas agências e departamentos de espionagem dos EUA, dentre elas a NSA, a NRO, a CIA, o FBI e o DoJ/DEA. Grupos econômicos estadunidenses, como os liderados pelos irmãos Koch, já haviam disseminado em terras brasileiras diversas ONGs e cooptado grupos de jovens, sobretudo por meio da internet e das chamadas ‘redes sociais digitais’. Já na era dos governos neoliberais e FHC o FBI atuava com desenvoltura e já havia não só cooptado, mas “comprado” a PF brasileira, como mostrado na edição 283 da revista Carta Capital, com data de capa de 24 de março de 2004.

As chamadas ‘jornadas e junho de 2013’ nada mais foram que o lançamento das sementes do golpe em terreno fértil; a pauta das ‘manifestações’, que alegavam ser o direito ao passe livre para estudantes ou protesto contra os aumentos das tarifas do transporte público e reivindicação de melhoria nos serviços públicos, foi mudada para protestos conta PEC-37. A maioria dos incautos que foi usada como massa de manobra sequer tinha idéia do que era a PEC-37, mas a mídia oligopólica e golpista e o MPF se valeram daquelas manifestações para impedir que o Congresso Nacional colocasse limites e freios na atuação do Ministério Público. A PEC-37 visava delimitar com clareza o campo de ação e as atribuições, tanto da PF como do MPF. Se aprovada a PEC-37, não seria possível a associação mafiosa entre PF, MPF e Judiciário, a qual deu origem à chamada  “Operação Lava a Jato”, que no discurso dos procuradores, delegados e juízes é para “combate a corrupção sistêmica”, mas que na prática se mostra uma Organização Criminosa Institucional, com claros propósitos político-partidários, para derrubar um governo legítimo e criminalizar, aniquilar e proscrever um partido político, o PT, e todo um espectro político, o da Esquerda; essa ORCRIM segue os ditames de um alto comando internacional, que fica nos EUA.

A investida dos EUA para derrubar a Presidenta Dilma Rousseff é corolário de ações que já haviam sido iniciadas em 2010, quando a Petrobrás anunciou a descoberta do Pré-Sal e divulgou informações sobre reservas prováveis e medidas, atestando não só a viabilidade da extração como a qualidade do petróleo encontrado. O período entre 2010 e 2013 foi o da preparação do golpe; durante esse tempo os EUA espionaram empresas e o governo brasileiro. Em 2013 Edward Snowden, analista de sistemas que trabalhou como contratado da CIA, revelou ao mundo, com provas documentais, que as agências e departamentos dos EUA, como a NSA, espionavam empresas e governos, dentre eles o do Brasil e o da Alemanha. Alguns analistas tentaram minimizar tal revelação bombástica, alegando que países como Rússia, EUA e Inglaterra sempre espionaram uns aos outros, mas tal argumentação não convence nem diminui o impacto das revelações, pois pela primeira vez alguém que trabalhou numa agência de inteligência e espionagem apresentou provas documentais e irrefutáveis desse procedimento invasivo e atentatório contra os interesse de países e contra a soberania deles.

O papel decisivo da ORCRIM “Lava a Jato” no golpe de Estado, no desmonte do Brasil e no entreguismo de nossos setores e riquezas estratégicas é hoje bem conhecido e está sendo estudado, analisado, dissecado e desmascarado não só pelos veículos que praticam jornalismo independente e progressista na internet como por vários acadêmicos e profissionais das áreas jurídica, das ciências sociais, políticas, econômicas e históricas. A fascistização, a revogação de direitos, a repressão aos movimentos sociais e reivindicatórios, o sucateamento e privatização dos serviços públicos, a volta da semi-escravidão com o desmonte dos direitos trabalhistas, tudo isso não ocorre por acaso, mas faz parte da trama e da agenda dos golpistas.

Desde que foi deflagrada a chamada “Operação Lava a Jato”, nunca tive dúvidas de que se tratava de um ORCRIM institucional; essa ORCRIM se associou a outra, a midiática, aumentando seu poder destrutivo e de cometer crimes em série, com a garantia da impunidade para os integrantes de ambas. A Fraude a Jato não teria o sucesso e a repercussão que se observam se não fosse a associação criminosa com o oligopólio da mídia golpista e esta não teria pauta pronta e gratuita, com audiência garantida, se não fosse abastecida pelos ilegais e criminosos vazamentos de informações sobre inquéritos, investigações e processos que, em tese, deveriam ser sigilosos. Além do MP, a principal fonte dos vazamentos ilegais (portanto criminosos), a PF e o próprio Poder Judiciário, por meio de “juízes” com Sérgio Moro, abasteceram e continuam a abastecer o oligopólio midiático com informações acerca de investigações e processos cujo sigilo deveria ser obedecido.

Neste mês de novembro as ORCRIMs Fraude a Jato e midiática intensificaram seus laços e esforços, visando tirar o foco das denúncias que atingem o grupo Globo e a Rede Globo de Televisão, ex-diretores e parceiros desse grupo de comunicação, dirigentes e cartolas do futebol que foram ou são parceiros dos donos e diretores da Globo. As denúncias atingem toda a cúpula do grupo Globo de Comunicação e correm nos EUA, onde o FBI mantém presos alguns cartolas do futebol, dentre eles J. Hawilla – dono de afiliadas da Globo no interior de SP e da Traffic, empresa de marketing esportivo – e José Maria Marín, ex-presidente da CBF e parceiro da Globo. O argentino e ex-cartola do futebol, Alejandro Burzaco, fez acusações graves, apresentando provas de que a Globo pagou propinas para adquirir direitos de transmissão de eventos esportivos promovidos pela FIFA, pela CBF e pela CONMEBOL. Investigações paralelas, que ocorrem na França, na Suíça e noutros países europeus também indicam a participação da Globo e de cartolas da CBF, como Ricardo Teixeira, em diversos esquemas, visando sonegar impostos, evadir divisas ou obter exclusividade ou vantagens econômicas na transmissão de eventos futebolísticos. A ORCRIM fraude a Jato também está sendo colocada em xeque; o advogado Rodrigo Tacla Durán, que prestou serviços à Construtora Norberto Odebrecht, hoje residindo na Espanha, não aceitou as chantagens que lhe faziam os procuradores lavajateiros, propondo a ele a celebração de um acordo de delação premiada, mediante o pagamento de R$15 milhões, desde que Durán assumisse a culpa por crimes que ele diz não ter cometido e incriminasse pessoas que os lavajateiros pretendem condenar, por razões políticas.

Rodrigo. Tacla Durán, que presta depoimento por meio de vídeo conferência à CPMI da JBS, marcado para esta quinta-feira, 30 de novembro de 2017, já mostrou que possui provas muito robustas das gravíssimas acusações que ele fez sobre a atuação de alguns procuradores da Fraude a Jato e alguns advogados, dentre eles Carlos Zucollotto Jr., amigo íntimo e padrinho de casamento do “juiz” Sérgio Moro. Durán já mostrou que os procuradores lavajateiros falsificaram provas, fraudaram documentos, tais como extratos bancários, os quais foram usados para embasar denúncias contra algumas lideranças políticas; ele diz também que possui provas de que Zucollotto lhe pediu propina, para intermediar um acordo de delação premiada menos oneroso com os procuradores lavajateiros. Rodrigo Durán revelou que os lavajateiros lhe pediam R$15 milhões, mas que por intermédio de Zucollotto a cifra poderia cair para R$ 10 milhões, desde que metade desse valor, R$ 5 milhões, fossem pagos por fora, ou seja, na forma de propina, para que Zucollotto pudesse dividir com procuradores e juiz lavajateiros.

A gravidade das acusações que faz Rodrigo Tacla Durán, com as provas que ele já demonstrou possuir e promete apresentar em depoimento à CPMI, se feitas num país em que vigorasse o Estado de Direito Democrático, seriam suficientes não só para destituir do serviço público toda a equipe de procuradores e juízes da “Lava a Jato”, como para ensejar a prisão preventiva e imediata de todos eles.

Pelo exposto compreende-se que a investida do braço fluminense da ORCRIM lavajateira contra deputados do PMDB e ex-governadores é uma estratégia para ofuscar as revelações explosivas que Rodrigo Tacla Durán pode fazer, no depoimento que prestará à CPMI da JBS. O desespero dos lavajateiros é tão grande que, em parceria com a cúpula do judiciário estadual e federal, aceitaram fazer associação criminosa com TV Globo, instalando câmeras nas celas em que se encontram presos ex-governadores e suas esposas; isso é crime e tanto o MPF como o poder judiciário sabem disso. Por ser cometido por agentes do Estado, obrigados a respeitar, cumprir, fiscalizar o cumprimento e aplicar a Lei, tal crime é doloso, com agravantes. A invasão da privacidade dos presos, ainda mais quando sequer foram julgados e condenados em última instância, é crime; não há qualquer interesse público em expor a imagem de presos à execração e linchamento por parte das maltas e matilhas manipuladas e cegadas pelo oligopólio da mídi golpista.

Com o mesmo objetivo de desviar o foco das ilegalidades e crimes que seus integrantes vêm cometendo de forma continuada e contumaz, a Fraude a Jato se nega a cumprir a Lei e a CF/1988, ao negar desbloqueio dos bens do Ex-Presidente Lula e ao tentar enredar os filhos dele como se tivessem praticado alguma ação ilícita. O cinismo e o mau-caratismo dos desembargadores do TRF4 não conseguem enganar nem mesmo uma criança de 8 anos. Também não é por acaso que na última semana a PGR nomeada pelo quadrilheiro Michel Temer, Raquel Dodge, pediu a condenação da senadora Gleise Hoffmann e do marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo, à prisão, exigindo deles o pagamento de multa de R$ 4 milhões, além de pedir a cassação do mandato de Gleise; Dodge fez tudo isso sem que conseguisse apresentar na denúncia uma mísera prova das acusações, mostrando que, assim como antecessor, a atual PGR está de corpo e alma mergulhada no golpismo e nos crimes de Estado que caracterizam a atuação de Rodrigo Janot e de toda a ORCRIM lavajateira.

A cereja do bolo, a mais previsível das ‘surpresas’ reservada pela ORCRIM Fraude a Jato, na tentativa de ofuscar ou minimizar a repercussão bombástica que pode ter o depoimento de Rodrigo Tacla Durán é o juiz’ Sérgio moro decretar a prisão do Ex-Ministro José Dirceu entre o dia de hoje, 29 de novembro de 2017, e o dia 1º de dezembro, uma sexta-feira, quando algumas revistas fecham sua edição. A negativa aos embargos de declaração apresentados pela defesa de José Dirceu, há poucos dias, assim como o aumento da pena a que ele foi condenado, de injustificáveis 21 anos para surreais 41 anos, são tentativas de aniquilar o grande formulador e gênio político da Esquerda e uma estratégia de ocultar do grande público os graves, continuados e contumazes crimes que vêm sendo cometidos pelos integrantes do sistema judiciário brasileiro.

Alguns ainda chamam de sofisticada a trama golpista, sobretudo as ações calculadas da ORCRIM lavajateira, mas todas elas são bastante previsíveis e seguem uma lógica bem elementar.

Rio de Janeiro, 29 de novembro de 2017

João de Paiva Andrade.

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Um Comentário

  1. NÃO ME CURO…PADEÇO INCURÁVEL.
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/12/01/nao-me-curo-padeco-incuravel/


    ...Esperança não há. Fé não há. Sofrimento profundo em águas rasas. Águas rasas que ainda assim afogam. Águas rasas que ainda assim sufocam. Rasas como é raso  o meu ser. Raso que tenta ser razoável.

    Esperança não há. Fé não há. Sofrimento profundo em águas rasas. Pestes nefastas sem a indulgência concedida e até mesmo sem a indulgência vendida. Sem piedade, sem amor, sem nada....

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