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As tais “vozes das ruas” são os ruídos golpistas

Caro teólogo Adonias Pereira do Lago, São José do Rio Preto, SP

A convocação para as “grandes” manifestações de ruas no dia 04 de dezembro se deu com estardalhaço entorno do mote “estamos com o saco cheio dos políticos”.

A frase aparenta ter força de agitação para a mobilização,  no entanto não funcionou porque é falsa, mentirosa e de má fé.

A falsidade está no conceito distorcido propositadamente pela direita e pelo fascismo, principalmente quando mistura os termos “política” e “classe”. O grito coxinha contra a “classe política” é pura aberração.

Não existem os políticos e muito menos a classe política.

Políticos somos todos os cidadãos desde que Aristóteles, confirmado por santo Tomás de Quino,  definiu a politicidade como parte da natureza e da essência humanas.

Não há na sociedade humana uns mais e outros menos políticos, muito menos classe política.

Na condição de seres políticos somos instados por necessidades e pela capacidade racional a nos organizarmos em grupos e em vida institucional, desembocando no Estado, que nos assegura direitos e deveres na participação da construção da vida em nossas cidades – lugares reais e dimensionais de nossas vidas – e o País, com todas as condições para desenvolvermos nossa essência humana, a sociabilidade deliberadamente cultivada  nas comunidades e organizações.

Então não existe classe política, o que há, desde Marx sabemos, são classes dominante e dominada.

Os que são destacados através de eleições para exercer cargos eletivos legislativos (como vereadores, deputados estaduais e federais e senadores) e executivos (prefeitos, governadores e presidente da república)  o são a partir da base política fundamental que é o povo, de quem emana todo o poder, como reza nossa Carta Magna, no seu artigo primeiro, parágrafo único, “que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

O poder emana do povo dividido em classes tensas e conflitantes nas relações econômicas e políticas.

Ora, o poder é contaminado pelos interesses de classes e é isso que os galinhas verdes coxinhas e classe dominante escamoteiam de propósito.

Não são “os políticos” abstratos nas instâncias do Estado tripartite (legislativo, judiciário e executivo), mas a classe dominante concreta, golpista e suja que é culpada por essa crise no Brasil.

Quando os ensandecidos saem pelas ruas gritando “fora Renan”  e “fora Maia”, blindando Temer e seu bando corrupto, como aconteceu no dia 04 de dezembro, o fizeram para proteger os golpistas sujos que sequestram o Estado e baniram a democracia. Totalmente patrocinados pelos banqueiros, pela classe dominante nacional e internacional.

A resposta de Renan Calheiros foi imediata ao sinalizar tirar da pauta o projeto de lei anticorrupção, incluindo funcionários públicos, policiais, promotores e juízes quando abusam do poder.

Para quem enxerga a realidade sem a viseira que a mídia enfia nos olhos da sociedade é perceptível a luta de classes com a elite poupando os golpistas e jogando sobre o Congresso as culpas da crise criada com o assalto ao poder, não mais emanado do povo, mas do golpe de Estado, este com as rédeas presas nas mãos dos endinheirados que só querem lucros e que o povo excluído da base e das motivações do poder se lasque.

Desde as ruas os branquelos e puxa sacos da elite clamam até pelo retorno dos militares no endurecimento do golpe, que toma contornos políticos, econômicos e sociais graves com a pec do teto dos gastos.

Os que gritavam há poucos meses “somos todos Cunha”, “somos Bolsonaro” e bem antes esguichavam “somos todos Joaquim Barbosa”, sem credibilidade por tanta troca de ídolos, todos de pés de barros bem enlameados na sujeira do assalto aos cofres públicos e do fascismo, agora berram “somos todos Sérgio Moro”, o super homem dos fracos e analfabetos políticos.

As tais vozes mentirosas das ruas são puro embuste e arranjo para golpear ainda mais o Brasil, já imerso em abusos do poder retirado do povo, que já o tinha pouco.

Tanto foi assim que a Globo colocou no ar em seus telejornais mentirosos e golpistas nada mais e nada menos que o bufão ruralista e escravocrata Ronaldo Caiado, senador por Goiás, do partido sujo e golpista, o DEM, vulgo “demo”, para dizer que as “vozes das ruas” pressionaram” – é notória a perda de credibilidade de Aécio Neves, que não é mais porta voz da Globo e seus órgãos cruzados –  para que fosse retirada da pauta do Senado o debate e votação do projeto de lei que pune por abuso de poder.

No centro das mobilizações fracassadas dos gatos pongados de coxinhas ignaros posta-se o moleque da republiqueta de Curitiba e pau mandado do imperialismo, Sérgio Moro, o messias da direita brasileira e um dos mobilizadores das manifestações histéricas do dia 4.

A galera ignominiosa do “fora Dilma”, do “fora Lula e leva junto o PT”, dos assassinos do Fidel Castro já falecido é fazer Moro presidente do Brasil, no mais fantástico abuso do poder, bem mais expressivo em relação a todos os que ele, seus promotores e delegados da lava jato praticam todos os dias, para o gozo da plateia fascista.

Se no campo econômico o golpe encomendado e pago pela elite rentista brasileira se aplica fundo no estrangulamento dos direitos populares, no político é a de ver Sérgio Moro numa aventura semelhante ou pior do que aconteceu com Jânio Quadros e com Fernando Collor de Mello. A claque quer Moro, com sua aprovação e incentivo indireto, candidato a presidente em 2018.

A nós outros da classe dominada, esguelhados pelos abusos de poder por parte da elite eminentemente mau caráter e golpista, cabe-nos a mobilização organizada, aquela que para Renan, para a Globo, para o temeroso e medroso de vaias e para os reacionários atuantes, não é vozes das ruas e desnudar e descontruir mais esse boneco inflável, fraco politica e socialmente e traidor da soberania nacional.

O cientista político, social, historiador e pesquisador Moniz Bandeira, morando e trabalhando na Alemanha, numa longa entrevista ao Jornal do Brasil (aqui) diz qual é o papel e os objetivos de Sérgio Moro na destruição do nosso País: “Há evidências, diretas e indiretas, de que os Estados Unidos influíram e encorajaram a lawfare, a guerra jurídica para promover a mudança do regime no Brasil. O juiz de primeira instância Sérgio Moro, condutor do processo contra a Petrobras e contra as grandes construtoras nacionais, preparou-se, em 2007, em cursos promovidos pelo Departamento de Estado. Em 2008, ele participou de um programa especial de treinamento na Escola de Direito de Harvard, em conjunto com sua colega Gisele Lemke. E, em outubro de 2009, participou da conferência regional sobre “Illicit Financial Crimes”, promovida no Rio de Janeiro pela Embaixada dos Estados Unidos.”

 O advogado australiano Geoffrey Robertson, uma das maiores autoridades em Direitos Humanos do mundo,  deu uma palestra na PUC, em São Paulo, na noite desta segunda-feira 5, em que afirmou que Sérgio Moro é “um juiz parcial e que busca auto-promoção”.

Continuando,  Robertsom disse que “para mim, Moro é uma figura perigosíssima. Na Itália, por exemplo, [Silvio] Berlusconi, que deveria ser condenado, escapou da justiça. É perigoso quando juízes e promotores se tornam perseguidores”, exemplificou com a operação mãos limpas que desembocou em mais corrupção e quebra da Itália, como o boneco dos coxinhas quer fazer no Brasil (leia mais aqui e assista o vídeo com a palestra de Geoffrey).

O senhor Sérgio Moro desde há tempo mostra indisfarçavelmente sua preferência partidária pela direita corrupta do espectro político brasileiro. Tirou fotos em eventos com João Dória, prefeito eleito de São Paulo do PSDB, mesmo partido da família de Moro.

O deboche desse senhor chegou ao ponto de ele fazer palestra em evento do governador do PSDB em Cuiabá, Mato Grosso, na noite de 5 de novembro. Lá elogiou desavergonhadamente um deputado tucano denunciado de roubar dinheiro da Secretaria da Educação daquele Estado (veja nota aqui).

Isso tudo é sequência de toda a trama como delinquente, que exerce o cargo de juiz de primeira instância na republiqueta de Curitiba, pratica desde, no mínimo, a campanha eleitoral de 2014 com delegados e promotores abastecendo o comando de Aécio Neves  com vazamentos, com o objetivo de influenciar o resultado eleitoral. Ninguém medianamente bem informado e ético ignora  o quanto aquele senador é criminoso envolvido em dezenas de crimes de lesa Pátria,  denunciados por delatores para o próprio Sérgio Moro (a lista é gigantesca como se pode relembrar aqui).

Os laços de ligação de Moro com a parcialidade subterrânea com o crime burguês é indiscutível e não pode deixar de despertar indignação na polpa mais nobre da política brasileira, que é o nosso povo. A foto acima de Moro e Aécio em risos e celebrações diabólicas é testemunha inconteste desta relação parcial, partidária, política e criminosa. 

Esse é o tal juiz que se notabiliza como justiceiro anticorrupção, graças a Globo, ao mercado e ao imperialismo.

Como diz o advogado australiano Geoffrey Robertson, juiz parcial não tem condições de ser juiz.

Sérgio Moro e o ministério público são eloquentemente os maiores exemplos de abuso de poder. Com isso a sua lava jato se desacredita e não vale nada para ajudar o Brasil. Pelo contrário. Os milhares de desempregados e empresas quebradas que o digam.

Por isso são contra o projeto de lei que pune abusos de poder.

Reitero que a única forma de nos libertarmos dos abusadores do poder, dos que pisam no povo, a  única fonte por excelência do poder, é pela democracia que retomaremos dos golpistas e por uma reforma política que elimine definitivamente as raízes da corrupção capitalista, Isso não é tarefa para moleques e juizinhos parciais de primeira instância nem para histéricos gritando frases feitas e infantis contra a corrupção.

Isso não é pessoal, é politica, essência da natureza humana e tem a ver com todo o povo, portanto comigo e contigo, também.

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
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Um Comentário

  1. […] Fonte: As tais “vozes das ruas” são os ruídos golpistas – CartaS e ReflexõeS ProféticaS […]

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