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Até as escolas e faculdades particulares são engolidas pela crise do capitalismo: estudantes sumiram!

Cartas Proféticas - Por Dom Orvandil.

Lembro-me dos anos finais dos governos sociaisdemocratas de Lula-Dilma, como me recordo do começo, com a injeção de dinheiro os programas de inclusão, principalmente escolares.

Um diretor de uma faculdade me pediu para acompanhá-lo às salas de aula para ver as salas abarrotadas até aos tetos de jovens de olhos iluminados, muitos há anos sem estudar, agora felizes pelo retorno aos bancos escolares.

Claro, para as escolas particulares de todos os níveis tudo alegrava pelo sentido mercadológico contábil do dinheiro que tilintava nas tesourarias e não pelo amor à educação.

Prédios nasceram como gramas,  fazendo sorrir os mercadores do ensino. Reformas das salas e dos prédios fizeram a alegria  de pedreiros de uma economia não planejada e em constante crise,  com balões enganadores a voar sobre as cabeças vazias de falta projeto para o campo educacional e político do país.

No interior das instituições grandes e também das de fundo de quintal o ringue heterofágico de professores, coordenadores e estudantes virou briga de foice no escuro.

Com o ingresso de muita gente,  os maus caráteres, os gladiadores de si mesmos, os picaretas que só usam as pessoas como massa de manobra para seus interesses, não importa as áreas do conhecimento nem os títulos, incharam as ditas instituições particulares de pessoas de espírito e comportamento fratricidas.  Nos anos 2014 já pintavam os abraços de ursos por parte de professores e estudantes, ornamentados de hipocrisia e mau caráter na relação desonesta e despida de lealdade de classe com colegas, abraçando com os braços,  mas de punhal nos bolsos para cravar em quem fingiam abraçar com afeto.

Grupos de estudantes covardes se atropelaram nas salas de coordenações para difamar, desgastar, humilhar  e demitir as melhores pessoas, as mais estudiosas e consagradas à formação da juventude. Coordenadores  neoliberais e pusilânimes se aliançaram com direções, eivadas de puxa saquismo,  no afã da matança geral de vocações docentes.

Vi inúmeros abaixo assinados elaborados por estudantes pelas costas de profissionais, sem diálogo e respeito,  pedindo suas cabeças, sem nenhuma consideração pela dedicação e famílias desses/as trabalhadores/as.

Donos/as dessas instituições geralmente escolhiam para as coordenações não as pessoas mais capacitadas intelectual e eticamente para cuidar da educação, mas as puxa sacos, as pegajosas, as caluniadoras e inimigas da educação.

Soube de um coordenador de uma dessas faculdades  que se possessa quando um/a colega é estimado/a e amado/a pelos estudantes,  graças à sua consagração e entrega total à educação,  ao perceber o crescimento do tipo que germina vontade de estudar nas pessoas,  ele sempre dá um jeito de levá-lo ao cadafalso da demissão.

Amigos/as meus/minhas do SINPRO  me contam sobre a desumanidade e perversidade que grassam nas tais instituições particulares. Os patrões não agem como educadores, mas como vampiros a arrancar o sangue quente e vivo de professores/as e funcionários das escolas.

Numa certa vez disse a um amigo da direção do sindicato: “ah, mas o dono de tal faculdade é evangélico, o outro é padre ortodoxo, outra é de freiras e outra ainda é de padres. Eles são cristãos e, certamente, são os que mais se aproximam da idéia de a justiça no respeito aos trabalhadores”.

Ele riu, corado: “não se diferenciam em nada dos outros que fazem da educação mero produto comercial”. São todos opressores e sugadores de tudo o que podem, arrancando a saúde e a energia de quem os enriquece, como quaisquer donos dos meios de produção.

Outro dia fiz uma palestra sobre ética profissional num desses institutos, que virou gaiola de moscas, e passei por uma faculdade de gente que enriqueceu sugando professores/as e estudantes, agora silenciosa e no escuro sem “clientela”, como chamam aos explorados e saqueados alunos.

Pois é, o que se vê? Nada além de um abismo escuro que engole pilantras e joga excelentes profissionais educadores na miséria e na síndrome de  Burnout e a estudantes novamente nas trevas da ignorância intelectual e do analfabetismo funcional, que infesta e golpeia nosso país.

No meio desse caos vem uma  reportagem do jornalista Bruno Alfano, publicada no jornal O Globo, avisar o óbvio. “Escolas privadas no Brasil perderam quase um terço (27%) de seus alunos de ensino médio comparando 2014 a 2018. Isso corresponde a 351 mil estudantes a menos. A avaliação de representantes do setor é que existe um conjunto de fatores que causa essa queda. Eles passam por crise econômica agravada em 2015, abertura de institutos federais de educação a partir de 2013, Prouni e o salto no valor da mensalidade”, feita pelo jornalista Bruno Alfano.

O triste é que esses antros em se transformaram as instituições de ensino foram compostos por apoiadores do neoliberalismo e muitos até fizeram campanha para Aécio Neves em 2104. Trabalhei numa faculdade de um padre que era amigo do governador mais corrupto e bandido do Estado de Goiás. O diretor geral dele era ‘estadunidenseidólatra’, embevecido pelos argumentos fúteis e superficiais do capitalismo.

Então, aí está a crise orgânica do capitalismo decadente. Esses servidores do caos ajudaram a capilarizar  essa sujeira entre seus professores e alunos.

Agora nem anéis nem os dedos. O que resta a este bando de analfabetos políticos e funcionais ‘titulados’ é caos e a decadência.

Imersos nas trevas da imbecilidade ainda choram trocando alhos por bugalhos:

“— Fomos muito prejudicados em dois momentos. Primeiro com a lei do Prouni (que oferece bolsas em faculdades privadas), no começo da década, que só é destinada a alunos que fizeram o ensino médio na rede pública, o que não acho correto. O outro foi a proliferação dos institutos federais de educação, onde os alunos encontram um ensino com qualidade parecida e de graça — chora o inapetente Ademar Batista Pereira, presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe) nacional.

Desgraçados, ignorantes e egoístas!

Temos que buscar cada vez mais a verdade sobre todas as tragédias do assassinato econômico, intelectual e acadêmico do ensino, que também é direito dos pobres, por mais que isso doa.

A verdade sobre a desgraça neoliberal,  que se abate também sobre a educação, é necessária como elemento de tomada de consciência na rebelião para derrubar o sistema mercadológico dominante.

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