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Bispos e cardeais se manifestam e se mobilizam contra a reforma da previdência imposta pelo mercado e por Bolsonaro

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, da Igreja Católica Romana, historicamente caminha em ziguezague  entre o conservadorismo de direita e o amor ao próximo.

Metade dos bispos e cardeais apoiou o golpe impatriótico e criminoso empresarial-militar de 1º de abril de 1964. Pressionados pelas marchas heréticas e nazifascistas, uma a chamada “Marcha com Deus pela liberdade”, “quem reza unido permanece unido”  e outras do mesmo quilate golpista se uniram aos golpistas ou se omitiram em face do discurso ante comunista e contra a corrupção.

Em 2016, agora pressionada pelos grupos reacionários da “renovação carismática”, da “canção nova”, da TFP, da Opus Dei e outros fundamentalistas, que beiram ao discurso neopentecostal evangelicóide, feito de oportunistas agarrados ao poder como as bancadas evangélica e da Bíblia, a CNBB hereticamente tomou duas posições estranhas e inaceitáveis em contradição ao período histórico de sua luta para derrubar a ditadura de torturadores, assassinos e nazifascistas, com bispos e cardeais que se notabilizaram  pelo apoio às pastores sociais, à teologia da libertação e à luta contra a repressão, que resultou em reforço para desmantelar o Estado terrorista da ditadura: uma das atitudes neste golpe de Estado, que passou pelo vampirão Mi$chel Temer,  foi a inaceitável a visita de dom Odilo e de dom Orani a Temer para abençoar a PEC que castrou os investimentos sociais do Estado brasileiro e, a outra,  foi a omissão diante da barbárie deste último golpe e das eleições que desembocaram na vergonhosa vitória do charlatanismo, da  corrupção e do ódio com Jair Bolsonaro.

Porém, agora a CNBB resgata a postura profética das décadas de 70 a 90, quando efetivamente ajudou a acossar e a derrubar a ditadura assassina e terrorista, a mesma que Jair Bolsonaro deseja comemorar agora.

O manifesto do Conselho Permanente da CNBB puxa a Igreja Católica Romana mais para próximo do povo e ao Papa Francisco, contra as correntes neofascistas-fundamentalistas que dominam amplos setores institucionais daquela, como escolas, universidades, tvs, rádios, jornais, dioceses, arquidioceses etc.

O Cartas Proféticas, cujo editor conviveu intimamente com a CNBB e dela recebeu profunda solidariedade durante suas prisões e julgamentos no Tribunal Militar, verdadeiro órgão inquisitorial, de Santa Maria, RS, saúda com alegria a nota profética do Conselho da CNBB.

Ao mencionar o profeta Isaias a nota acentua a necessidade de que o povo se liberte das amarras opressoras que o atual governo fake news, sob o comando do mercado e do imperialismo,  usa para massacrar o povo brasileiro.

Certamente a CNBB tem consciência da miséria ética e política do atual Congresso Nacional, cuja maioria de parlamentares se elegeu na esteira do discurso fascista e das técnicas fake news. Mesmo assim apela para que o parlamento abra o debate com a sociedade com respeito à dita reforma de previdência.

Tal apelo é de enorme valor. Se os deputados, as deputadas, os senadores e senadoras  não ouvirem o clamor do sofrimento popular o povo poderá ouvir a conclamação e reforçar as manifestações e a preparação da greve geral daqui para frente.

O trecho empolgante da mensagem do Conselho é o que se refere à realidade atual e de quem a Igreja deve defender.  “Ao se manifestar sobre estas e outras questões que dizem respeito à realidade político-social do Brasil, a Igreja o faz na defesa dos pobres e excluídos. Trata-se de um apelo da espiritualidade cristã, da ética social e do compromisso de toda a sociedade com a construção do bem comum e com a defesa do Estado Democrático de Direito”, diz o manifesto.

Leia abaixo a íntegra da “Mensagem do Conselho Permanente da CNBB.

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MENSAGEM DO CONSELHO PERMANENTE DA CNBB

“Serás libertado pelo direito e pela justiça” (cf. Is 1,27)

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília-DF nos dias 26 a 28 de março de 2019, assistidos pela graça de Deus, acompanhados pela oração da Igreja e fortalecidos pelo apoio das comunidades eclesiais, esforçamo-nos por cumprir nossa missão profética de pastores no anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo e na denúncia de acontecimentos e situações que se opõem ao Reino de Deus.

A missão da Igreja, que nasce do Evangelho e se alimenta da Eucaristia, orienta-se também pela Doutrina Social da Igreja. Esta missão é perene e visa ao bem dos filhos e filhas de Deus, especialmente, dos mais pobres e vulneráveis, como nos exorta o próprio Cristo: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes pequeninos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Por isso, nosso olhar se volta constantemente para a realidade do país, preocupados com propostas e encaminhamentos políticos que ameacem a vida e a dignidade dos pequenos e pobres.

Dentre nossas atuais preocupações, destaca-se a reforma da Previdência – PEC 06/2019 – apresentada pelo Governo para debate e aprovação no Congresso Nacional. Reafirmamos que “o sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade…), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores ético-sociais e solidários” (Nota da CNBB, março/2017).

Reconhecemos que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, adequado à Seguridade Social. Alertamos, no entanto, que as mudanças contidas na PEC 06/2019 sacrificam os mais pobres, penalizam as mulheres e os trabalhadores rurais, punem as pessoas com deficiência e geram desânimo quanto à seguridade social, sobretudo, nos desempregados e nas gerações mais jovens. O discurso de que a reforma corta privilégios precisa deixar claro quais são esses privilégios, quem os possui e qual é a quota de sacrifício dos privilegiados, bem como a forma de combater a sonegação e de cobrar os devedores da Previdência Social. A conta da transição do atual regime para o regime de capitalização, proposto pela reforma, não pode ser paga pelos pobres. Consideramos grave o fato de a PEC 06/2019 transferir da Constituição para leis complementares regras previdenciárias como idades de concessão, carências, formas de cálculo de valores e reajustes, promovendo desconstruções da Constituição Cidadã (1988).

Fazemos um apelo ao Congresso Nacional que favoreça o debate público sobre esta proposta de reforma da Previdência que incide na vida de todos os brasileiros. Conclamamos as comunidades eclesiais e as organizações da sociedade civil a participarem ativamente desse debate para que, no diálogo, defendam os direitos constitucionais que garantem a cidadania para todos.

Ao se manifestar sobre estas e outras questões que dizem respeito à realidade político-social do Brasil, a Igreja o faz na defesa dos pobres e excluídos. Trata-se de um apelo da espiritualidade cristã, da ética social e do compromisso de toda a sociedade com a construção do bem comum e com a defesa do Estado Democrático de Direito.

O tempo quaresmal, vivido na prática da oração, do jejum e da caridade, nos leva para a Páscoa que garante a vitória, em Jesus, sobre os sofrimentos e aflições. Anima-nos a esperança que vem de Cristo e de sua cruz, como ensina o papa Francisco: “O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal” (Evangelii Gaudium, 85).

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, interceda por todos os brasileiros e brasileiras!

Cardeal Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília

Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger

Arcebispo de São Salvador

Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário-Geral da CNBB

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