bolsonaro racista

Bolsonaro é denunciado à justiça por racismo e ódio

Amigo e empresário Ariel Peres Jr., Natal, Rio Grande do Norte

Meu querido amigo, tenho orgulho de ti. Recordo-me muito bem de ti quando eras guri lá em Uruguaiana, RS,  no início e metade da década de 70.

Uma vez te visitei no trabalho que fazias num escritório e te encontrei tímido e reservado. Nossa conversa não fluiu muito talvez porque se tratava de um ambiente de trabalho onde outras pessoas, minhas desconhecidas, atuavam. Naquela oportunidade aprendi contigo que espaço de trabalho não é apropriado para vista pastoral. Funciona mal para todos. A partir daquela experiência nunca mais visitei ninguém em seu espaço de produção.

Contudo, sinto enorme orgulho de ti pelas posições que tomas em relação ao Brasil, ao golpe de Estado e ao massacre dos nossos direitos. Alegro-me por saber-te no lado certo, como convêm a pessoas inteligentes, sábias e comprometidas com o Brasil e não somente com a sobrevivência.

Numa conjuntura como a nossa irrompem invariavelmente as pessoas de bem e de luta e as do mal e da guerra, que elimina os diferentes e os mais injustiçados.

Neste caso se alinha com êxito decadente o “seo” Jair Messias Bolsonaro, ainda deputado federal mal representando o belo povo carioca.

Bolsonaro é auto candidato à presidência da república, cuja candidatura é assumida por fanáticos, analfabetos políticos e neonazistas.

A ideologia por ele esposada representa ameaça à democracia, ao Estado laico e à história rica e multicultural que forma nosso povo brasileiro.

Pois ele se topa agora com uma pessoa de bem, uma grande mulher, que o arrastará aos tribunais por causa de seu discurso feito aos judeus  sionistas do Clube Hebraica no Rio de Janeiro, onde ofendeu os quilombolas, indígenas, negros, pobres, deficientes físicos e a democracia (revê aqui).

Enquanto o maníaco do ódio discursava pessoas de bem, fora do clube lotado por risonhos e ignorantes que o convidaram, mulheres, jovens e adultos protestavam baseados na história dos verdadeiros judeus libertários do êxodo contra Faraó,  os perseguidos pelo nazismo de Hitler e os atuais amigos dos palestinos.

Ontem, sexta-feira (7/4), a doutora Deborah Duprat, procuradora federal dos Direitos do Cidadão, encaminhou ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, representação contra o deputado federal Jair Messias Bolsonaro, em razão de afirmações feitas por ocasião de palestra realizada no Clube Hebraica no Rio de Janeiro, no último dia 3.

É verdade que Rodrigo Janot se  mostra traidor da justiça, da democracia e da soberania nacional, agindo seletiva e discriminatoriamente contra um lado da opinião política e na proteção do outro, composto de notáveis corruptos e conservadores inimigos dos direitos humanos. Mas o ato da denúncia, que eu chamo de brado profético, tem o dom de erguer os postulados constitucionais de uma Constituição afrontosamente ameaçada pelos golpistas, que sublinha a multiculturalidade e a diversidade em todos os sentidos. Também é educativa socialmente no sentido de que a justiça não se cinge a instituições judiciais, mas perpassa a consciência e a ação de quem se coloca do lado certo, como a doutora Deborah.

Algumas frases da representação dessa grande irmã do povo brasileiro são eloquentes e grávidas do senso de justiça. Atuando na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão a doutora Deborah Duprat não tem dúvidas sobre a ambiguidade na prática do crime. Há intenção clara de discriminar e desrespeitar a população negra, em especial os remanescentes de quilombos. “É possível afirmar, sem medo de errar, que o discurso de Bolsonaro constitui a forma clássica, típica, emblemática, do preconceito racial e étnico, que se expressa sem amarras e sem dissimulações”, escreve a PFDC.

Então, meu querido Arielzinho, é preciso destacar a coragem e a disposição de quem não se deixa intimidar, ensurdecer, cegar e engolir pela borrasca neofacista que se despeja na sociedade nesse momento.

A doutora Deborah é uma mulher que simboliza um luzeiro de esperança, que merece nossa solidariedade e nosso apoio nesta denúncia, que desmascara o obcecado pelo ódio e também mexe na máscara do judiciário, que fala grosso contra os injustiçados e fino com os poderosos e corruptos.

Sou um realista que crê no movimento eterno da realidade, onde nada é para sempre nem mesmo o mais assustador criminoso, que se ampara na barbárie destrutiva de seres humanos, para falar aos estúpidos e egoístas que se divertem com a injustiça.

A esperança na luta se fortalece com a coragem da doutora Deborah Dubrat. Aleluia!

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
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3 Comentários

  1. "O beabá do machismo brasileiro: O crime bárbaro na praia de Boa Viagem e a necessidade de aprender, no currículo básico, a disciplina 'educação sentimental do homem'. E a bancada evangélica ainda celebrando retirada de questão de gênero de base curricular num apelo à barbárie do quanto mais ignorância e culpa obscura melhor para os exploradores e abusadores! O domínio do OBSCURANTISMO!

  2. […] Fonte: Bolsonaro é denunciado à justiça por racismo e ódio – CartaS e ReflexõeS ProféticaS […]

  3. Envolto em um lamaçal de ódios, Bolsonaro mostra a essêncial do mal: discriminação! De certo que essa cria da intolerância é um capitão do mato! Seus alvos são as minorias, é um psicopata!

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