bolsonaro_reprovado

Bolsonaro está reprovado

Edergênio Vieira*

O pai da psicanálise, Sigmund Freud,  já advertia que há três profissões do impossível: A clínica (nesse caso Freud falava da Psicanálise), a Política e a Docência. O alemão tinha razão, com isso,  caro leitor dessa breviloquente missiva, saiba que tenho por seu ofício e até por você,  que vive de ócio, o mais profundo respeito e estima. Todos os ofícios são de uma importância tremenda e é nossa missão respeitá-los. Feitas as ressalvas, vamos aos fatos e às interpretações dos fatos. Não falarei aqui nem da Psicanálise e nem da Política, ainda que as duas estarão presentes nas reflexões. No caso tratarei da Docência, do estar e ser Professor. Ser Professor é,  sem dúvida, a profissão do impossível. Pois é algo impossível ensinar a alguém. Ninguém aprende aquilo que não esteja já propenso a aprender. O professor é aquele que,  dentre inúmeras questões de extrema complexidade,  aponta cenários possíveis para o aprendizado. O professor é um pesquisador que tem como objetivo da sua pesquisa evidenciar como se deu o percurso daquela pesquisa, além, é claro, de problematizar questões, divulgar saberes e apresentar políticas públicas como resultados de suas pesquisas. Assim como os filósofos do período pré-socrático, o Professor é aquele que vive a educação. Não a vive especificamente dentro das paredes da escola. Ainda que os nossos Professores estejam a maioria nas escolas, nós não deixamos de ser Professores tão somente porque deixamos a “sala de aula”, o Professor é aquele que estuda, pesquisa, compartilha, escuta, debate, contribui para o desenvolvimento da educação. Por isso tudo nem mesmo nas merecidas férias  o Professor deixa de ser o que ele é: Professor.

Estamos em julho, para alguns estados brasileiros é o período de férias escolares, para outros apenas recesso escolar. Mas mesmo assim, nós Professores não deixamos de ser Professores. Somos casados com esta profissão tão nobre e importante. Até dormindo temos sonhos escolares, que fariam Freud se revirar no túmulo, se ainda restasse algum fragmento visível das moléculas de carbono que compunham o corpo dele. É com esse olhar de Professor que devemos observar o desempenho do aluno Bolsonaro nesses 200 dias de governo. Duzentos dias é um número emblemático para nós Professores. Só nos sabemos o que são 200 dias. Só quem é professor sabe a simbologia do número 200 nas nossas vidas profissionais. Pois bem, é depois desses 200 dias do aluno Bolsonaro, que enquanto Professores poderíamos dizer: Você está REPROVADO, em vermelho e com letras garrafais, caps lock ou na língua de Machado mesmo, em caixa alta.

A nota de Bolsonaro é de 42, uma média baixa para escola pública brasileira, para você que não está habituado com esses números, veja bem, em Anápolis a média exigida é 50 pontos. Na Universidade, então, Bolsonaro estaria longe dos 70 exigidos como nota mínima para aprovação. O aproveitamento do aluno Bolsonaro é de 15 pontos apenas. Esses números estão na recente pesquisa divulgada ontem (dia 19 de julho de 2019), pelo movimento Todos pela Educação em parceira com a Idea Big Data, com abrangência nacional os números são o retrato científico da educação brasileira no governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro. Uma pequena ressalva, 60% dos entrevistados avaliam a educação brasileira como ruim ou péssima, e apenas 10% a consideram regular ou boa. Óbvio que esse retrato de decadência da qualidade do ensino não é obra do Bolsonaro, tem mão da socialdemocracia do governo FHC, e tem mãos da socialdemocracia do governo de esquerda do Partido dos Trabalhadores de Lula e Dilma. Mas uma coisa é certa, a educação pública no Brasil piorou ou, melhor,  retrocedeu nos seis primeiros meses do governo de extrema-direita. Não pelos números educacionais, resultado das avaliações do sistema Saeb, (que ainda não saíram) que são duvidosos e que não podem ser usados como único critério para aferição de qualidade educacional, mas sim pelas pautas trazidas pelos radicais da direita brasileira. A população brasileira reprova Bolsonaro pela chicana promovida nesses 6 meses. Os brasileiros dizem não à filmagem do Professor em sala de aula; são contra o discurso mentiroso da “doutrinação”; são contra focar o ensino em escolas militares e condenam o ensino domiciliar. Bem, isso tudo acima, leitor, foi por isso tudo que o aluno Bolsonaro tirou 42 pontos, e o fez reprovar de ano letivo. 2019 já acabou, ao menos na educação, para o senhor Bolsonaro. Ele foi REPROVADO.

Como professor recomendo aos próximos gestores e atuais que observem, leiam, reflitam, perguntem, pesquisem, discutam, ouçam e concretizem temas como valorização salarial, condições de trabalho, formação, estabilidade, aperfeiçoamento e qualidade de vida do Professor. Investimento na educação básica prioritariamente, mas em esquecer a Academia, nenhum país se desenvolve sem pesquisa, especialmente na educação. O governo federal é o que menos entende de educação básica, um dos inúmeros fatores que os impedem de entender a educação básica é a distância que eles lá estão daqui, ou lá do chão da escola. Cada professor brasileiro sabe de cor (de coração) as reais necessidades da educação e como melhorá-la. Infelizmente não é só o Bolsonaro que foi reprovado, são muitas “autoridades brasileiras” reprovadas ou, no mínimo,  de recuperação. 2020 já começou, estudem.

Ps. Convido-os a lerem a pesquisa, mas só se vocês quiseram, no link abaixo:Pesquisa Ideia Big Data aponta que 58% reprovam atuação de Bolsonaro na Educação | Revista Fórum

É mestrando em Linguagens e Tecnologias pela Universidade Estadual de Goiás e colunista do Cartas Proféticas.

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