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BRASIL 1 X 8 ALEMANHA

 Edergênio Vieira*

O grande Mauro Filho, espetacular cronista brasileiro, já dizia “O Futebol nos explica”. De acordo com o nome civil do Maracanã, localizado no bairro de mesmo nome, na cidade do Rio de Janeiro, se ao alemão cabia a disciplina, aos ingleses o espírito mercantil, e aos franceses a Jolie de vivre e o amor, e a liberdade burguesa, caberia ao Brasil ser explicado por algo. Uma partícula microscópica, como pensou um dia Demócrito. Para o filosófico grego, pré-socrático que viveu por volta dos anos 450 a. C.  tudo que existe é formado por uma infinidade de “pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna, imutável e indivisível”. Os pré-socráticos tinham como pensamento a ideia de ruptura com o conhecimento místico e passam a propor formas racionais e logicas de dedução. Demócrito obviamente muito antes das lentes ópticas dos microscópios de hoje já falava do átomo.  Átomo significa indivisível. De fato, o filósofo acertou, lá naquele momento sincrônico que hoje se torna diacrônico. Atualmente graças ao pensamento filosófico de Demócrito nos sabemos que são 7 as partículas descobertas, até agora obviamente, que explicam cientificamente tudo que é vivo nessa terra. São elas Neutrino, Elétron, Quarks, Glúon, Bósons da força fraca, Fóton e Gráviton. Assim como Demócrito buscou explicar tudo a partir do átomo, é também possível um  exercício filosófico para tentar explicar o Brasil, ou minúscula parte do país. Aliás será que o Brasil quer ser explicado? Ou o Brasil que temos não quer ser explicado? Então com a devida licença filosófica, muitos cientistas sociais, antropólogos, linguistas, psicanalistas tentam explicar esse país, de contradições sociais enormes. Tanto o idealismo alemão de Hegel e o historicismo cientifico de Ranke apontam para afirmação de que povos que não conseguem formar identidades nacionais constituídas por meio das relações sociais e de produção, cultural, psicologia, histórica dentre outras, não desempenham qualquer papel na história. Aqui falo de história hegemônica e não histórias dos povos de forma múltipla. Pois bem, é isso que afirma o professor Carlos Teixeira da Silva, na orelha do livro de Mauro Filho “O negro no futebol brasileiro”.

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Concordo com o professor Carlos Teixeira e digo “O futebol nos explica”. A nossa relação com esporte bretão é intensa, de esporte da elite burguesa carioca, à patrimônio nacional. Pouca gente sabe, mas o futebol foi patenteado pelos ingleses, e vendido as econômicas nacionais como esporte de distração da elite. Aqui e no mundo, acredito que o futebol seja o entretenimento mais vendido ao povo. E o futebol e a presença de Bolsonaro, representante da extrema-direita brasileira no poder, nos estádios de futebol, explica muita coisa. Ainda que tenham surgido vaias, e uma posição política de Tite e Marquinhos, no geral Bolsonaro passa bem pelo teste de arquibancada. Quem consome futebol da seleção de futebol masculino, nas novas arenas pós copa de 2014, são pessoas que possuem um nível salarial um pouco acima da média de trabalhadores brasileiros.

A recente pesquisa do DataFolha sobre a popularidade do presidente é significativa disso tudo. Bolsonaro tem a aprovação dos mais ricos da sociedade brasileira. O site porta-voz da extrema direita brasileira O Antagonista, comemorou assim a aprovação do capitão da reserva: “Uma pesquisa do DataFolha divulgada nesta segunda-feira aponta um salto de 11 pontos da aprovação do presidente Jair Bolsonaro na parcela mais rica da população brasileira.” 52% dos mais ricos avaliam o governo dele, como ótimo ou boa. Ricos para o DataFolha é quem ganha mais de dez salários mínimos. Algo em torno de mais de R$ 10, mil. Bolsonaro é o pai dos ricos, ao contrário da demagogia de Vargas que era o pai dos pobres. Duas figuras ignóbeis da democracia brasileira.  Ainda nessa linha, o governo Bolsonaro é melhor avaliado entre os mais escolarizados. Isso será assunto do próximo texto sobre a universidade brasileira. Por hora durmam “esquerdistas” com um barulho desse. Bolsonaro é melhor avaliado por aqueles que já estiveram sentados nos bancos das faculdades e também universidades, públicas por sinal.

Nesse ínterim, a deusa Eco, a mais belas das ninfas gregas,  fez ressoar o discurso da extrema-direita brasileira capitaneada por Bolsonaro e seu “Aerococa” aos ouvidos do estado de Bem Estar Social Europeu, ou o que resta dele. Gerd Müller, o Ministro da Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha esteve no Brasil. Ameaçou retirar R$ 3,4 bilhões de reais do Fundo da Amazônia, administrado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o mesmo BNDES que sofre ingerência politica desde a época em que foi criado. Organizações não governamentais, as famosos Ongs esquerdistas que Bolsonaro tanto vocifera são os principais depositários dos bilhões do fundo. Mas qual o motivo da visita do alemão? Veio marcar mais um gol. O placar agora é Brasil 1 x 8 Alemanha. Gerd Müller não gostou da ideia de transferências dos recursos do fundo para o Agronegócio brasileiro. Pelo visto o Agro não é Pop. Na agenda o alemão cobrou ainda uma política ambiental que respeitem os direitos dos povos das florestas, além de toda a sua biodiversidade. Pelo visto a vergonha não acaba. Golllll da Alemanha. 

*É mestrando em Linguagem e Tecnologia pela UEG, Colunista do Cartas Proféticas.

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