1º de maio

Café numa padaria popular e o dia dos trabalhadores

Prezado amigo Capitão Luis Ferando Sousa, Santa Cruz, RS

Agradeço efusivamente o contato do amigo e, sobretudo, por sua lealdade à classe trabalhadora. Gostei de seu blog com trabalho dirigido aos militares. Parabéns.

No dia 26 de abril deste ano retornei ao Banco de Olhos aqui em Goiânia para revisão das cirurgias que fiz nos olhos.

Às 6h30m, depois de apanhar a senha para atendimento, dirigi-me a uma padaria “povão”, próxima da clínica. Ao entrar percebi que um trabalhador fazia um discurso contra Lula e Dilma.

Enquanto aguardei o café com pão dei atenção ao discurso todo composto de material fornecido pela Globo e pelo guri de recados da direita, aquele da república da cloaca de Curitiba, o moleque do imperialismo,  Sérgio Moro.

Depois de observá-lo por alguns minutos percebi que não se tratava de pessoa de má fé nem de um marginal agressivo. Também notei que o ambiente não lhe era totalmente favorável. As pessoas o escutavam de olhos voltados para o chão, por pura consideração por ele.

Seguro de que não seria agredido, à moda de Sócrates aproximei-me respeitosamente do orador vazio de verdades. Coloquei minha mão direita sobre o seu obro esquerdo e lhe disse:

– companheiro, escutei-o por alguns instantes aqui enquanto bebo meu café. Já percebi que o senhor é um trabalhador e um homem honrado, tanto que está aqui a essa hora, momento em que somente os trabalhadores circulam pelo mundo. 

Bondosamente ele me respondeu:

– sim, sou trabalhador. Sou padeiro e forneço os pães para meus amigos aqui, donos dessa padaria.

Então lhe falei:

– então me permita lhe dizer respeitosamente que o discurso que o amigo faz não é o de sua classe, mas o da classe dominante, o da Globo, o do Aécio, o do exterminador do Brasil, Sérgio Moro e da elite neoliberal.

– Eu? Eu não vejo esses caras, respondeu-me.

– pois é, mas o senhor faz o discurso deles, disse-lhe eu respeitosamente.

Senão vejamos, pergunto-lhe:

– o senhor disse que Lula é o maior ladrão do Brasil. Certo? Então me diga quais as provas que o senhor tem para afirmar isso? Mostre-me as provas,  convença-me e serei seu companheiro para denunciá-lo. Porque, como o senhor, abomino o roubo contra os pobres.

O trabalhador honestamente me respondeu que não tinha prova nenhuma, mas que a mídia diz e mostra todos os dias que ele é ladrão.

Então lhe perguntei de quem é a Rede Globo, a quem serve Sérgio Moro, o que ele sabe sobre o golpe de Estado dado no Brasil, quem o promoveu e porque razões.

Em se tratando de uma pessoa honesta, mas desinformada, sentindo muita vergonha, baixou a cabeça e se retirou da padaria, silencioso. O grupo aumentou depois de nosso embate, todos aplaudindo nossa conversa e, aliviados, disseram que são eleitores de Lula, afirmando que votarão nele novamente porque não acreditam nas mentiras que dizem contra ele.

Pois bem, meu amigo, Capitão Luiz Fernando, hoje é dia dos trabalhadores. Dia glorioso!

Apesar de muitas lideranças sindicais afirmarem que os trabalhadores não têm nada a comemorar, hoje, neste dia 1º de maio, temos muito a celebrar no pós vitoriosa greve geral do dia 28 de abril.

Comemoramos a unidade da classe trabalhadora. Unidade de ação no essencial para derrotar o golpe de Estado na perspectiva neoliberal de destruição dos direitos dos trabalhadores e na destruição da própria classe operária e suas ferramentas de luta na construção de uma sociedade mais justa.

Este dia 1º de maio é consagrado justamente ao marco fincado na história por uma greve geral que os trabalhadores de Chicago impuseram aos patrões e poderosos dos Estados Unidos, como já escrevi aqui.

De nossa greve geral tiraremos lições: 1. A unidade trouxe de volta para o estuário da luta milhões de trabalhadores que foram capturados pela burguesia de má fé e neoliberal, inimiga dos direitos sociais. Com alegria e emoção vi sobre o palanque móvel aqui em Goiânia centrais sindicais e lideranças que votaram contra sua classe, hoje de volta a defender os direitos de quem trabalha. O mesmo aconteceu em todo o País. Aleluia! 2. O resgate do discurso que, como seta com mira correta, denuncia o golpe, os golpistas e a traição praticada pelo desgorverno “deformista” da Constituição, da CLT e dos direitos do trabalho; que denuncia o parlamento cheio de chacais e lacaios do capital, deputados e senadores comprados e traidores da Pátria, prontos a servir a destruição de direitos, da encomia nacional e do judiciário apodrecido, que vê os trabalhadores como inimigos. 3. A consciência de que esta greve geral é uma alavanca apenas, que não é o movimento completo de mudanças. É preciso muita luta e unidade entre os trabalhadores,  de aliança profunda e indestrutível com a sociedade e com a Nação brasileira. Há muito trabalho a fazermos para alcançarmos patamar mais intenso e rico para as mudanças, que transcendem em muito as eleições. Em 2018, antes ou depois temos que avançar bem mais do que conquistamos com Lula e Dilma. Temos que curar o Brasil do câncer dos golpes, extirpando dentre nós os fungos que assassinam a democracia, os direitos do povo e do Brasil no cumprimento de sua missão no mundo.

Daqui a pouco me dirigirei à Praça dos Trabalhadores aqui em Goiânia, onde há apenas um espaço vazio, porque o mais belo monumento em homenagem aos trabalhadores foi derrubado e destruído pela ditadura imperialista-civil-militar, que com ódio armado massacrou a classe operária.

Viva os mártires dos trabalhadores de Chicago, assassinados pela aliança governo burguês-policial-mídia-judiciário, mas que com seu sangue irrigaram o solo do mundo com as sementes revolucionárias!

Viva os trabalhadores brasileiros e nosso povo, que percebe as mentiras e manobras dos golpistas!

Viva 1º de maio de 2017!

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da  Diocese Anglicana Centro Oeste e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
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2 Comentários

  1. […] Fonte: Café numa padaria popular e o dia dos trabalhadores – CartaS e ReflexõeS ProféticaS […]

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