Karina Gregório

Carta à uma jovem professora sonhadora

Prezada professora Karina Gregório, São Paulo, SP

Vibrei com a noticia sobre o seu sonho realizado depois de muito esperar, de lutar e conseguir formar-se em curso superior, graças a uma bolsa de estudos.

Sua narrativa sobre passar muitas vezes à frente da universidade onde cursou pedagogia e para lá sentia-se “puxada” ao pensar nela estudar,  mas era obstaculizada pelo peso das mensalidades, comove quem sabe o quanto é difícil para os pobres e trabalhadores estudarem.

Milhões de jovens brasileiros sonham estudar. Milhões são inteligentes. Milhões são donos de mentes brilhantes, tão maravilhosamente complexas como o é a da cara professora.

Durante mais de uma década muitos deles, filhos de pedreiros, de faxineiras, de garis, marcados pelo racismo e pela pobreza conseguiram adentrar nas universidades, alavancados por programas sociais, que não foram doações de ninguém,  mas frutos das pressões e das lutas de comunidades pelo Brasil a dentro.

Por curto espeço de tempo chegou-se a falar num tal de “passaporte para o futuro”, graças aos 75% dos royalties do pré sal para a educação.

As escolas públicas e privadas se tomaram por debates e estudos sobre inclusão, racismo, machismo, igualdade de gênero, religiões afrodescendentes, direitos sociais,  cidadania, saúde, família solidária, conflitos de classes, direitos humanos e qualidade de vida. Eu mesmo dei muitas aulas e fiz palestras em escolas e universidades com jovens lotando auditórios e corredores, movidos por muito interesse social e político.

Até que caiu sobre nós o golpe de Estado,  sufocando tudo isso,  impondo um projeto fascista denominado de “escola sem partido”.

Vivemos sob esse estigma maldito e mentiroso.

Maldito porque partiu de mentes tomadas pelo mercado, pelo conservadorismo, pelo senso golpista, pela máfia fascista de investigados do governo usurpador de Michel Temer.

O autointitulado ministro da educação (com todas as letras minúsculas porque ele é ética e intelectualmente minúsculo), Mendonça Filho, foi o leitor  do impeachment da tribuna da Câmara, que golpeou a democracia, a soberania nacional e todos os nossos direitos, inclusive o da educação com investimento do Estado. O tal Mendoncinha (apelido bem apropriado pelo diminutivo) ganhou o ministério de educação como prémio pelos serviços prestados à direita em sua ânsia golpista.

Depois o Mendoncinha, inspirado por Alexandre Frota, autoritariamente vomitou a ”escola sem partido”, uma verdadeira mentira empurrada goela abaixo do Brasil.  Na verdade, trata-se da escola do partido do mercado, dos ruralistas, que usam os grãos como negócios e não como alimentação, dos do partido entreguista, usurpadores do bem do subsolo que sustentaria a educação da juventude e do futuro do Brasil. O Mendoncinha jogou sobre nós a escola do partido dos fundamentalistas plenos de convicções sem provas e sem ciência, de puro preconceito e de ódio.

Felizmente, jovem professora Karina, nem o Mendoncinha nem o charlatão Temer nem o mercado golpista nem o imperialismo assassino e produtor de guerras arrasa humanidade, para as quais envia os jovens, conseguirão impedir os sonhos de jovens como a colega e como milhões de outros brasileiros e brasileiras que não se deixarão enrolar pelos opressores, velhacos e golpistas a serviço do que há de pior nos atentados à liberdade de sonhar, de construir direitos e de mudar o mundo para os caminhos mais justos.

A notícia sobre a realização dessa sua primeira etapa acadêmica informa de sua decisão de prosseguir buscando pós-graduação em psicologia da educação e em neurociência.

Palmas emocionadas e sinceras por enxergar longe à frente e se dispor a estudar as bases da educação com maior profundidade. Nessa declaração de intensão se percebe sua inteligência, que supera a mentirosa e farsante “escola sem partido”.

Estude sempre, professora. Estude e avance bem mais profundamente do que as espumas do fazer superficial do cotidiano de sala de aula, no cumprimento fatigante,  rotineiro e sem inteligência de currículos escolares, de objetivos vazios, de planos e programas autoritários, sem relação com as realidades conflitivas e duras dos alunos e das alunas atingidos/as pelas crises geradas pelo capitalismo, acentuadas pelo golpe judicial parlamentar e pelos lixos do tipo “escola sem partido”.

Estude os textos fartos dos cursos de pós-graduações, desde os que buscará em 2018, passando pelo mestrado, pelo doutorado e pelos pós-doutorados.

Sonhe e avance pelos caminhos da prática e se robusteça alimentando-se  nas fontes dos sonhos de sua  mente brilhante, sempre focada no amor ao Brasil, à democracia e ao próximo,  na suas fantásticas e desafiadoras diferenças. .

Abraços críticos à imbecilidade que invade o ensino  conservador e excludente, mas  abraços fraternos a quem sonha educadoramente e luta pela educação  revolucionária.

Dom Orvandil

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2 Comentários

  1. È Professora linda hein!! parabéns!

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