apro-2

Carta aberta à querida procuradora do doutor Sérgio Moro

A “dona” querida procuradora da lava  jato do “seo” Sérgio Moro,  a senhora Isabel Cristina Groba Vieira, faltou com o respeito ao ex presente Lula, este sim doutor honoris causa inúmeras vezes, porque o interrgado, incapaz de odiar, só porque colocou afeto ao responder as perguntas chatas e mentirosas que a turma da casa grande lhe faziam, exigiu ser chamada de “doutora” ou senhora procuradora.

De forma inteligente, culta e competente o jornalista e escritor Osvaldo Bertolino escreveu no seu blog carta aberta à “querida” Isabel Cristina Groba Vieira.

Na carta Osvaldo esclarece à arrogante e mimada da casa grande e ao seu juiz Sérgio Moro qual é o seu mundo e à qual pertence Lula, que é o mesmo nosso da senzala, dos excluídos, dos perseguidos pelo judiciário dos ricos, o mesmo que dá suporte aos golpistas, aos poderosos e aos carniceiros internacionais, que devoram nossas carnes enquanto roubam nossas riquezas.

Leia abixo a carta aberta do querido companheiro Osvaldo Bertolino.

Ajude-nos a romper as barreiras das manipulações e mentiras da mídia comercial. Colabore com o blog Cartas Proféticas. 


Carta aberta à querida procuradora do doutor Sérgio Moro

Querida Isabel Cristina Groba Vieira:

Tomo a liberdade de lhe chamar de “querida”, ressalvando que com todo respeito, assim como fez o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva no interrogatório do doutor Sérgio Moro. Quero apenas lhe dizer que somos brasileiros de outra categoria, não nos importamos com esses detalhes. Tanto que Lula acatou imediatamente o pedido do juiz, um perfeito representante da sua laia, para que lhe chamasse de “doutora”, ou “senhora procuradora”.

Querida, você me fez lembrar do juiz Antônio Merreiros, de São Gonçalo (RJ), que em 2005 entrou na Justiça exigindo ser tratado por “senhor” ou “doutor” pelos porteiros do prédio onde morava e ganhou a causa. Se um porteiro tivesse a pachorra de chamá-lo de “você”, teria de pagar multa de cem salários mínimos. Não sei o resultado do processo, mas o relevante é que Merreiros (doutor Merreiros, desculpem) teria dito: “Doutor é uma palavra que significa pessoa formada e é assim que quero ser chamado.”

Antes de comentar o sentido da notícia, preciso esclarecer, embora sucintamente, o conceito de “doutor”. Não para você, querida, que, do alto da sua arrogância, sabe muito bem disso. Segundo o doutor Cláudio Moreno, do site Sua Língua, só pode ser chamado assim aquele que cumpriu as etapas constantes no curso de doutorado, incluindo a defesa de uma tese original diante de uma banca composta por cinco outros doutores. Fora do mundo acadêmico, ainda segundo o doutor Cláudio Moreno, são também chamados de “doutores” os médicos e os advogados. Isso deve ser resquício do ensino colonial, diz ele, quando os jovens brasileiros abonados iam à Europa estudar medicina ou direito.

Em um ambiente em que historicamente pouca coisa acontece sem a marca da discriminação social, “doutor” também é qualquer um com algum estudo ou cuja aparência sugira que pertence às classes dominantes. É o “doutor” falado por guardadores de carro, porteiros de cinema, vendedor dos semáforos. Como você, querida, muitos desses “doutores” agem como se o simples fato de ostentar símbolos de poder desobrigasse alguém de prestar contas, a si mesmo ou à sociedade, dos passos que executa.

O seu caso, querida, assim como o do juiz carioca, é mais um exemplo dos que se beneficiam da fragmentação que fomenta o caos e exorciza a harmonia social em nosso convívio. Essa sua arrogância tem origem no passado escravagista do país. Não é novidade — como você bem sabe, querida — que as classes dominantes querem perpetuar a indolência nacional — que existe mais na mitologia do que na realidade — como reflexo de seu modo de vida calcado na ideologia escravocrata. Vocês veem a grande massa de brasileiros pobres como seres primevos por sermos negros, índios, mestiços, despossuídos a ponto de não termos direito sobre o próprio corpo e cuja vida deve ser definida pelo trabalho cruciante e pelos suplícios impostos pelos patrões. Vocês, querida, querem a nossa submissão como sucedânea da lei.

Mas você também sabe muito bem, querida, que isso é uma anomalia no Estado democrático, herança asquerosa de um país que manteve a escravidão até as barbas do século XX — caso único no mundo —, o que fez essa ideologia impregnar a carne de vocês. É por isso que há entre os dois extremos sociais brasileiros uma desconfiança recíproca, uma indisposição a selar pactos, uma oposição natural a qualquer tentativa de organização conjunta, nacional. Ainda está muito vivo no inconsciente coletivo do país, querida, o sentimento de que a política e a Justiça obedecem sempre a interesses minoritários e poderosos, de que Estado é sinônimo de opressão, de que pactos nunca favorecem o cidadão comum.

Em dois ou três séculos, pouco mudou na essência do modo como vocês e o povo se veem e se relacionam. Sua laia, querida, continua abusando do seu poder inchado, sabotando a trama social existente no país e nutrindo ódios de classe. Nós, o povo, continuamos lutando com todas as forças pela sobrevivência, enquanto vocês nos querem confinados no rodapé da pirâmide social, com um controle à base do extermínio regular de muitos dos nossos. Brasileiros da sua laia, querida, não temem a lei: ou saltam a barreira ou passam por baixo. Poucos se detêm na fronteira do direito.

É fácil compreender essa situação, querida, se percebermos que há apenas pouco mais de sete décadas — aí pelos anos 1930 — começamos a projetar de fato o rompimento com a herança da sua turma que impregna a alma do país, debatendo e aperfeiçoando um projeto contemporâneo e factível de sociedade. Sofremos muitos reveses e, por isso, o projeto democrático de sociedade ainda é algo que está para florescer no Brasil. E, na mesma medida, a construção de uma sociedade coesa, fundada na ética, disposta a erigir sistemas que sustentem a longo prazo o desenvolvimento econômico e a justiça social. Assim como Lula, nunca desistiremos dessa luta, querida!

Abraço!

Osvaldo Bertolino

Compartilhar:



2 Comentários

  1. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    ESSA POBRE QUERIDA, É UMA DAS MUITAS, IDIOTAS, RIDÍCULAS QUE PRECISAM INSTALAR- SE, ESTATELADAS NUM PEDESTAL DE ILUSÃO. PARA EXIGIREM UM RESPEITO QUE NÃO MERECEM....
    POBRE PAÍS !

  2. o descaso e a falta de respeito para com o Presidente Lula é comum a todos os integrantes da lava jato... talvez nem o façam por maldade.. mas por pensar e achar que uma pessoa simples como ele não mereça o devido respeito... foram criados e ensinados a agir assim... é só fazer uma pesquisa para saber mais a respeito de cada um...
    não julgam a pessoa pelo que é... pelo que representa... julgam de acordo com os padrões a que estão acostumados...
    tivessem a capacidade de avaliar caráter e atitudes de alguém... soubessem o homem que é... não estariam fazendo dele um trampolim para a fama...
    talvez até saibam... mas a sede de mostrar poder... de querer fazer parte da história sem se importar como... de aparecer na mídia (corrupta e sonegadora)... estar na pauta diária da imprensa falada, escrita e televisiva...
    exemplo maior do que o tapete vermelho para o togado curitibano no lançamento do filme patrocinado sabe-se lá por quem?????
    demonstram insegurança no que fazem... porque sabem que estão errados...
    qual o problema em ser chamada de "querida"??
    não gosta ou não quer? tudo bem... mas não queira ser chamada de "doutora" se não o é....

Responder

Seu email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.
Os comentários expressam a opinião de seus autores e por ela são responsáveis e não a do Cartas Proféticas.