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Chimarrão Profético com a Geógrafa Karla Teixeira: “Quilombolas e nossas raízes”

Os vocábulos “quilombos” e “quilombolas” são cada vez mais conhecidos pelo povo brasileiro, mas nem sempre as raízes das definições históricas são claras à necessidade que temos de conhecer esse setor absolutamente fundamental à configuração de nossa antropologia social e, até mesmo, como inspiração de resistência na luta contra a opressão, essas marcas insanas e desumanas da invasão colonial europeia aqui no Brasil.

Um artigo, que tomo abaixo como suporte teórico para entender a origem, organização, mercado e resistência exemplares das comunidades quilombolas, é fruto da pesquisa e edição de Eduardo de Rê, Isabela Campos Vidigal, Takahashi de Siqueira, Julia Reis Romualdo,
João Pedro de Faria Valentim e
Leonardo Gabriel Reyes Alves da Paes.

A primeira informação importante é de que “no Brasil, segundo a Fundação Cultural Palmares, existem 3.447 comunidades quilombolas distribuídas por todas as regiões.  Os quilombolas são os remanescentes de um grupo étnico-racial formado por descendentes de escravos fugitivos durante o período da escravidão no país entre outros grupos que viviam nos chamados quilombos”, informa o artigo.

Sobre a natureza deste povo, que durante a pré-campanha eleitoral de 2017 foi debochado e suas pessoas reduzidas a animais vendidos a peso de arrobas em açougue, com a diferença de que sua existência não significava nenhuma importância para a economia nacional, como afirmou Jair Bolsonaro em fala ao Clube Hebraico no Rio de Janeiro, antecipando sua visão nazifascista e racista. No entanto, “os quilombolas possuem uma identidade própria, que forma a base das suas organizações sociais e culturais construídas historicamente. Por isso, essas comunidades se diferenciam do restante da sociedade”, continua o artigo.

Na verdade, na tentativa de inviabilizar este povo, ocultando-o na opressão econômica, cultural e social “por muito tempo os quilombolas sofreram com a discriminação e o não reconhecimento de suas cidadanias. No entanto, hoje essas comunidades possuem a sua identidade étnica juridicamente reconhecida, assim como a garantia de posse de suas terras, graças aos direitos dos quilombolas, conquistados somente no século XX”.

O neoliberalismo na sua fúria pela invizibilização dos setores sociais que não servem aos propósitos de aumentar, preservar e concentrar os lucros, associa-se ao fascismo e às suas nuances milicianas,  negam as raízes e poderosa história dos quilombolas. Porém, os autores deste artigo informam que “as comunidades quilombolas foram estabelecidas no Brasil durante o processo de ocupação do território nacional por colonizadores europeus, no decorrer do período de colonização (1500-1822).

Esse período foi marcado pela exploração e escravização dos povos nativos (indígenas) e afrodescendentes. Estes eram trazidos das colônias africanas ao Brasil pelos colonizadores.

A degradante situação às quais os negros e indígenas eram submetidos geravam, muitas vezes, revoltas por parte desses grupos. Entre as formas de resistência e reivindicação de condições de vida dignas estava o agrupamento de escravizados que fugiam dos seus senhores.

Esses agrupamentos foram denominados de quilombos, ou mocambos, e muitos deles conseguiram agregar centenas e até milhares de pessoas.

Os quilombos representavam a ocupação de terras para a formação de uma organização social contrária ao sistema colonial”. 

Os dados destas informações revelam raízes fundamentais na contradição e resistência deste povo, confrontando a barbárie imposta pela escravatura desumana e desumanizadora. “… os quilombos se caracterizam não apenas pelo isolamento e a fuga dos escravos, mas também pela sua autonomia e a reprodução de modelos sociais e políticos mais próximos às vivências experimentadas em África. Internamente reproduziam a sua própria economia, centrada na policultura (produção agrícola diversa), com a finalidade do bem-estar de toda a comunidade.

O maior e mais famoso quilombo existente durante a colonização do Brasil foi o quilombo de Palmares, localizado entre Alagoas e Pernambuco.

Estima-se que esse quilombo, que teve entre suas lideranças Zumbi dos Palmares, existiu entre o final do século XVI e o fim do século XVII, e recebeu cerca de 20 mil pessoas

O traço de confronto com o cinismo da não violência pregada pelas missões jesuítas, nas sua tarefa de acalmar os explorados e escravizados para que os capitães do mato cumprissem a violência escravocrata com toda a sua complexidade feita de torturas e assassinatos. Por isso, destaca o artigo, “o quilombo dos Palmares era também uma organização política e militar. Vários conflitos e ataques aos engenhos eram executados por seus membros com o objetivo de libertar mais pessoas e conseguir recursos e suprimentos para a subsistência da comunidade.

Por isso, Palmares era tido como uma grande ameaça pelos colonizadores e senhores de engenho.

Além de Palmares, outros importantes quilombos desse período merecem destaque. Como o quilombo Buraco de Tatu, localizado próximo à cidade de Salvador, sendo considerado um dos mais conhecidos da Bahia.

Estima-se que centenas de pessoas viviam nesse quilombo. E como o quilombo do Urubu, famoso por ter sido liderado por uma mulher, Zeferina. Localizado também na Bahia, não há uma estimativa da quantidade de pessoas que habitavam esse quilombo.”

Ler a íntegra deste artigo e os outros indicados pelos links que entremeiam o texto é de suma importância e de necessidade relevante.

Desenvolveremos este debate no CHIMARRÃO PROFÉTICO nesta TERÇA FEIRA, 19/-4/22, ÀS 11 HORAS a Geógrafa Karla Teixeira.

Karla Teixeira

Geógrafa Mestranda no Programa de Pós Graduação em Geografia UEG CORA CORALINA.

Empreendedora.  Mãe e Cidadã participante.

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