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Coincidências: assim são classificados os fatos que comprovam o comando do golpe pelos EUA

Junho de 2013, mês em que o Brasil foi sacudido pelas tais “manifestações populares” que reclamavam do alto custo e da baixa qualidade dos serviços públicos brasileiros, as quais tiveram como mote inicial os R$0,20 de aumento nas tarifas do transporte público em São Paulo e no Rio. No dia 14 de junho de 2013 Barack Obama nomeia Liliana Ayalde como embaixadora dos EUA no Brasil. Poucos meses antes ela havia deixado a embaixada dos EUA no Paraguai, onde preparou o terreno para o golpe de Estado que destituiu o presidente constitucional, Fernando Lugo. Liliana Ayalde trabalhou na USAID (agência de “cooperação” que difunde e impinge valores e influências estadunidenses em diversos países, sempre em defesa dos interesse econômicos e geopolíticos dos EUA) por 24 anos, atuando na Nicarágua, na Colômbia e na Bolívia. Quando foi nomeada embaixadora dos EUA no Brasil, Liliana Ayalde era secretária assistente adjunta no Departamento para a América Latina do Departamento de Estado, chefiado por Roberta Jacobson.

No dia 4 de julho de 2013 o sítio eletrônico WikiLeaks divulgou uma lista com 29 números de telefone de autoridades e assessores do governo brasileiro que foram alvo de espionagem da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês). A relação, classificada como ultra-secreta, incluiu, além de números da sala da presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto e do avião dela, contatos de integrantes do alto escalão do governo. Também foram espionadas pessoas próximas a Dilma, como secretários e assessores. Segundo o WikiLeaks, a lista incluiu o então ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que, na época das interceptações telefônicas, era secretário executivo do Ministério da Fazenda. Também foi monitorado o ex-chefe da Casa Civil de
Dilma, Antonio Palocci, que foi ministro da Fazenda no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Luiz Awazu Pereira da Silva, ex-diretor do Banco Central, também aparece na lista.

Já no terceiro dia das chamadas “jornadas de junho”, a pauta das manifestações mudou radicalmente, assim como a forma com passaram a ser abordadas pelos veículos da mídia canalha e golpista, o PIG/PPV. No início os que saíram às ruas foram chamados de “vândalos”; depois as ruas foram tomadas por pessoas de tez branca, que empunhavam cartazes contra a PEC-37, que diziam ser PEC um estímulo à impunidade e um cerceamento a atuação do Ministério Público, que vestiam roupas com as cores verde e amarela e bradavam slogans “contra a corrupção”, pelo “padrão FIFA” nos serviços públicos, contra a realização da Copa do Mundo no Brasil no ano seguinte contra a realização dos jogos olímpicos no Rio, marcados para três anos depois, em 2016.

No dia 2 de agosto de 2013, sob pressão, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.850/2013. Essa lei é uma transcrição do direito anglo-saxão (sobretudo estadunidense) em que a investigação e o processo judicial, para descoberta de crimes e levantamento de provas, são substituídos por uma negociação entre agentes do sistema de justiça (policiais, procuradores e juízes) e criminosos confessos. O mercantilismo e a barganha tomam o lugar da investigação, da procura e levantamento técnico de provas por agentes do Estado. Para reduzir a pena máxima a que seriam submetidos, criminosos confessos se dispõem a delatar outras pessoas que tenham participado dos crimes; é a instituição da barganha no sistema de justiça, sob a alcunha eufemística de “colaboração premiada”. Nos EUA, para clareza e didatismo, o termo usado e “plea bargain”.

Em 17 de março de 2014 é deflagrada a midiático-policial- judicial operação denominada – de forma errônea, mostrando ao baixo nível de leitura e conhecimento do vernáculo por parte dos concurseiros da PF – “Lava Jato”, quando o correto seria “Lava a Jato”. Já no nascimento tal operação se baseou em crimes cometidos pelo “juiz” Sérgio Moro, que usurpou competência de outros foros e cometeu diversas fraudes processuais, além de crimes diversos, como escutas telefônicas de autoridades (parlamentares federais, Ministros de Estado e Presidente da República), visando atrair os processos para a jurisdição dele. Além disso foram feitos grampos continuados
contra o doleiro Alberto Youssef, o mesmo a quem havia sido concedido perdão judicial no escândalo do BANESTADO.

A sabotagem ao governo surte efeitos já em 2014, pois apesar de bem organizada a Copa do Mundo atraiu bem menos turistas ao Brasil do que ocorreria em condições sociais e políticas normais. A deflagração da “Lava Jato” como operação de guerra (midiático-policial- judicial) contra o governo, contra o PT e seus líderes e contra a Esquerda Política em geral atingiu não apenas a classe política mas as empresas e setores econômicos em que o Brasil se mostrava competitivo no exterior, em especial a construção pesada. A ambição dos EUA em se apropriar das reservas petrolíferas do Pré-Sal, cujo anúncio oficial se deu em 2010 e cujas operações e leilões para exploração dos campos se iniciaram naquele período, levou as agências e departamentos de espionagem e investigação (CIA, NSA, NRO, FBI, DoJ, etc.) a lançarem a cruzada contra a Petrobrás, contra o governo, contra o PT e seus líderes,assim como a ministros de Estado que serviram aos governos de Lula e Dilma, municiando os agentes do ‘sistema de justiça’ brasileiro – PF, MP e PJ – que haviam sido cooptados pelos EUA.

Em 20 de agosto de 2015 o STF recebeu a primeira denúncia contra Eduardo Cunha, com fartura de provas da corrupção e chantagem que praticava na Câmara Federal, primeiro como simples deputado, mas sobretudo a partir do momento em que passou a presidir aquela casa parlamentar. Em outubro daquele ano o PSOL  rotocolou um pedido de cassação do mandato de Eduardo Cunha no conselho de Ética da Câmara, por quebra do decoro parlamentar. Desde fevereiro daquele ano Eduardo Cunha se aliara aos derrotados na eleição presidencial de 2014, chantageando e sabotando as votações de interesse do governo, inviabilizando a aprovação de qualquer projeto de interesse do Executivo. Com o mandato ameaçado, Eduardo Cunha passou a chantagear o PT e Presidenta Dilma, para que os deputados do partido votassem contra a cassação do mandato dele. Como Dilma e o PT não aceitaram tal chantagem, votando pela admissão do processo de cassação, em retaliação e vingança, Eduardo Cunha aceitou um esdrúxulo pedido de impedimento contra a Presidenta Dilma, dando início à fase parlamentar do golpe de Estado.

De forma mais do que omissa e covarde, mas sim cúmplice, conivente e partícipe da trama golpista, o STF permitiu que Eduardo Cunha se mantivesse na presidência da Câmara até o dia 5 de maio de 2016, após a noite da infâmia – 17 de abril – em que 367 canalhas (por meio de suborno e corrupção em elevado grau) admitiram o fraudulento pedido de impeachment, que muitos ràpidamente rebatizaram de golpeachment, já que se tratava de um golpe de Estado travestido de legalidade e institucionalidade. A fase final desse golpeachment foi marcada para o dia 31 de agosto de 2016, pois teria de ocorrer no mesmo mês em que morreu Getúlio Vargas, que cometeu suicídio justamente para evitar um golpe de Estado.

As quadrilhas que se apossaram do poder por meio do golpe midiático-policial- judicial-parlamentar nem mesmo esperaram o dia 31 de agosto para iniciarem o desmonte do Estado Brasileiro. O congelamento dos investimentos públicos em áreas essenciais como Saúde e Educação ocorreram já no ano de 2016, por meio da aprovação PEC-241 da Câmara, que no Senado recebeu o nº 55 e que, após aprovação pelos picaretas do Congresso Nacional se converteu na EC-95/2016. Nos próximos 20 anos os investimentos públicos ficarão congelados, sendo corrigidos apenas pelo índice oficial de inflação. O objetivo, claro, é reservar mais de 8% do PIB brasileiro para pagar os rentistas, credores de uma dívida do governo federal que jamais foi auditada. O Ex-Presidente Lula sempre foi o alvo mais cobiçado, o troféu perseguido pelos integrantes da Fraude a Jato. Até março de 2016, os lavajateiros despistaram a opinião pública e o republicanismo ingênuo e suicida da Presidenta Dilma e do PT permitiram que os ovos das serpentes eclodissem. Em 4 de março de 2016 o “juiz’ Sérgio Moro autorizou o seqüestro judicial do Ex-Presidente Lula (pois o eufemismo “condução coercitiva” não se aplica, já que Lula não fora convocado e jamais se negara a prestar depoimento à autoridade policial), tomando a providência de avisar todos os veículos de mídia para o que ocorreria naquela manhã. O torquemada das araucárias,
assim como a meganhagem da PF e do MPF, além de humilhar o Ex-Presidente Lula perante o mundo, assassinando a imagem e a reputação dele através da exposição midiática, pretendiam levá-lo preso para Curitiba. Até hoje nenhum delgado da PF, procurador do MPF ou o “juiz’ Sérgio Moro deram explicações convincentes
sobre os motivos de levarem Lula para o Aeroporto de Congonhas, em área envidraçada, ao alcance das câmeras de televisão, para ser interrogado. Não fosse a atuação de profissionais da Aeronáutica, a PF lavajateira teria levado o Ex-Presidente Lula, preso, para a “república” de Curitiba.

A perseguição ao Ex-Presidente Lula custou a vida de Dona Marisa Letícia, que faleceu no dia 3 de fevereiro de 2017. A crueldade do torquemada das araucárias é tal que, mesmo diante desse fato, ele não remarcou o depoimento que o Ex-Presidente Lula prestaria a ele, por meio de vídeo-conferência, agendado para o dia 9 daquele
mesmo mês. Mesmo após o falecimento de Dona Marisa Sérgio Moro a mantém como ré, em clara afronta à Lei, que estabelece absolvição sumária para réus falecidos, não apenas a extinção da punibilidade, como insiste o torquemada paranaense. O depoimento presencial, nesse farsesco processo do “Tríplex do Guarujá”, foi marcado para o dia 3 de maio. Mas este, sem nenhum justificativa plausível, o torquemada adiou por uma semana, numa vã tentativa de intimidar e desmobilizar simpatizantes de Lula que haviam programado ir à capital paranaense em homenagem e apoio ao Ex-Presidente, vítima de perseguição política e caçada judicial.

A diferença, o abismo , entre a estatura moral, histórica, política e social do Ex-Presidente dos seus algozes ficou evidente quando Lula prestou depoimento presencial diante de Sérgio Moro, no dia 10 e maio de 2017.

Acoelhados, pusilânimes, os procuradores lavajateiros enfiaram o rabo entre as pernas e quase nada perguntaram ao Ex-Presidente Operário; quem assumiu o papel de inquiridor foi aquele que ocupa o posto de magistrado. Além de crimes anteriores contra Lula e seus advogados, Sérgio Moro os tratou com extrema deselegância e grosseria em várias audiências; mas diante de Lula, o “juiz’ se mostrou covarde, cínico, calculista, apelando para pegadinhas, por meio das quais pretendeu induzir Lula a contradições. Lula brilhou e expôs a miséria moral, intelectual e jurídica daqueles que o perseguem e pretendem impedi-lo de concorrer à presidência da república e eleger-se por meio do voto popular. Mas o jogo era de cartas marcadas; Lula, seus advogados, os grandes juristas e as pessoas esclarecidas e não cegadas pelo ódio já sabiam que a sentença condenatória já havia sido escrita e que de nada valeriam as fartas provas da inocência de Lula, pois para condená-lo bastava ao torquemada das araucárias suas convicções e sua fé.

Já previamente escrita antes mesmo do julgamento, quiçá antes mesmo da denúncia formal – uma peça totalmente inepta apresentada pelos lavajateiros do núcleo curitibano do MPF, coordenados por Deltan Dallagnol – a sentença condenatória teve sua divulgação reservada para o dia 12 de julho, exatamente um dia após a quadrilha parlamentar aprovar a contra-reforma trabalhista que enterra a CLT e os direitos da classe trabalhadora e menos de
três semanas após a entrega das alegações finais apresentadas pela defesa do Ex-Presidente Lula, que foram solenemente ignoradas, como se vê nos 5 parágrafos e uma lauda a ela dedicados na sentença de condenação, composta de mais de 200 páginas e 968 parágrafos. A nulidade jurídica dessa sentença é tão clara e evidente que motivou mais de 100 dos grandes juristas brasileiros a escreverem um livro, contendo mais de 100 artigos, em que ela é destrinchada e desmontada, escancarando seu caráter anti-jurídico, político-partidário, discriminatório com um Ex-Presidente de origem operária, inquisitório, abusivo, persecutório, mostrando inclusive os desvios de caráter, a paranoia e os desvios psico-patológicos percebidos pelos juristas naquele que prolatou uma sentença condenatória contra o Ex-Presidente mais popular, atribuindo crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, apesar de nos  autos, na peça de acusação e na sentença não ter sido apresentada qualquer prova jurìdicamente válida de que Lula tenha cometido tais ilícitos.

Mantendo a sincronia com o calendário e os acontecimentos políticos, os lavajateiros retomam a perseguição ao PT, aos petistas e ao Ex-Presidente Lula exatamente após o anúncio, pela quadrilha que hoje está no governo federal, das negociatas que pretendem entregar aos rentistas e aos estrangeiros (sobretudo chineses) o
controle acionário da Eletrobrás, de vários aeroportos, da casa da Moeda e outros empresas estatais e públicas.

Nesse ínterim Michel Temer extinguiu a RENCA (Reserva Nacional entre o Amapá e o Pará, onde há cobre, ouro e outras riquezas minerais já mapeadas, além de exuberante floresta de cobertura), abrindo essa região à exploração e destruição, por grupos mineradores, sobretudo estrangeiros. Os lavajateiros se apressam em confirmar a sentença condenatória contra o Ex-Presidente Lula, de modo a inabilitá-lo para a próxima eleição presidencial. Apenas 42 dias após a prolação, o recurso chegou ao TRF4. Mais incrível é que, chegando às 11h04min do dia 23 de agosto de 2017 ao TRF4, às 17h45min houve remessa interna para o relator; 15 minutos após ser recebido pelo relator-revisor, desembargador João Pedro Gebran Neto, este expediu despacho para a defesa do Ex-Presidente Lula apresentar as razões recursais.

No discurso combinado com o PIG/PPV é provável que se digam e se escrevam elogios aos lavajateiros, alegando “eficiência e celeridade”, pois o cinismo e o mau-caratismo dos golpistas não conhecem limites. João Pedro Gebran Neto é o duplo de Sérgio Moro, de quem já disse e escreveu ser amigo. Como Sérgio Moro é inimigo declarado do Ex-Presidente Lula e age em relação a Lula como acusador e persecutor e não como juiz, é mais do que evidente que, sendo um duplo de Sérgio Moro, Gebran Neto seja mais do que suspeito para revisar apreciar recurso da defesa de lula contra sentença prolatada pelo ‘amigo’. Gebran Neto e outros 12 colegas do TFR4 admitiram formalmente e por escrito o Estado Fascista de Exceção, ao coonestar abusos, ilegalidades e crimes cometidos por Sérgio Moro.

Estado de exceção sempre antecede uma ditadura aberta. Desde o ano passado não há mais democracia no Brasil, embora tímidos muitos juristas ainda não digam e escrevam isso de forma clara. As oligarquias escravocratas, plutocratas, cleptocratas, privatistas e entreguistas têm no sistema de justiça (PF, MP e PJ) o instrumento por meio do qual implantaram de forma ‘suave’ um regime excludente e semelhante à semi-escravidão, em que as classes
dominantes garantem por meio de uma pseudo-legalidade e pseudo-institucionalidade o mesmo padrão exploratório e de exclusão social que vigia no século XIX.

João de Paiva Andrade
Rio de Janeiro, 25 de agosto de 2017

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2 Comentários

  1. O Brasil é um país onde haverá fome e guerra,,,,!
    Os corruptos de hoje serão os ausentes do Brasil do amanhã.....!

    Só Deus poderá muda o fim do Brasil......!
    Que está composto de um poderiu em sua maioria podre,,,!


    -assina......médico da esquina 2

  2. […] Termino celebrando a entrevista do Dr. Aluisio Pampolha Bevilaqua, unida ao texto do Dr. Roberto Bueno e ao artigo do Engenheiro João de Paiva Andrade. […]

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