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Congressistas brasileiros assumem o dolo da guerra civil e esnobam com o coquetel da desgraça

Amigo músico Clóvis Salvadori, Curitiba, Paraná

Nesses últimos meses, principalmente após a deflagração do golpe de Estado, corneteia-se muito que vivemos um conflito institucional que dá passos largos e rápidos na direção de uma conflagração entre poderes, sinalizando guerra.

Todavia isso não passa de balela para enganar a confusa e enfraquecida opinião pública.

A foto que ilustra esta postagem é indicativa eloquente da farsa da crise e mostra onde se posta o eixo principal do conflito, este sim semente de guerra civil que todos sabem como começa, mas não sabem como terminará. A única certeza é de que a elite dominante reunirá todos os poderes e suas forças para promover matança e destruição da resistência dos trabalhadores e dos movimentos sociais.

Depois de boa caminhada de debates pelo Brasil inteiro e no Congresso Nacional sobre os malefícios do pacote de maldades, com o fogo do inferno que o desgoverno golpista enviou para a Câmara e para o Senado. com as armadilhas para desviar os investimentos sociais com o objetivo de acumular ainda mais os lucros  dos bancos e dos 1% mais ricos, o bando de senadores sem ouvidos e sem coração aprovou o golpe no campo econômico e nas relações sociais.

Nas audiências públicas no Senado competentes pesquisadores das áreas econômica e das ciências sociais universitárias e de pesquisa provaram cabalmente que essa pec 55 é desnecessária porque levará o País ao desastre, cumprindo os objetivos do golpe no sentido de entregar o governo à banda podre da elite que quer privatizar e vender tudo o que resta de estatal e miserabilizar nosso povo.

Os movimentos sociais foram às ruas, se mobilizaram, denunciaram a má fé desse pacote, foram à frente do Senado mostrar sua indignação e apelar a possível bom senso, mas os golpistas não os ouviu.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, numa nota formal e oficial, demonstrou o grau de injustiças desse projeto maligno, mas também não se fez ouvir.

Intelectuais se posicionaram científica e politicamente contra a aprovação, mas a eles, como se se quisesse dizer que inteligência, conhecimento, pesquisa e intelectos comprometidos com o povo não interessam porque os burros relincham, dão coices e usam as instituições para impor a empurrões os seus interesses.

A mídia, reconhecidamente cafajeste na prestação de serviços aos golpistas, engrossou a sujeira de abafamento da revolta popular contra o ódio em forma de prostituição de nossa Constituição.

A polícia de Brasília projetou-se sobre os milhares de manifestantes que pressionavam os parlamentares e pediam, com base em muitos estudos, que não se rendessem ao assalto da economia do Estado entregando-a aos banqueiros vampiros. Sim, a polícia paga com nossos impostos e com os recursos públicos, machucou e sangrou, jogando em hospitais jovens, adolescentes, crianças e adultos que exerciam o sagrado direito de manifestação.

O aparato policial, judicial e parlamentar soma-se ao roubo do sangue do povo, saqueando o Estado para entregar nossas riquezas a quem odeia a proteção social dos injustiçados.

Os dados matemáticos são eloquentes no apoio a esta denúncia. Neste ano, até outubro, o setor público já transferiu, em juros, ao setor financeiro – aos banqueiros sangue sugas – , R$ 331,238 bilhões. Isto representa 50 vezes o que esse desgoverno investiu no atendimento ao povo, no mesmo período (R$ 6,126 bilhões – cf. RREO, Outubro de 2016,  conf. anexo 1 – Balanço Orçamentário).

A sangria é total e absoluta. A gangue do Congresso paga com juros e correção monetária pelo golpe de Estado que a elite rentista e neoliberal mandou dar.

O deboche contra o povo e seus minguados recursos estampa-se na festinha desavergonhada após a retumbante derrota da Constituição, da democracia, do Estado social e do direito à luta por democracia legítima.

Vê-se na foto o descalabro vergonhoso. Covardemente, por detrás dos vidros do Congresso,  que não é mais a casa do povo, mas virou um dos maiores covis de ladrões, bandidos e assaltantes do povo, os congressistas se baqueteiam num coquetel, festejando a primeira rodada cafajeste que carreou 61 votos dos canalhas de sempre, os senadores que prostituem a democracia, pagos pelo povo mas  votam contra ele.

Se não fosse triste, feio e lamentável seria até jocoso observar os homens de terno preto protegendo os ladrões e assassinos a realizar sua festa de Herodes contra João Batista, o povo degolado em seus direitos. Enquanto isso a polícia dava tiros de todos os jeitos contra o povo, caçado como  bandido, numa deslavada inversão de valores quando os verdadeiros marginais bebiam e comiam, não somente no coquetel mas o sangue do povo.

Enquanto isso fez-se silêncio no judiciário, com nenhum juiz colocando-se ao lado do povo; silêncio na CNBB, especialista em notas formais, com nenhum bispo ou cardeal ao lado dos manifestantes que apanharam da polícia vendida e criminosa; silêncio no governo do Distrito Federal, que abandonou o campo progressista para acolitar golpistas;  silêncio nas paneleiras e madames burguesas, que odeiam os pobres e suas oportunidades de inclusão.

Contudo, meu amigo paranaense da republiqueta dos homens cheios de convicção e sem nenhum senso de respeito democrático, nacionalista e de amor ao Brasil, abriu-se o flanco para que o povo tome atitudes mais rigorosas e ousadas.

Essa malta não ouve e não vê ninguém. Uma grande mulher que entrou na secção na qual os assassinos discutiam a pec da morte, apesar de ser presa pela polícia do Renan, cheia de truculentos que sabem bater no povo mas nada sabem de proteção dos direitos, ela denunciou o banditismo e indicou que na próxima seção o rigor da ocupação do plenário deve  envolver milhares de mulheres, de trabalhadores, de negros, de ameríndios, de estudantes, de intelectuais etc, que se dispostam a derramar o sangue na defesa do Brasil.

Não há mais como pedir licença ou esperar que os bandidos que votam leis corruptas a seu favor e contra o povo nos liberem de boa vontade para ocupar e fazer do parlamento a verdadeira casa do povo, agora invadida e manipulada por criminosos eleitos sob muita corrupção dos endinheirados que sequestraram a democracia e o Estado brasileiro.

A má vontade e o mau caráter são os valores dos canalhas que votaram nesse primeiro turno no pacote da morte e dos banqueiros vagabundos.

A boa vontade é a força que nos move porque somos membros da sociedade civil hostilizada pela escória de bandidos. Somos trabalhadores e trabalhadoras flagrantemente atropelados/as em todos os nossos direitos. Nossa reação é de boa vontade e implicará em arrojo contra os aparatos tomados do povo.

Nada deve e se pode esperar desses canalhas. Os termos e má vontade não só nossos, mas deles que os pregaram em suas próprias testas e os expeliram de suas almas podres.

A luta deve ser pacífica por enquanto, embora os chafurdadores tenham declarado guerra ao povo,  usando indevidamente as armas e aparatos que deveriam nos proteger.

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapazbispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
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Um Comentário

  1. […] Fonte: Congressistas brasileiros assumem o dolo da guerra civil e esnobam com o coquetel da desgraça – C… […]

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