Simone Maulaz Elteto

Coordenadora do Colégio Goyases, uma heroína da classe trabalhadora

Prezada  Educadora e Coordenadora Simone Maulaz Elteto, Goiânia, Goiás,

Neste domingo, dia 22/10, postei aqui uma carta na qual analisei o bullying, justificativa até agora para a ação violenta praticada por um aluno do Colégio Goyases, que conceituei como manifestação aparente do conflito silencioso e profundo que manobra a sociedade brasileira.

Em meu texto estranhei que o seu nome não fosse mencionado em momento algum. Para meu espanto e, talvez, do toda a sociedade brasileira, a senhora apareceu no programa de maior audiência da TV Globo, o dominical noturno “Fantástico”.

Portanto, o rosário de perguntas aumentou acrescentando as do por que somente a senhora só apareceu em programação da TV Globo e não antes, se sua atuação no caso beirou ao martírio em virtude  do elevado risco de ser assassinada? Por que a escola a escondeu por tanto tempo? Como a Globo conseguiu quebrar o seu silêncio e por que o fez?

Porém, ao assistir o vídeo com sua entrevista, coisa que não fiz assistindo o programa porque aqui em casa não assistimos a esse canal, vi na senhora uma trabalhadora tentando explicar o fato terrível.

Penso elogiá-la ao afirmar que a senhora tem jeito e rosto de mulher brasileira trabalhadora, que integra uma classe oprimida embora trabalhe para uma empresa privada que vive a custa do ensino que deveria ser público, gratuito e de qualidade.

No relato que deu ao repórter da Globo a senhora sinalizou clara consciência social e de compaixão ao narrar o risco que enfrentou ao se dispor assumir o papel de pacificadora do rapaz e do ambiente, a quem unicamente cabia aquela dolorosa e arriscada missão, pelo que transparece. Ninguém naquele momento teria tanta força moral e afetiva para barrar uma pistola cuspindo balas contra o bullying assassino.

Comovi-me ao ouvi-la, segurando as lágrimas, listar, quase nomeando, cada pessoa que trabalha na escola a quem defendeu com seu gesto, protegendo o rapaz atirador, inclusive do suicídio,  outras crianças  também  fazendo uma barreira entre a senhora e a poderosa pistola, com perigo à sua própria vida.

Perdoe-me lhe dizer, exemplar professora Simone, mas a senhora desenhou  perfeitamente com disposição inteligente e corajosa, o brio da classe trabalhadora.

Sempre foi assim e o será: são os e as trabalhadores/as  que se colocam na linha de frente na produção e na defesa das vidas humanas.

Vi cada lágrima que derramou durante a entrevista e imagino as que derrame desde a barbárie que invadiu a aparente escola tranquila de “classe média” onde a senhora trabalha e a quem dá seu sangue e quase sua própria vida.

O final de sua narrativa na entrevista é de uma grandeza a ser emoldurada. Quando fala que sai desse episódio mais madura e crescendo como ser humano a senhora diz que a classe trabalhadora só cresce e aprende no trabalho e no enfrentamento dos grandes conflitos, por mais dolorosos que sejam.

A senhora, com mais sorte, se soma à galeria de heroínas como a professora Heley de Abreu Silva Batista, que morreu por se entregar à tarefa de defender crianças de serem mortas por um trabalhador enlouquecido.

A senhora, com seu exemplo, mostrou o quanto a classe trabalhadora é amorosa e disposta ao sacrifício para defender o próximo, sempre centrada no coletivo.

É a classe trabalhadora, invariavelmente, que está nos postos de trabalho e nas esquinas onde a vida é ameaçada.

Numa conjuntura obscura para a maioria que não consegue analisar com clareza o que se passa no mundo e no Brasil nesse momento, a senhora dá a sua vida para salvar, proteger até mesmo quem se encontra sob o impulso do bullying econômico, político e social, como defini aqui.

Críticas às causas de todos os bullyings, mas abraços muito fraternos e solidários  à senhora, professora Simone Maulaz Elteto, heroína e exemplo de disposição, próprios da classe trabalhadora, a única capaz de fazer milagres.

Dom Orvandil.

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