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Das matas amazônicas vem exemplo de luta: “Ser indígena hoje é sinônimo de resistência”, ‘diz Nara Baré, a primeira mulher a assumir a Coiab’

Numa entrevista ao site Amazônia Real Francinara Soares Baré, a Nara Baré, de 39 anos, conta que é  a primeira mulher a assumir a liderança da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a maior organização indígena do Brasil, criada há 28 anos. A eleição aconteceu em 30 de agosto na aldeia do Alto Rio Guamá, no Pará, e reuniu cerca de 600 lideranças indígenas de toda a Amazônia brasileira.

Exemplo de luta e de resistência que inspira a todo o povo brasileiro, principalmente a classe trabalhadora, Nara Baré declara que  as mulheres tinham porta-vozes, que eram os irmãos, os pais e os maridos, mas  “é diferente de hoje, porque estamos juntos com eles”, afirma.

Respondendo a pergunta sobre “o que é ser indígena hoje” Nara disse:  “Desde o primeiro contato, os portugueses chegaram aqui e não foram recebidos de arco e flecha. Eles foram muito bem recebidos, como qualquer visitante, como até hoje recebemos bem quem chega a nossa comunidade. E ainda chamaram a gente de silvícolas.

De todo esse processo de ocupação e depois o de escravidão e de perseguição – somos perseguidos até hoje – ser indígena hoje é sinônimo de resistência e persistência porque mesmo na época da ditadura militar, que fomos massacrados, continuamos na resistência. Mas hoje é muito mais difícil ser índio do que antes. Porque antes nós éramos sinal de atraso, de incapacidade. Atualmente, mesmo com a Constituição assegurando nossos direitos de que não somos mais tutelados, incapazes e silvícolas, e mesmo aprendendo o português e mudando de armas, a sociedade tenta invisibilizar o indígena, mas isso faz com que sejamos muito mais fortes.”

Leia a entrevista na íntegra no Amazônia Real.

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