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De canhota, futebol com análise de classe: Seleção brasileira, um patrimônio nacional

Edergênio Negreiros Vieira*

Brasil ganha a sexta partida seguida e encaminha classificação para a Copa do Catar. Os 100% de aproveitamento foram mantidos e alçaram a equipe de Tite ao patamar da campanha de João Saldanha em 1969, com seis vitórias seguidas. De quebra, o Brasil quebrou um tabu de 36 anos sem vencer os donos da casa em Assunção.  Porém, mesmo diante desse cenário o escrete canarinho esteve envolvido no assunto político da semana. Por si só o futebol no Brasil movimenta paixões. Afinal o que somos? A Pátria de chuteiras? Vale a pena lembrar que o patriotismo tupiniquim sempre aflorou/aflora de quatro em quatro anos. Copa do Mundo sempre foi e sempre será o evento que para o país. A Copa que começa em junho e avança a julho é um período especial. Cada jogo da Seleção Brasileira, ou simplesmente Seleção é um dia a parte, feriado nacional. Aquele que nunca ousou macular seu corpo com cores que não seja a do seu time do coração, na Copa é até tentado a vestir uma camisa amarela, em dia de jogo da Seleção. Esse articulista que vos escreve, prefere o preto e branco, número 8 de Sócrates, o médico, não o filósofo, só para constar. Mas, há aqueles que gostam da amarelinha. Canarinha que fora sequestrada nos últimos anos, por grupos de direita extrema no Brasil. E aqui, depois desse longo prólogo chego ao objetivo desse texto:  Falar que a Seleção tirou a “farda” das hordas de extrema direita no país, ao recusar o espectro de defensora do bolsonarismo. Os jogadores não são contra a Copa América, pelo contrário, como trabalhadores do futebol, os atletas não conseguiram ainda articular um movimento de rebelião contra os seus patrões, que são os verdadeiros magnatas do futebol, esporte mais popular do mundo e que movimenta trilhões de reais. O que existe nesse processo é uma busca de retomar e aproximar a Seleção da maioria das pessoas no Brasil. Os jogadores brasileiros, ainda que hoje tenham acesso as mercadorias do modelo de produção social, são na sua maioria pessoas que vieram de bairros pobres. São pessoas negras, que encontraram no futebol uma alternativa a fugir da pobreza. Eles podem até terem ascendido socialmente, mas as raízes são da periferia, as músicas, o churrasco, os gostos são da periferia.

Jogar uma Copa América no Brasil é motivo de orgulho para esses jogadores. Ao contrário de setores da esquerda, que são contra a Copa América no nosso país, eu tenho uma posição bem evidente sobre isso. Nossa pauta não pode ser, a reboque da direita golpista, ser contra a Copa América, sobretudo num momento em que o futebol brasileiro está sobre ataque; nós que temos os melhores jogadores do mundo, e sofremos com o boicote das nações imperialistas aos nossos jogadores, e vale a pena lembrar que nosso principal jogador, mesmo desempenhando um excelente futebol, Neymar foi preterido pelo ensosso centroavante polonês Robert Lewandowski, como melhor jogador do mundo em 2020. Nós temos o dever de defender o futebol brasileiro, e a beleza e maestria do futebol latino-americano. E fora das quatro linhas, nós devemos continuar a nossa luta por vacina para todos, auxílio emergencial de 1 salário mínimo e o fora Bolsonaro. Essas são as nossas verdadeiras pautas. Pois somos “loucos por ti América”.  Que venha a Copa América.

*É Professor, Mestre e  corinthiano.

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