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De Canhota, Uma Análise do Caso Neymar

 Edergênio Vieira*

“Não existem fatos, apenas interpretações” o postulado ora exposto pertence a Jacques Derrida. Derrida é um filósofo francês, sua área de atuação é mais especificamente a linguagem. Derrida é um filósofo da linguagem. Construiu o legado dele, contribuindo para o próprio fim da Metafisica Clássica. É na Metafisica Clássica onde está o lugar de nascimento da filosofia. O filósofo francês vai exatamente lá nessa Metafísica Clássica para desconstruí-la. O problema de Derrida, a ferramenta com que ele trabalha é o texto. Enquanto o mundo acadêmico caminhava especificamente somente para um lado. Como a correnteza de um rio manso e calmo, como uma boiada a caminho do matadouro. Pois bem, nesse momento histórico Derrida, propõe abandonar a fala, enquanto objeto de estudo da Filosofia da Linguagem, numa oposição ao pensamento da época, e passa a trabalhar com o texto. Era uma das primeiras desconstruções de Derrida e funda o Desconstrucionismo. A escolha de Saussure estava certa por linhas tortas, o caminho do pensamento da Linguagem era o texto, e não a fala. O filósofo francês com esse caminho à desconstrução nos deixou um legado enorme na Filosofia da Linguagem: “Não existe fatos, apenas interpretações”.

Eu agora lhe convido a ler a minha interpretação do caso Neymar. Mas não a minha interpretação, e sim a minha interpretação à Esquerda do Caso Neymar. Ou pode chamar também de a Minha Analise Marxista do Caso Neymar. Pois bem, temos duas personagens que dispensam apresentações. São o assunto de 9 em 10 rodinhas de conversa. No jantar da família, na reunião do trabalho, no Palácio do Planalto, no grupo de whatsApp do futebol, enfim em todo e qualquer lugar. Primeiro vou falar da mulher, não da Najla especificamente, mas da mulher Najla. Para isso utilizo uma frase bem simbólica de Simone de Beauvoir, “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.” Os desavisados logo condenaram Beauvoir, porque interpretaram equivocadamente sua linha de raciocínio. Quando Simone diz que ninguém nasce mulher é porque para ela a mulher não teria um destino biológico, ela é formada dentro do habitus dela, ou seja, dentro de uma cultura que define e delimita o papel social dela. Ou qual papel ela vai assumir na vida social. Numa sociedade de base patriarcal como a nossa, as mulheres ocupam papeis socias não definidas por elas, e sim pelo os homens. Ainda que muitas mulheres, assim como Simone de Beauvoir fez, transgrediram e romperam as amarras sociais do patriarcado, uma enorme quantidade de mulheres brasileiras ainda estão aprisionadas em papéis sociais de mães, esposas, donas de casa, empregada doméstica, faxineira, professoras e prostitutas. Quando Simone diz que a mulher não existe, ela luta contra isso. Ela quer uma mulher livre, livre do patriarcado. Uma mulher que tenha a liberdade de não ser mãe, caso não queira ser, ou mesmo o direito de não se casar e não ser taxada ainda hoje de “solteirona” ou de “titia”. Mulher não precisa casar, para se tornar mais mulher. Mulher é mulher sem o homem. É por isso que Beauvoir lutava. E o que a Najla tem a ver com isso? Simples, numa perspectiva a esquerda do fato, ela é fruto dessa construção social da mulher, que a coloca numa situação de venda do próprio corpo, pelo ideal da mulher à venda da sociedade capitalista, da loira de olhos claros que pode ser vendida como qualquer produto na sociedade. Najla foi educada para ser um produto. Ela sofre aquilo que Georg Lukács chama de reificação.

Já Neymar a outra personagem da analise marxista do caso é um novo rico. Neymar já era jogador remunerado aos 14 anos de idade. O que ele ganhava nessa idade um pai de família pobre não ganha para sustentar a casa. Bem, isso não faz dele uma má pessoa. Neymar nasceu para jogar bola. Ainda que vacilão as vezes no geral é bom jogador. O problema dele é fora de campo. Sua carreira é má gerenciada. Outras pessoas o construíram, ele também é um produto. Mal gerido é claro. Não que Neymar não pense, ele pensa sim, no entanto ele é como o Bolsonaro: “E não entendo de economia”. Neymar “Eu só sei jogar bola.” Não sabe nada de carreira de jogador. Mas Neymar ainda que bom menino, sabe que o corpo da mulher está[A1]  à venda. E ele pode comprar qualquer corpo que quiser. Ele é o Neymar. O Brasil parou para falar da vida dele. Os meios de comunicação constroem a ideia de que ele não é apenas um jogador de futebol, é um popstar. Por quê? Neymar tem patrocínios milionários, que são veiculados nesses meios de comunicação, as vésperas de uma Copa América, ainda que a seleção canarinho não mereça mais o nosso prestígio a Seleção é um produto. O maior investimento da Rede Globo de Televisão é o futebol. Ainda que não escrevessem sobre o futebol tanto Adorno quanto Horkheimer discorreram sobre isso ao falar do termo Indústria Cultural na Escola de Frankfurt. A Seleção é um produto cultural do brasileiro. Mas a Seleção enquanto time é só a sobra do esquete canarinho de outros tempos. A Seleção é apenas o Neymar. O novo rico mimado. Que quando rala o joelho no parquinho, recebe a visita do presidente. E é preciso desconstruir a ideia da mulher no Brasil, vi muitas mulheres reproduzindo os velhos discursos machistas e patriarcais sob o caso. Isentando Neymar e colocando toda a culpa em Najla. Recomendo a elas que conheçam um pouco da obra de Derrida, isto irá ajuda-las “a torna-se mulher.” Beauvoir

*É mestrando em Linguagem e Tecnologia pela UEG, colunista do Cartas Proféticas.

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