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Decisão de Rodrigo Pilha de fazer greve de fome é justa e merece nossa solidariedade

O militante e combatente da democracia,  companheiro Rodrigo Pilha, é lutador desde sempre.

Pilha nunca se limitou a ser cabo eleitoral nem escada para ninguém. Ele sempre vislumbrou lutar pela construção de sociedade justa, sem explorados, exploradores e sem fascistas genocidas.

Indignado com a barbárie representada pelo governo fascista e genocida de Jair Bolsonaro, Pilha fez o que tant@s patriotas fizeram por todo o país: estenderam faixas em seus carros ou, como ele e outros companheiros  corajosa e dignamente fizeram:  estenderam em Brasília uma faixa com a frase “fora, genocida”.

Todos foram liberados, mas Rodrigo por ser mais autêntico, ousado e amigo de amplos setores e lideranças nacionais foi preso e a decisão judicial que lhe permite progressão de uma falsa pena para trabalhar durante o dia e depois para responder a violência arbitrária de uma mentira contra ele e dormir em casa nem isso a polícia do holocausto respeita e o mantém preso sob humilhações, torturas,  afrontas ao judiciário e aos direitos humanos.

Tomo a liberdade de publicar a carta decisão de fazer uma greve de fome que pode matá-lo; Nela Rodrigo comunica seus familiares, companheir@s e povo brasileiro, além do protesto, narra as condições desumanas, fascistas e desrespeitosas da prisão nazista que afronta a dignidade humana.

É preciso que o povo, a OAB, o CONIC, a ABI, a CNBB, as lideranças no Congresso Nacional e fora dele se manifestem e tomem providências para salvar a vida deste patriota e punir severamente os criminosos que o perseguem.

Já fiz duas greves de fome e sei o quanto isso é doloroso. Há pessoas que humilham ainda mais quem ama o povo, a pátria e a vida ao ponto de entrega-la à causa da luta.

Quem não leu ainda leia abaixo a carta de arrepiar de Rodrigo Pilha, que devemos receber como endereçada a cada um de nós.

Salvemos Rodrigo Pilha!

Dom Orvandil.

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Brasília, 9 de julho de 2021 

Queridos familiares e amigos,

Após refletir bastante na última madrugada de cárcere, decidi que inicio a partir de hoje uma greve de fome sem data para acabar.

Tendo em vista que o Judiciário segue me proibindo de falar ,conceder entrevistas, e agora me mantém preso , mesmo eu tendo conquistado o direito ao regime aberto, optei por usar meu corpo e a resistência pacífica para protestar contra estes e diversos outros absurdos que seguem ocorrendo no sistema penitenciário do DF,por conta do autoritarismo policial e judicial. 

Bem mais que não desejar comer aquela lavagem que chamam de comida, entregue aos apenados, lá naquela espécie de campo de concentração contemporâneo chamado de “Galpão” , minha greve de fome tem o intuito de denunciar e chamar a atenção da sociedade para os maus-tratos, as péssimas condições de cumprimento de pena e toda a sorte de violações de direitos humanos que continuam a ocorrer dentro do sistema prisional do DF, sob a vista grossa de um Judiciário que muitas vezes lava as mãos, passa o pano e acaba sendo conivente com tais atrocidades.

Ameaças de castigo e agressões, xingamentos e maus tratos por parte de policiais penais, seguem ocorrendo, e  inquirições de apenados SEM a presença da defesa (fato que só comigo , já ocorreu em três oportunidades),são práticas corriqueiras.

As celas e alas seguem hiper lotadas, com pessoas dormindo por cima das outras, e até no chão sujo em meio a baratas e escorpiões.

O banheiro mais parece uma pocilga e os banhos de sol são de meia hora apenas.

 Castigos excessivos e por razões banais, com o mero intuito de causar a regressão penal dos presos, acabam por institucionalizar a tortura psicológica por parte do estado no cotidiano dos presídios.

A diretoria penitenciária de operações especiais (DPOE) é acusada de espancamentos gratuitos , mutilações e até de ser responsável pela morte de presos após a prática do procedimento chamado de “extração” ou “guindar” apenados.

Por fim, sei dos riscos que corro, mas estou convicto de que minha greve de fome é o mais acertado a se fazer neste momento, para trazer luz ao terror existente nos presídios do DF, e , lhes garanto que as mazelas do sistema prisional são bem mais radicais e maléficas à vida das pessoas do que a atitude que hoje adoto como forma de protesto.

Ante ao exposto e já que não me deixam falar, peço que FALEM POR MIM e divulguem ao máximo esta carta-denúncia,afim de que o maior número de pessoas saibam da barbárie que hoje impera no sistema prisional do DF.

“… podem me prender, podem me bater, podem até me deixar sem comer, que eu não mudo de opinião…”

Com os versos de protesto do sambista idealizador da “Voz do morro”,  Zé Keti, me despeço agradecendo a todas e todos por todo apoio e carinho recebidos até aqui.

Um forte abraço e hasta la Victoria siempre!!!

Com carinho,

Rodrigo Pilha

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