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Do jornalista Fernando Brito: ”Professores com medo de alunos delatores. Aula de fascismo”

Amigo ex juiz do trabalho Edno Araújo Brasil, São Paulo, SP
Com sua costumeira objetividade e beleza de texto, o jornalista Fernando Brito mira certeiramente uma das principais “fábricas”  de alienação, de coxismo, de fascismo, de falta de ética, de falta de respeito e de dedoduros de professores em que se constituíram as faculdades particulares.
A grande maioria desses estabelecimentos de ensino  não faz mais nada do que priorizar o levantamento do dinheiro cobrado dos alunos, para os seus donos não mais do que clientes que sempre têm razão, mesmo que mentirosos, fofoqueiros, preguiçosos, coladores,  medíocres e corruptos do diálogo honesto.
Escolas dos ensinos médio e “superior” são grandes responsáveis por jogar na sociedade pilhas de analfabetos políticos, que elas alegam bem formados para o “mercado”.
Os coxinhas saídos das salas de aula abominam estudar, são rasos intelectualmente, mas são “peritos” na cultura Ctrl e Ctrlv, que conhecem muito bem como copiar e colar textos inteiros do Google sem o menor trabalho de se quer lê-los.
Certos diretores, coordenadores e proprietários  de faculdades, mesmo os que ostentam títulos de mestres e doutores, esquecem de tudo o que fizeram na academia para prestarem um ensino estúpido e burro em troca de muito dinheiro, mesmo que tenham que perseguir professores críticos, estudiosos e comprometidos com a educação séria.
Pior ainda são os religiosos ditos cristãos transportadores de Bíblias debaixo dos braços e com textos decorados a bel prazer, sem o menos esforço intelectual para interpretá-los, que perseguem pessoas de igrejas e religiões diferentes das deles, principalmente os professores que estudam e que são críticos.
Pessoalmente sofri muitas perseguições dos colaboracionistas do neoliberalismo ativo  no ensino, dos donos de fábricas de idiotas.
Ensinei numa faculdade do interior, cujo coordenador geral levava de carro os professores da capital para o estabelecimento comercial de propriedade de um religioso. Durante as viagens o espetáculo de barbaridades políticas eram shows assegurados. As falas do dito “motorista” giravam entorno das noticias despejadas pela revista fascista “Veja” e por sua orgástica admiração pelos Estados Unidos, para onde enviara um filho para estudar. Aliás, a ida de seu filho para os Estados Unidos deu-se por uma articulação com um prefeito tucano.
Outro diretor enfia em salas de aula alunos seus “peixinhos”, amigos a quem oferece “bolsas” e até parentes para espionar professores.
Impressiono-me com o baixo número de alunos que me adicionam pelas redes sociais para debater textos ou preocupações com os rumos do Brasil, golpeado exatamente por corruptos e autores da tal “escola sem partido”.
As faculdades onde “estudaram” ou ainda “estudam” não os ajuda a perceber a realidade a partir de ferramentas que ampliem a análise crítica, que os possibilitaria a verem as causas da crise e a entenderem que vivemos sob um golpe de Estado e as razões da crise capitalista.
Posto abaixo o preocupante texto do jornalista Fernando Brito no seu blog.
  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Anglicana Centro Oeste e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

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Professores com medo de alunos delatores. Aula de fascismo

 Paula Ferreira e Renato Grandelle, hoje, em O Globo, mostram o legado juvenil da era do grampo e delação conduzidos à condição de “heroísmo” pelo Ministério Público, pela Justiça e pela mídia.
Contam a história de professores amedrontados, temendo estarem sendo gravados por alunos, em busca de “dedurá-los” como esquerdistas ou gays.
Até a cor da camiseta serve como pretexto:
Quando escolhe a roupa que usará durante um dia de aula, Miguel (nome fictício), professor de Português e Literatura de duas escolas privadas, deixa as camisas vermelhas de lado. Nas duas vezes em que as vestiu no trabalho, foi chamado pelos alunos de petista. Era brincadeira, mas ele não baixa a guarda. Os estudantes já se queixaram dos debates conduzidos por Miguel em sala sobre temas como racismo e homofobia. Outros docentes já passaram por situações mais dramáticas — tiveram trechos de aulas gravados e divulgados nas redes sociais, onde foram acusados de promover doutrinação ideológica.
A reportagem (que não achei na versão online) é uma sequência de monstruosidades. Entre elas as contidas no  site do movimento “Escola Sem Partido”: “uma aba chamada “Flagrando o doutrinador” estabelece comportamentos dos professores que os alunos podem identificar como doutrinação” e outra,  “Planeje sua denúncia”, ensina os alunos a registrarem falas dos professores que sejam “representativas da militância política e ideológica”.
Auxiliar de coordenação de um colégio da Zona Sul do Rio, uma educadora que também não quis se identificar recebe e-mails com denúncias sobre o conteúdo transmitido nas aulas. É, segundo ela, um fenômeno recente, mas que forçou mudanças na linha pedagógica da instituição.
— A escola está com menos liberdade de atuação. Até dois anos atrás, podíamos fazer uma videoconferência sobre qualquer tema que estivesse acontecendo no mundo. Hoje, temos que mostrar à direção, submeter à aprovação dos pais, analisar com que série vamos trabalhar — revela. — As famílias tinham mais confiança em nós.
São os filhos do Moro, os imbecis da “cognição sumária”, tão entupidos de convicções que não precisam aprender, debater, discutir ideias ou fatos.
Basta-lhes, como à Rainha de Copas de Lewis Carroll, apontar o dedo duro e gritar: cortem-lhe a cabeça.
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Um Comentário

  1. Eu, professora de História, estaria frita! Graças a Deus tô aposentada!

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