policias-desobedecem

Dois policiais tomam-se de patriotismo e rompem o status coxinha. Aleluia!

Querido conterrâneo Adv. Jorge André Irion Jobim, Santa Maria, RS

Tua participação na minha lista de amigos me puxa remorativamente para nossa Santa Maria, onde morei, lutei e fui preso pela ditadura militar e condenado à prisão por ser democrata e oposição ativa ao demônio que rebentava com nosso País. Alegras-me também por seres originário de Rosário do Sul, berço natal de meu pai.

Saudações, meu irmão de lutas!

A resistência ao golpe feito pacote do inferno com a PEC 55/2016, com as medidas recessivas e “destroça povo” no Rio de Janeiro com o desgoverno do golpista do PMDB, senhor Fernando Pezão, cresce esperançosamente. Tanto que hoje o usurpador e golpista MiShel Temer expressou preocupação que as manifestações patrióticas do Rio de Janeiro se espalhem pelo País. De modo sem vergonha e desonesto Temer pretende dar esmolas para os governadores estaduais fecharem as contas no pagamento do funcionalismo público.

Ontem à noite manifestantes fecharam uma via de acesso ao Palácio Alvorada também ocupado pela lama fétida dos assassinos da democracia. Queriam mostrar ao velho casado com uma “amorosa” jovem, que deu um lauto jantar noutro banquete da morte, da safadeza e da estupidez politica, pago com o dinheiro público, para expor aos canalhas e comparsas senadores, traidores e rasgadores da democracia, as vantagens da PEC 55 no assalto e no roubo dos direitos sociais da classe trabalhara, da educação e da saúde, negando a vida e o futuro do País.

No ambiente de lutas e de resistências capitaneadas por estudantes secundaristas, universitários e professores, com os trabalhadores urbanos e campesinos aumentando as mobilizações, o golpista entreguista começa a amolecer as pernas velhas de um regime neoliberal podre de injustiças.

Há tempo que instigo policiais civis e militares a se darem conta de que são usados como fantoches criminosos contra o seu próprio povo, de onde nasceram e por quem são sustentados, ainda que os governantes sejam safados e corruptos quanto aos seus direitos salariais e trabalhistas.

Pois ontem me emocionei com dois policiais patriotas cariocas que ousaram desobedecer as ordens coxinhas, que os obrigava a encher os olhos dos trabalhadores públicos de pimenta, de balas de borracha e até letais.

Como se sabe, coxinha é designação hoje atribuída à condição vil, covarde e ignorante de setores ditos de classe média, cujos trabalhadores se vendem aos endinheirados e patrões, se achando ricos. De tão vis não se dão conta de que também são discriminados pelos poderosos, que os vêm com desprezo. Ninguém respeita traidor de classe, nem mesmo os exploradores.

O conceito coxinha surgiu como carimbo social colado nas caras dos policiais que prestam serviços nas horas de plantão a proprietários de restaurantes, bares e outros com o objetivo de expulsar das redondezas de seus estabelecimentos os pobres e negros moradores das favelas e vilas. Chateados com seus ex-amigos e conhecidos de peladas e convivências, os expulsos chamam os policiais de coxinhas, porque  estes se acham superiores porque usam farda, armamento e, em troca da bajulação aos proprietários, ganham esse alimento feio e de baixa qualidade, verdadeiro lixo para a saúde.

E assim tem sido o comportamento facínora e traidor de grandes contingentes dos policiais. Comportam-se como coxinhas congestionados pelo ódio aos seus irmãos de origem, aos seus irmãos favelados, pobres e até com familiares que continuam a sofrer as agruras de um Estado que serve aos ricos e corruptos e vira as costas para quem o sustenta e também paga os salários dos coxinhas.

Trajando fardas e empunhando armas do Estado submetem-se acrítica e vergonhosamente a ordens de hierarquias partidárias de direita e de cor fascista. Sob essas hierarquias e dessas ordens aleijam manifestantes e até matam seus irmãos de Pátria.

Seguem o que o filósofo Thomas Hobbes (Inglês: 1588 – 1679) escreveu ao definir a origem da justiça praticada pelo rei. A justiça para Hobbes nasce da autoridade e não da verdade.

E que autoridades têm os que mandam funcionários públicos a negarem os direitos dos trabalhadores sob a pressão das armas do Estado?

Além de comandos de mentes perversas ideologicamente há no judiciário partidarizado gente como o promotor e “professor” em Piracicaba, SP, Jorge Alberto de Oliveira Marum, que chamou de vagabundo o jovem universitário Guilherme Neto, assassinado pelo pai em Goiânia. Sem conhecer a realidade da família e dos conflitos políticos sempre presentes na relação com o pai neurótico o “seo” Jorge Alberto de Oliveira Marum enche o peito de “autoridade” para julgar e dar veredito porque se acha no direito de assim o fazer só porque é conservador e de direita.

Da mesma maneira, procuradores da desastrada e antinacional força tarefa lava jato, numa comitiva suspeita comandada pelo evangélico fundamentalista, o “seo” Deltan Dallagnol, de Curitiba, se acham superiores à lei e à democracia para negociar (pressionar e chantagear) um dos piores e reacionários deputados, Onix Lorenzoni, para que o parlamentar golpista retirasse a investigação e punição de abusos por promotores e juízes do projeto a ser aprovado pela Câmara. Pior, acordo feito procuradores e deputado golpista, membro do partido dos proprietários rurais de direita, se juntaram para celebrar num almoço regado a what’s app a negociação espúria e imoral.

Assim como é complicado reconhecer como autoridade acima da verdade gente como Gilmar Mendes e os juízes de plantão contra a democracia e a luta pelos direitos sociais. Ainda bem que em seção tensa no STF no dia 16 de novembro o ministro que presidiu o golpe no Senado, Ricardo Lewandowski, enquadrou o ruralista neoliberal protetor de estupradores e imorais como praticante da falta de decoro.

Outrossim, nessa decadência de autoridade, como policiais e militares podem bater continência a alguém que usurpou o poder e, sem votos e sem dignidade, se arvora à autoridade acima da verdade e da democracia?

Penso que dois soldados da mais violenta e armada carioca, o Batalhão de Choque da Polícia Militar, ao abandoarem o cerco feito aos servidores públicos que ocupariam a ALERJ para impedir a molecagem criminosa do desgovernador Fernando Pezão ao querer esmagar salários e direitos dos trabalhadores públicos, merecem o nosso maior reconhecimento e respeito.

Ao perceberem a velha tática fascista e diabólica de jogar trabalhadores contra trabalhadores, numa carnificina lesa humanidade e lesa democracia, os dois disseram: “Não queremos mais participar disso” e saíram de onde estavam e se juntaram aos manifestantes após a polícia soltar bombas para impedir a entrada do povo na sua casa democrática.

Foram ovacionados pela atitude “rompe coxismo” tomada por quem passa a enxergar seus irmãos brasileiros e não mais ordens autoritárias emanadas de traidores.  “Parabéns, guerreiro”, disse  um que os acolheu na multidão. “Boa, Choque”, aplaudiu outro.

Esses dois policiais são exemplos para que outros homens e mulheres servidores da segurança e do judiciário patrioticamente façam o mesmo.

É preciso seguir o princípio de Gandhi que disse que leis injustas têm que ser desobedecidas. “Autoridades” coxinhas também, digo eu.

É preciso que os bons servidores públicos de todos os setores, principalmente da segurança e do judiciário, rompam com a sub condição humilhante do estado imoral coxinha. Todos são concursados e conclamados a se inspirar na Constituição que reza que todo o poder emana do povo, que o sustenta financeira e politicamente.

Tal ousadia ética rompe com o conceito das falsas autoridades que imaginam que seu autoritarismo conservador, seletivo e imoral é suficiente, mesmo contra a verdade que jorra da justiça social.

Ordens lesa humanidade, direitos sociais e Pátria jamais emanam da Constituição. São espúrias e devem ser desobedecidas. 

Parabéns aos dois irmãos brasileiros e patriotas! A história os reconhecerá! Aleluia! Que o exemplo de alto valor humano, social e politico dos dois policiais seja iluminação para o Brasil e inspiração para a escolha do lado justo na luta! 

Assim mais rapidamente desbancaremos o golpe e julgaremos os golpistas. Quem viver verá!

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapazbispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

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2 Comentários

  1. Prezado amigo Dom Orvandil.
    Tomo a liberdade de chama-lo por amigo porque jamais nos vimos, nunca nos falamos.
    Num primeiro instante poderíamos ter tudo para sermos adversários.
    Sou ateu convicto enquanto o Sr. é membro de uma das mais respeitáveis denominações cristãs. Ao longo dos tempos só esta condição nos colocaria em lados opostos, viscerais inimigos.
    O acaso e curiosidade me fizeram ler seus artigos publicados no Brasil 247 no ano passado. Surpreendi-me ao encontrar neles mais, muito mais aspectos de pensamento em comum do que elementos que pudessem nos separar. Hoje, eles (seus artigos) se tornaram fundamentais para elaboração de meus posicionamentos.
    Sou um comunista ( com o orgulho que me permitir a modéstia) almejo e trabalho cotidianamente por uma sociedade justa, solidária, fraterna. O que para alguns é utopia pra mim é missão. Sou portador de uma convicção não dogmática de que é possível.
    Encontrei em seus textos a mesma certeza. Descobri um religioso plural, para quem a religião não deve ser alienante, mas instrumento de luta e libertação.
    As recentes declarações do Papa Francisco sobre o comunismo me levam a crer que queremos a mesma coisa que os verdadeiros cristãos. O que nos difere é o caminho a ser percorrido, vocês caminham com Deus e nós sem ele.
    Vivemos tempos sombrios, onde a cultura do ódio tem estimulado que monstros saiam de suas cloacas putrefatas para ameaçar-nos com o velho nazi-fascismo. Entristeço-me com a banalização do preconceito, com as exaltações racistas, homofóbicas, etc.
    Lendo seus artigos percebo que nem tudo está perdido, e não desisto de continuar sendo sujeito histórico. Não tenho dúvidas que estamos de braços dados trilhando um mesmo caminho, onde a liberdade, a democracia, a dignidade da pessoa humana e a paz são valores primordiais.
    Ainda que não compartilhemos o reino dos céus, compartilhamos a luta no mundo dos homens. Resistir é preciso.

    Sincero e fraterno abraço

    • Prezado camarada-irmão Dorismar Couto, suas maravilhosas palavras carregam o sentido da intuição do amigo sobre o núcleo ideológico dos meus textos. Somos muito mais iguais do que o camarada imagina. Na verdade, nos unimos muito mais pelos caminhos da história deste mundoo dos homens e das mulheres do que pelas quimeras dos pregadores do reino abstrato e favorecente da opressão e das injustiças sociais. Sou-lhe infinitamente agradecido por contar com sua leitura extremamente honrosa para mim. O amigo me honra muito, cria-me" Por favor, continue a comentar aqui e contribuir com suas - nossas - ideias. Forte e solidário abraço, camarada!

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