dom jaime e o capitalismo

Dom Jaime Spengler, entre a cruz e a espada: um profeta brasileiro

“O Evangelho sempre vai impactar, sempre vai ser pedra de tropeço no modo usual e comum de pensar. Ele tem uma conotação profética e o profetismo incomoda. Neste sentido, poderíamos dizer: ai de nós, se não incomodarmos!”

A entrevista de Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, da Arquidioce da Igreja Católica Romana, é rica em reflexão e denúncia.

Ao responder as perguntas do repórter Marco Weissheimer do site Sul 21, Dom Jaime ziguezagueou entre instigações mais conflitivas e o refúgio para uma posição conservadora e politicamente cautelosa. Quando nesta faze jamais denunciou a verdadeira causa do caos, da decadência e dos riscos de o Brasil afundar numa guerra civil de proporções imprevisíveis,

Como profeta, ainda que envergonhado e tímido, o arcebispo aponta para a concentração de renda em pouquíssimas mãos no Brasil, graças ao golpe, causado pelo fenômeno que ele não identifica com profundidade. Mostra o aumento escandaloso da pobreza, da miséria e dos desempregos.

Ainda sem conseguir evidenciar que sabe qual é a causa da desgraça que se abate sobre o Brasil, a mesma que desaloja 250 milhões de pessoas a buscar um pedaço de terra para viver no mundo.

Tímido na denúncia,  avisa que o mundo já faz guerra por causa da escassez de água, roubada pelos poderosos.

Preocupado com o golpe e a crise no Brasil, crítico à sopa de partidos com projetos oportunistas sem nenhuma preocupação com o país, Dom Jaime Spengler propõe profeticamente o que pensar ser as soluções: o discernimento que vai do entender o que queremos falar,  compreendendo-nos pelo diálogo até chegarmos a um projeto de nação, coisa que falta aos que exercem o poder, segundo ele.

Dom Jaime manifesta vontade do exercício profético. Ser profético significa denunciar a realidade opressora dos que geram miséria e sacrifícios injustos para os pobres. Mas também significa anunciar saídas, que são o diálogo e todos sentarem juntos para o grande debate na construção de um projeto de nação.

Porém, é preciso avançar na denúncia da causa real dessa crise,  que não é somente conjuntural, do momento por causas sazonais, mas é de caráter estrutural.

É o capitalismo orgânico que beira ao colapso, arrastando a todos para o abismo. O capitalismo é necessária e profundamente injusto. Tem que ser eliminado no Brasil e no mundo inteiro. É ele o responsável pela concentração de riquezas em poucas mãos dos que não trabalham e ainda tratam mal e injustamente os trabalhadores, a cujas custas vivem.

Porém, ler a entrevista de Dom Jaime Spengler, inteligente, culta e bem refletido nos dá um “ar” de esperança, bem diferente das agressões do privatista Fernando Henrique Cardoso, que agrediu os pobres chamando-os de coniventes com a corrupção dos que que lutam por políticas públicas inclusivas, segundo FHC  são populistas.

É bom ler Dom Jaime depois de sermos desrespeitados pela madame branca e estimuladora do fascismo, a dona Rozângela Moro, que incentiva o ódio contra Lula e chama também as ações de governo a favor dos pobres de esmolas.

Acesse aqui íntegra  da entrevista de Dom Jaime Spengler.

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