dia 22 de março_greve geral

É hora de os trabalhadores tomarem consciência, saírem da zona da covardia, da apatia, da influência da direita,  lutarem pelos direitos e pela vida ameaçados

Meu querido amigo Heitor Schmidt, ator, dublador, radialista e teatrólogo, São Paulo

Sempre que te vejo me recordo com saudade de nossos tempos de luta em Cruz Alta, RS.

Com teu grupo teatral ensaiavas no salão paroquial com meu apoio, incentivo, admiração e solidariedade.

Não demorou para que a ditadura,  com auxílio dos maus cristãos da igreja, acusasse o teu grupo de terrorismo e, pelos milicos fascistas, era preferível ver os jovens de teu teatro mortos do que inteligentes, artísticos e estudiosos. Lembro-me de que sai em público em defesa de vocês. Escrevi artigos no principal jornal da cidade e publiquei notas em solidariedade a vocês, mas não os abandonei como queriam os inimigos da juventude e da arte.

Isso me deu muita incomodação no conselho local da igreja. Torraram a minha paciência com mentiras e calúnias contra vocês. Paguei o preço do desgaste, mas aprendi cedo que frequentar igreja, para muita gente, não tem nenhuma  relação com o cristianismo nem com a fraternidade.

Restou disso tudo a nossa preciosa amizade e minha admiração ao teu trabalho em teatro, novelas, seriados e filmes de repercussão.

Pois hoje revivemos aqueles anos sombrios de calúnias, miséria da solidariedade e pisoteamento da liberdade, do respeito e dos direitos.

Parece uma peça de terror, mas desgraçadamente é real o que vivemos.  É a realidade triste de um script escrito pelo imperialismo internacional.

Desastradamente os atores dessa tragédia são os trabalhadores, a classe operária.

Milhões de trabalhadores foram engolidos pelos sonhos consumistas burgueses e trabalham somente em troca do poder de compra e nada mais.

Em termos de informação e formação da consciência, obrigação de classe, os trabalhadores se contentam e engolir as lavagens e mentiras fake news da mídia colonizadora. Acreditam em tudo o que dizem os donos do capital roubado, ao ponto de fazerem julgamentos apressados e servirem de bucha de canhão das decisões anti interesses econômicos e sociais de sua própria classe.

Politicamente são apáticos e paus de arrasto da burguesia do mercado. Pensam que política é só votar de dois em dois anos nos candidatos da burguesia,  que aparecem batendo nas costas, fazendo promessas e cheios de risos de hiena.

Os trabalhadores, como massa de manobra de golpistas poderosos invisíveis, se fazem atores do teatro de horror que o mercado impõe como espetáculo vivo ao jogarem os trabalhadores contra os trabalhadores.

Assim, votam na direita,  contra sua própria classe e seus interesses mais profundos como emprego, direitos trabalhistas e contra a sagrada aposentadoria.

Em 2018 milhões de trabalhadores, mesmo avisados em seus sindicatos e centrais sindicais, votaram contra si ao entregarem seus votos ao fascismo laranjal e miliciano.

Surdos e cegos não ouviram nem viram ninguém nos alertas de que o país corria o risco de, através das eleições maculadas e manipuladas, se tornassem palco para os fantoches e charlatões do imperialismo que nos desgraçam agora,  principalmente a classe trabalhadora, vítima da decomposição capitalista.

Vi trabalhadores empunhando cartazes com propaganda de Bolsonaro. Ouvi muitos deles brigando em toda a parte pelo mito, que rapidamente derrete na podridão e mau cheiro do lixo que sempre foi.

Agora vejo e ouço muitos da classe operária, eleitores do atraso, arrependidos, envergonhados e cabisbaixos. Já vi muitos até chorando de tristeza pelo que ajudaram a fazer contra a pátria e contra os seus próprios interesses.

Aviso a quem me lê que arrependimento, choradeiras, lamentações, depressão, bebedeiras e desespero não adiantam de nada. Isso pode ser classificado como alienação podre e covarde.

A única saída para desse desastre e da peça de horror ensaiada e apresentada pelos trabalhadores é a luta.

A chance se apresenta já nesta sexta feira, dia 22 de março de 2019.

As principais centrais sindicais, mesmo singrando águas turvas, ondas pesadas de desunião, de desemprego, de perseguição deliberada do inimigo Jair Bolsonaro e sua tropa de charlatões, esboçarão uma greve geral contra a destruição da CLT, da Constituição e da Previdência, arrastando pelo ralo o mais sagrado direito à aposentadora, conquistado pelos trabalhadores do passado.

“Em várias cidades do Brasil, panfletagens, atos, manifestações e assembleias serão realizadas na próxima sexta-feira, 22 de março, o dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência”, conclama a CUT.

“A data marca a resistência dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil contra o fim do direito à aposentadoria, que é o que vai acontecer se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019, da reforma da Previdência de Jair Bolsonaro (PSL), for aprovada pelo Congresso Nacional, onde está tramitando.

Sérgio Nobre, Secretário Geral da CUT, afirma que a data é um dia de alerta para que a classe trabalhadora se conscientize sobre a realidade do Brasil – de ataques aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras – e um esquenta para uma greve geral que deve acontecer, caso Bolsonaro insista em aprovar a reforma da Previdência.

“Temos um grande motivo para uma greve geral e 22 de março será um dia de alerta. A CUT e as centrais orientaram seus sindicatos, que estão dialogando com os trabalhadores sobre o que representa essa reforma. A sociedade precisa ter noção do que está acontecendo”, diz o dirigente.

Entre as principais perversidades da proposta estão a obrigatoriedade da idade mínima para aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para mulheres, o aumento do tempo de contribuição 15 para 20 anos e o fim das condições especiais para trabalhadores rurais e professores terem direito ao benefício. A PEC da reforma da Previdência ainda traz a possiblidade de ser implantado o regime de capitalização, em que o trabalhador contribui mensalmente, em uma conta individual, administrada por financeiras privadas” (CUT).

Não há mais o que esperar. A luta, começando com esse alerta das centrais sindicais, é o único caminho que impedirá o povo brasileiro de virar milhões de miseráveis, pobres, doentes e morrendo antes da aposentadoria indigna que esse desgoverno prepara contra os trabalhadores.

Sou consciente de que as palavras iniciais aqui são duras. Porém, os explorados e sofridos trabalhadores, se não lutarmos agora, enfrentaremos dias muito mais duros, tenebrosos e infernais.

Temos uma chance que pode ser agarrada, construída, corrigida e enfrentada pela classe trabalhadora, que poderá derrotar o seu inimigo de classe.

Este inimigo de classe não brinca. Ele é satânico e tem prazer em mentir para destruir nosso povo e nosso país.

Abraços críticos e fraternos. Vamos à luta! Que ninguém solte a mão de ninguém!

Dom Orvandil.

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