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Em Anápolis, homens, negros e jovens são os que mais morrem

Edergênio Negreiros Vieira*

O ranking anual do Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), aponta que Anápolis apresentou uma taxa maior de homicídios, do que a média dos 100 maiores municípios brasileiros, figurando na 85ª posição. De acordo com os dados o número de homicídios em Anápolis passou de 93, em 2009, para 146, em 2019, uma variação de 57,0% no período. As maiores vítimas no município são homens, 92,5% em 2019, negros ou pardos, 61,0%, e jovens, 52,1%. Vis-à-vis, estima-se que 72,6% dos homicídios no município naquele mesmo ano tenha envolvido o uso de arma de fogo.

Venho ao longo da minha trajetória acadêmica estudando esse tema, e cada vez mais estou convencido de que a morte de jovens, negros, pobres é naturalizada pelo Estado brasileiro. Esse genocídio da juventude negra é a continuidade do processo da necropolítica do Estado, que atinge em cheio as periferias do Brasil.

A necropolítica é pensada a partir de Foucault, quando ele analisa a formação dos Estados nacionais, desde o século XIX. De forma resumida, Foucault denuncia que esses Estados ou são Estados segregacionistas (África do Sul e EUA, por exemplo), ou são Estados racializados (hierarquias sociais estabelecidas por meio da raça, raça no sentido social é evidente) (Brasil como exemplo), dentro dessa lógica o racismo será compreendido como uma tecnologia de poder. O biopoder do Estado está no direito de decidir quem morre ou quem vive. Para citar Mbembe a decisão de matar se articula com o apelo à “exceção, à emergência e a uma noção ficcional do inimigo. ”, que são reiteradamente formuladas e reinventadas pelas práticas políticas.

Em outras palavras, o racismo estrutural brasileiro, legítima o extermínio de jovens negros e pobres, através de construções simbólicas, amparadas pelo Estado e seus aparelhos ideológicos. Não indigna a sociedade brasileira, que milhões de jovens negros morram todos os anos, vítimas da violência, exatamente porque a sociabilidade brasileira foi forjada numa sociedade escravocrata e racista, que sempre matou e dizimou corpos não brancos. A pergunta é até quando?

´*É Mestrando em Educação, Linguagens e Tecnologias (PPG-IELT-UEG), professor, poeta e escritor.

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