papa-francisco

Em tempos de crise, de conflitos e de lutas o Papa Francisco se reúne com organizações de base

Cartas Proféticas - Por Dom Orvandil.

As igrejas, inclua-se a Católica Romana, vivem espantoso impasse entre o abismo que se abre entre os cada vez mais ricos e poderosos e os pobres, cada vez mais abandonados  e miseráveis.

Contingente assustador de cristãos confessos abandona o projeto inaugurado por Jesus no século primeiro de nossa era e se joga nos braços do seu algoz, os Herodes de hoje representado pelo império internacional capitalista, decadente, cruel e sem senso de equidade.

Na linha de frente ao lado do belicismo, participantes dos interesses antiecológicos, antisociais, preconceituosos e injustos muitos cristãos aderem ao fundamentalismo e até ao fascismo como reforço ao extermínio dos direitos básicos dos pobres e dos trabalhadores.

Do outro lado se levanta a voz profética, forte, calma e intermitente do Papa Francisco,  em defesa da mãe terra e dos pobres que por dela são criados e pelos poderosos saqueados e jogados à margem da vida digna.

Certamente o Papa tem consciência de que o sistema capitalista se esgotou como também esvazia de vida e de dignidade a tudo e a todos em quem toca. Sabe que se impõe superar esse sistema satanicamente iníquo por ser gerador de poderosos que pisam, esmagam e amarrotam os pobres, espalhando no mundo bombas e cadáveres de refugiados e sem pátria.

Francisco move-se pela consciência e pela sensibilidade de que ninguém liberta os pobres e os trabalhadores de cima para baixo; de que os messias carismáticos são limitados e concentradores de interesses e disputadas.

É aí que o profeta abre as portas do carcomido Vaticano para abrigar os pobres e para encorajar a luta a partir deles com cujas  lideranças “se reuniu nesta terça-feira com representantes de organizações de base dos cinco continentes e os encorajou na luta para que todos as pessoas tenham acesso “à terra, moradia decente e trabalho digno”, informa a Revista Exame.

“Durante o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, que reúne até amanhã, em Roma, 200 representantes de uma centena de organizações de base de todo o mundo para analisar as causas da exclusão social, o papa lamentou que pelo fato de falar destes três conceitos possa ser tachado de “comunista”, apesar de lembrar que “o amor aos pobres está no centro do Evangelho” e que “não responde a nenhuma ideologia”, conforme informou a “Rádio Vaticana”.

“Digamos juntos de coração: “Nenhuma família sem casa!”, ” “Nenhum camponês sem terra!” “Nenhum trabalhador sem direitos!” “Nenhuma pessoa sem a dignidade que dá o trabalho!”, falou o papa”, continua a Exame.

Num testemunho emocionante  “à Agência Efe, Sergio Sánchez, participante do encontro e conhecido na Argentina como “o catador de papel do papa” pela amizade que tem com Francisco, explicou emocionado que o pontífice os encorajou a continuar lutando por um “mundo mais justo”.

Ele teve a possibilidade de contar a Francisco sua história pessoal, a de um portenho que há quase 15 anos se dedica a reciclagem, depois que perdeu seu emprego em 2001.

Hoje, ele lidera uma cooperativa que realiza ações em para pessoas com baixa renda e, em maio desse ano, se uniu à greve de fome que moradores dos bairros periféricos de Buenos Aires fizeram para reivindicar a urbanização das zonas mais pobres da capital.

Ao término do encontro Joaquín Sánchez, representante do movimento social Plataforma dos Afetados pela Hipoteca (PAH) da Espanha, garantiu ter se sentido “abraçado” pelo pontífice, que durante sua fala também defendeu o direito à moradia e a “uma democracia real e dos povos”.

Os movimentos populares, por sua vez, transmitiram ao papa algumas das conclusões que foram recolhidas, até o momento, e que abordam a violação dos Direitos Humanos, os despejos de inquilinos, o trabalho precário e “a soberania alimentar”, ou seja, a terra concentrada nas mãos de poucos. Francisco, segundo os entrevistados, incentivou os representantes a “seguir lutando por um mundo novo” e estes, por sua vez, pediram “uma aposta mais clara pelos pobres”.

Como chefe indígena, da etnia aimara, também esteve presente durante esta jornada o presidente da Bolívia, Evo Morales, o único líder que participou deste encontro e que, por isso, falou durante o ato para saudar publicamente o papa e os demais participantes”. Leia a íntegra dessa reportagem na Revista Exame.

Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Um comentário

  1. Nessa brutal crise as igrejas se embretam na necessidade de tomar posição. O Papa Francisco é uma das vozes mais adequadamente cristãs na defesa dos pobres e dos trabalhadores. Acesse e compartilhe o link do Cartas Proféticas: http://cartasprofeticas.org/em-tempos-de-crise-de-conflitos-e-de-lutas-o-papa-francisco-se-reune-com-organizacoes-de-base/

Deixe um Comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.