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Embrapa demite concursado que denuncia desmandos na empresa

Pesquisador demitido da Embrapa depois de longo processo de perseguição iniciado ao término de sua gestão na presidência do Sindicato

Mauro Rubem*

Como sindicalista e presidente da Central Única dos Trabalhadores no Estado de Goiás (CUT), recebi com indignação a notícia da demissão do pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Vicente Almeida.

Vicente ingressou na Embrapa em 2005, por meio de concurso público e tem uma vasta produção científica sobre impacto dos agrotóxicos na saúde e ambiental. Ocorre que o engenheiro agrônomo é também secretário Agrário do PT e já foi presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agrário (Sinpaf).

Isso, por si só, já é suficiente para irritar os dirigentes da Embrapa em tempos de golpe. Mas a gota d’água foi Vicente cumprir sua tarefa como pesquisador e dirigente sindical e denunciar abusos, desvios e irregularidades trabalhistas, ambientais, financeiras e administrativas na empresa, além de práticas de assédio moral, trabalho degradante e perseguição a dirigentes sindicais. Tudo comprovado e fartamente documentado.

Foi o que bastou para Vicente Almeida ser demitido de forma arbitrária, sem nenhuma motivação a não ser o infame “crime de opinião”, muito comum nas ditaduras e ressuscitado pelo golpe. Um dos principais motivos alegados para esse ato extremo teria sido uma suposta quebra dos Códigos de Conduta e de Ética. De acordo com a Embrapa, ao reiterar as denúncias às autoridades competentes, ele estaria impondo desgaste à imagem da empresa.

Trata-se de um flagrante caso de arbítrio promovido pela direção da Embrapa, interessada em cercear a voz dos trabalhadores. Por isso a CUT Goiás repudia veementemente a demissão de Vicente Almeida e exige sua imediata reintegração aos quadros da empresa.

Como bem disse a presidenta do PT-DF e deputada federal Erika Kokay, a censura é a arma dos covardes que desprezam a democracia e o diálogo civilizado. Ao Vicente toda a nossa solidariedade e esperamos que a Embrapa reflua dessa decisão que compromete, aí sim, a imagem da empresa.

* Mauro Rubem é presidente da CUT Goiás e ex-deputado estadual pelo PT

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