macacos_enchente

Entre muros, pontes e barragens quebradas e inundações o Brasil humano se afoga e morre

Acesso ao distrito de Macacos, em Nova Lima (MG), foi interrompido pela água - ©Arquivo da Comunidade / Publicação autorizada

Quando sobem as águas e crescem as enchentes e inundações;  quanto barreiras caem sobre casas e automóveis matando pessoas; quando cidades inteiras desaparecem sob as águas, como na Bahia e em Minas Gerais,  vê-se pessoas abandonadas, muito mais pobres porque quebradas e sem alternativas.

Na esteira de tantas cidades afogadas e destruídas,  a história de projetos econômicos falidos e de governos que trataram somente dos privilégios dos que não são tocados pelas tragédias, tranquilos nos altos das montanhas e à beira mar, desfrutando das melhores paisagens, oculta-se o sistema capitalista, que nega dignidade aos sacrificados de nosso povo.

Desalojamentos, multidões expulsas de suas precárias casas, muitas sobre verdadeiras armadilhas, como únicos lugares para morar, sem nos referirmos objetivamente às centenas de desaparecidas, muitas levadas pelas águas, outras sepultadas nas lamas que descem dos morros, são pessoas atropeladas pela injustiça.

Enfim, em cada temporada de chuvas o Brasil se mostra real o seu abandono público, no descuido dos seus trabalhadores e na fragilidade de seus pobres.

Não é somente na Bahia e em Minas Gerais que nosso povo sofre com inundações e sérios danos às vidas humanas, em vários lugares do pais as estradas, pontes, iluminação elétrica e água potável são abalroadas pelas tragédias. Isso se verifica no seco, ressequido e incendiado Centro Oeste, notadamente o Estado de Goiás, com pessoas, escolas,  propriedades e animais afundados pela água.

Nada é casual nem praga do inferno. Tudo é projeto com o país afogado e morrendo, de um lado, e, de outro, mafiosos ladrões dos lucros acumulados vivem nababescamente, sempre irados quando governos de caráter popular e nacional aparecem para estender a economia em forma de infraestrutura e dignidade à população.

A situação é cada vez mais insustentável. Não é mais tolerável períodos de calmaria intercalados por outros maiores de infernos e desgraças, provocados por políticas públicas neoliberais que não visam o desenvolvimento e cuidado com as pessoas e o meio ambiente.

A reportagem da Jornalista Nara Lacerda do Brasil de Fato/ São Paulo testemunha a situação de profunda injustiça, causada por este modelo econômico e de país, imposto pelo neoliberalismo. Ela escreve que um “muro construído pela Vale causa obstrução de pontes e isola habitantes em Macacos (MG)”.

Continua Nara a narrativa do caos causador de tanta tragédia: “mineração já havia causado estragos no sábado (8), quando dique da Vallourec transbordou em Nova Lima (MG)”, descreveu em reportagem do dia 09 de Janeiro de 2022.

A reportagem continua com a lamentável e impunível participação de mineradoras na provocação de barragens sem planejamento, obstrução de rios e de lagos e até com muros obstaculizando as águas, que deveriam ser de uso comum que, por ocasião das chuvas, viraram bombas molhadas na destruição dos patrimônios e vidas das populações.

É de arrepiar de raiva e indignação o caso contado por uma moradora a respeito do desrespeito a ex estatal Vale do Rio Doce que, ao ser entregue ao mercado, se transformou em bomba mortal contra os moradores e as vidas nos rios.

“Com a chuva dos últimos dias, o nível da água aumentou e não há vazão. Imagens da comunidade local mostram a água próxima a residências e, ao fundo, a contenção provocada pela muralha da Vale. O distrito fica a cerca de 30 quilômetros de Belo Horizonte e está na região em alerta vermelho para tempestades, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia”, escreveu a jornalista Lacerda.

“A única rota de fuga segura que nós temos aqui, em caso de rompimento de qualquer barragem, a estrada Campos da Costa, está interditada. O que mais revolta é que a ponte está alagada não por causa da chuva, mas por causa do muro. Não estamos falando da tragédia das chuvas, mas sim de um cálculo mal feito”, ‘desabafa uma moradora que pediu anonimato, em entrevista ao Brasil de Fato’.

“A população que vive em Macacos, distrito de Nova Lima (MG), está ilhada por uma enchente que não escoa por causa de um muro de contenção construído pela mineradora Vale. A parede gigantesca é mais alta que um prédio de dez andares e foi construída no curso do Ribeirão Macacos para conter possíveis rejeitos da barragem B3/B4, da mina Mar Azul”, é o escândalo do desrespeito à população e denúncia de falta de governo com interesse regional e nacional.

Imaginemos o drama da situação desrespeitosa e angustiante de todo um povo: “com a chuva dos últimos dias, o nível da água aumentou e não há vazão. Imagens da comunidade local mostram a água próxima a residências e, ao fundo, a contenção provocada pela muralha da Vale. O distrito fica a cerca de 30 quilômetros de Belo Horizonte e está na região em alerta vermelho para tempestades, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia”, diz Nara.

“A única rota de fuga segura que nós temos aqui, em caso de rompimento de qualquer barragem, a estrada Campos da Costa, está interditada. O que mais revolta é que a ponte está alagada não por causa da chuva, mas por causa do muro. Não estamos falando da tragédia das chuvas, mas sim de um cálculo mal feito”, ‘desabafa uma moradora que pediu anonimato, em entrevista ao Brasil de Fato’.

“A estrutura foi construída como parte de um processo de descaracterização que começou há mais de dois anos, para encerramento das atividades de mineração no local. Em 2019, a B3/B4 foi colocada na lista de barragens com risco de rompimento no Plano de Ações Emergenciais de Barragens da Mineração.

Segundo ela, a mineradora não apresentou estudos de segurança levando em conta a quantidade de chuva que vem atingindo a região”, continua a repórter. “Nós não temos uma informação real. Caso a barragem rompa, com esse muro que já está transbordando de água, o que acontece? Que casas serão atingidas? Essas pessoas estão cientes do risco? É muita angústia.”

“Melina Borges, que também vive em Macacos, estava fora do distrito quando a água interrompeu o acesso. Ela tentou voltar para casa no sábado (8) a noite, mas não conseguiu passar do alagamento. Melina reafirma o temor de um rompimento nesse cenário. “O muro de contenção, construído para conter a barragem, está completamente cheio de água”, alerta”.


Melina Borges, em lágrimas, conta que a população está completamente desamparada. “É muito complicado. A Vale, desde que tocou a sirene, mantinha uma ambulância com uma equipe de saúde para casos de urgência. Eles retiraram esse serviço da comunidade. Neste momento, a comunidade está ilhada sem nenhum acesso à saúde, porque no final de semana a UBS não funciona”, conta Melina.

“A sirene da mina Mar Azul, mencionada por Melina, foi tocada em fevereiro de 2019 indicando perigo de rompimento. Na época, quase 200 famílias foram removidas do local. Desde então, a população vive aterrorizada com a possibilidade de uma tragédia. Um mês antes, o Brasil assistiu estarrecido ao desastre na barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, que matou centenas de pessoas”, noticia Nara Lacerda.

“No sábado (8), o transbordamento de um dique da empresa Vallourec inundou um trecho da BR-040 em Nova Lima (MG). Por determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM), a região agora também está no mais alto nível de risco de rompimento.

Carros e caminhões foram arrastados pela correnteza de lama. Na comunidade de Água Limpa, um rio e uma lagoa transbordaram no sábado e castigam as famílias. Ainda não há certeza de que a água é decorrente do transbordamento do dique, mas o fechamento da rodovia já causa impactos diretos à população, que também está ilhada”, conclui a reportagem. 

Levanta-se o grito de protesto e de alerta de que o sistema capitalista, com as decisões sociais privatizadas pelos grande negócios do mercado, não serve aos interesses e necessidades de nosso povo.

A realidade objetiva grita por outra lógica política na direção econômica dos interesses populares.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

*****************************************************************

PROGRAMAÇÃO DO CANAL E DO SITE CARTAS PROFÉTICAS

– Chimarrão Profético: todas as terças e quintas feiras, às 11 horas;

– Leitura Profética: todas as quarta feiras, às 11 horas;

– Fé e  Luta: todos os sábados, às 11 horas;

– Mergulho nas Notícias: todas as segundas feiras, às 10 horas;

– Arte e Vida: todas as sextas feiras, às 19 horas;

– Reflexão do Evangelho: todos os domingos (programa gravado);

– Vigília e Resistência: sextas feiras, às 11 horas;

– Impactos das Notícias: notícias analisadas a qualquer momento (ao vivo).

Apoie este projeto com sua doação  pelo  Pix domorvandil@gmail.com.

Acesse e leia mais. Compartilhe:

Inscreva-se, ative o sininho, comente, dê likes, compartilhe e apoie sempre!

Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe um Comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.