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Escritora Tânia Martins: “Muito se fala da classe média, mas ela existe, como assim?”

A escritora e ambientalista Tânia Martins pontua os pingos nos “iis” quando desmistifica a existência da calsse média.

Além de ser conceito meramente acadêmico como estatística a classe média é composta por trabalhadores melhor assalariados iludidos pensando que são ricos.

Mas não são proprietários dos meios de produção como máquinas, empresas e CNPJs que signifiquem grande capital e poder econômico.

“À luz marxista, ela se chama, muito apropriadamente, pequena burguesia e isto já delineia sua ideologia fundamental. Com a expansão industrial, marxistas viram surgir trabalhadores assalariados com remuneração muito acima da maioria dos trabalhadores e os chamou de aristocracia operária, cuja ideologia Marx detectou ainda mais reacionária do que os pequenos burgueses, e os referenciou até na monarquia! Quem são os aristocratas? São os trabalhadores com salários altos cuja função é manter os demais na forja diária, de preferência sem descanso. O resto do tempo destes trabalhadores é curtir a vida. Convivem tanto com a burguesia que se sentem “nela”, ou “dela”, lembra Tânia Martins.

Leia o artigo na íntegra abaixo.

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Atualmente, é grande o debate de que a classe média odeia o PT, que o PT errou ao tirar 36 milhões de pessoas da pobreza e as jogou na classe média, que odeia o PT, pq o PT é, como diz seu nome, da classe trabalhadora, mas, classe média, existe mesmo?

Vejamos: O conceito classe média tem servido a uma designação puramente acadêmica para fins estatísticos de cálculo de renda, mas dissemina muita confusão, porque lhe confere somente uma faixa de ganhos, sem o perfil ideológico, de classe, que de fato não tem pois oscila entre as demais, é todas e nenhuma.

À luz marxista, ela se chama, muito apropriadamente, pequena burguesia e isto já delineia sua ideologia fundamental. Com a expansão industrial, marxistas viram surgir trabalhadores assalariados com remuneração muito acima da maioria dos trabalhadores e os chamou de aristocracia operária, cuja ideologia Marx detectou ainda mais reacionária do que os pequenos burgueses, e os referenciou até na monarquia! Quem são os aristocratas? São os trabalhadores com salários altos cuja função é manter os demais na forja diária, de preferência sem descanso. O resto do tempo destes trabalhadores é curtir a vida. Convivem tanto com a burguesia que se sentem “nela”, ou “dela”.

É das fileiras dos pequenos burgueses que surgem ideias e líderes revolucionários, por motivos óbvios – eles abrigam contradições da burguesia e do proletariado e tem um acesso à cultura e à informações que a classe trabalhadora, circunscrita a lutar pela sobrevivência não tem.

Mais recentemente, o empoderamento político dessa “classe média ” aburguesada e ou proletarizada aumentou bastante, devido ao acesso midiático e é hoje o pêndulo entre democracia (ainda que burguesa)e ditadura. A ideologia burguesa “copiada” pela pequena burguesia foi capaz, por exemplo, de descolar bandeiras como a feminista, anti racista e de gênero da questão de classe, e se organiza assim, impondo tais pautas sem tocar no capitalismo, posicionando-se quase sempre claramente de forma a isolar ou negar completamente a questão econômica, mas, mas é esta que se impõe como diferença na base das demais.

Não é a toa que a Globo tem sido uma “militante incansável” nestas searas em suas novelas e reportagens enquanto se alinha a retiradas de direitos econômicos para manter unida essa tal “classe média” cujo sonho é ou precisa ser se tornar burguês, ou simplesmente burguês, ou grande, pois, pequeno, nunca… e não pode pq o capitalismo tem no seu eixo um ditame selvagem tão real qto o lucro: quem não cresce, decresce, ou quem não adianta, atrasa rsrs.

No Brasil, o PT não leu ou esqueceu essa base de análise? Ou optou por correr o risco de aumentar essa faixa de renda acreditando, e pode ser que esteja com a razão, que sem arrancar milhões e milhões de trabalhadores (que Marx chamou de proletários e exército industrial de reserva) da pobreza extrema, nunca, jamais, haveria expansão da consciência da classe trabalhadora, portanto, sem chance alguma de exercício do seu papel histórico? Apostou, por outro lado, que seria mais progressivo apostar numa pequena burguesia conflitada a ve-la “acomodada” escravizando 06 milhões de domésticos, por exemplo. Mais contradições, mais reflexões, mais reflexões, mais democracia, ainda que burguesa, enquanto a classe trabalhadora se realiza guerreira quando no máximo luta por 6% de reajuste uma vez por ano até o dia 28 de abril deste ano, qdo fez sua maior greve geral contra a retirada de direitos promovida pelos atuais burgueses golpistas nos 03 poderes no Brasil, ou sempre aos domingos nas arquibancadas de um Fla-Flu.

Essa é a aposta que agora o tempo dirá se certa. Mas temos dois elementos para contrafacear e acreditar: Só quando os Partido Bolchevique e Menchevique conseguiram obrigar o governo provisório de Kerenski – ainda havia czar -a fornecer fardas, botas e comida ao Exército russo estropiado, faminto e derrotado em duas guerras, ganharam seu apoio para a então revolução. Estamos falando de Exército, mundialmente formado por filhos de trabalhadores e comandado por pequenos burgueses.

E outra situação humana mais geral: podemos chorar pelo que não temos, lutar para ter traz sempre um processo minoritário ou desigual, mas lutar pelo que se perdeu costuma ser mais potencializador, não? E o que temos para hoje no Brasil ou daqui a 5, 10 ou 20 anos se não isto? Paremos de nos confundir usando esse termo “classe média”, ou de fatia-la entre baixa, média e alta, pois isso a estabiliza apenas ideologicamente, ou seja, para além do real. Melhor dizer logo Pequeno Burguesa em processo de proletarizacao, lupenizacao ou aburguesamento e que por isso forja as lideranças para um lado ou outro…aliás, são estes pequenos burgueses que compõem a estrutura do Estado capitalista todinho – judiciário, mídia, congresso, etc. Mas tb são eles, por elevação de consciência individual diante da cultura que experiencia ou proletarizacao forçada que tiram a classe trabalhadora da forja, da marmita fria, do buzu lotado, da dor e do torpor, e diz: Só na luta, unidos, e sempre foi assim, podemos vencer!

É pra não restar essa análise em algum chavão binário, é preciso dizer que no fascismo tb, lá vem a pequena burguesia com suas múltiplas faces – é soldado raso ou capacho especialista de algum burguês desesperado diante da possibilidade de perder seus grandes lucros, seja graças às lutas econômicas e políticas dos trabalhadores, ou graças a irracionalidade expressa na sua arquitetura individualista, agora rentista, que acabou embuchando os seus próprios negócios ultralucrativos, ou devido a ambos, pois é agora que se arrancam direitos que se pode ver quantos haviam sido conquistados…em, por exemplo, 100 anos.

Assim como se é de esquerda porque se quer justiça, e sendo de qualquer classe, academica ou leiga, os pequenos burgueses se tornam fascistas por doença de ódio contra os que a amam. Por sermos humanos, o somos em demasia? Talvez. Sequer até hoje aprendemos a matemática que, aliás, alguns gregos acreditaram ter sido ditada por Deus, este outro Ser que a ciência humana insiste desconhecer quando lhe convém.

Para final, muito se fala que o tamanho ideal de todos seria sermos uma imensa classe média planetária! Um pseudo tranquilo mundinho pequeno burguês! No capitalismo? Esquece, pois o capital vai sempre crescer renda quando precisar vender, ou comprar braços por um prato de comida ao dia quando precisar comprar. Seu real e seu ideal são o lucro, sacou? Gente e classe de gente são desconfortos morfológicos criado por alguns pequenos burgueses muito sacados que trocaram seus sonhos de carro e casa próprias por uma causa chamada … outra vez, ser humano… dizem que única ponte entre si e… o Altissimo…para quem crê.

Tânia Martins, Meduim

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