Daniel Holanda e Edergênio Negreiros

Escritos pela Democracia: “O Brasil pega fogo”

“Sabia perfeitamente que era assim, acostumara-se a todas as violências, a todas as injustiças. E aos conhecidos que dormiam no tronco e aguentavam cipó de boi oferecia consolações: — “Tenha paciência. Apanhar do governo não é desfeita.“ —  Graciliano Ramos, livro Vidas Secas

 Daniel Holanda*.

Edergênio Negreiros **

No último sábado, 11 de setembro, relembramos o dia do Cerrado, esse que é um dos mais importantes biomas do mundo e que abrange boa parte do nosso estado de Goiás e da nossa região Centro-Oeste. No entanto, essa data para a celebração da fauna e flora do Cerrado, berços das águas no Brasil, se dá num dos momentos mais difíceis da luta ambiental no país e no mundo. Resultado de uma agenda predatória, ligada ao modelo de produção social capitalista. O Agro que não é pop, que não é tudo é principal bandeira defendida pelo Governo Federal, quando o assunto é o meio ambiente. O agro que não é tech é um dos maiores responsáveis pelo Brasil estar de forma denotativa “pegando fogo”. Para se ter uma ideia, nos últimos anos o país assisti a uma verdadeira destruição do Cerrado, da Floresta Amazônica e de outros biomas, que provocam consequências diretas nas nossas vidas.

Em Anápolis, a cada ano que passa o período de seca se alarga mais, a prova disso é de que neste ano de 2021, já são mais de 4 meses sem uma gota de chuva e a tendência é que a estação chuvosa chegue apenas em novembro. A seca, que na imprensa recebe o eufemismo de crise hídrica é a face visível do problema, mas com o perdão do trocadilho infame, a seca é só a ponta do iceberg. Pois além dela, temos o risco eminente de apagão, o encarecimento da energia elétrica, da escassez de alimentos, as queimadas, a extinção de espécies de plantas, árvores e animais e etc.

E no meio desse apocalipse ambiental, também sofre todos/as aqueles e aquelas que lutam em defesa do meio ambiente. O Brasil se tornou uma terra insegura para os ativistas ambientais. Atualmente estamos vendo uma onda crescente de censura e opressão, mas afinal como ficam os defensores do meio ambiente nessa história? Segundo pesquisas o Brasil é o 5° país mais perigoso para ativistas ambientais e com o avanço da repreensão e a alienação geral, homens, mulheres, crianças, velhos sofrem com a hegemonia desse modelo de produção predatório e devastador. Diante do quadro é possível afirmar que a vida humana na Terra, essa aventura de milhares de anos, a cada dia se aproxima da extinção.

Vale destacar que toda essa destruição, que não começou agora, vem ocorrendo há muitos anos. Mas hoje queimar florestas, desmatar, perseguir ativistas é algo financiado por um governo que visa a alienação das massas e se mostra contra o pensamento crítico, especialmente quando o assunto é o meio ambiente. Com isso sofre a Terra, os animais, as plantas, as árvores, os rios e também milhares de ativistas incluindo em especial os povos indígenas, que estão sendo massacrados todos os dias. E nós perguntamos até quando?

*É estudante de Direito e de Relações Internacionais e também ativista ambiental.

**É Mestre em Educação, Linguagem e Tecnologias.

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