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Evangélicos julgam, perseguem, incendeiam e matam afrodesdentes! Com que autoridade? Em nome de quem?

Por Dom Orvandil.

Um coordenador de uma faculdade onde lecionei por muitos anos, doutor em física pela UNB,  ex militante do PCdoB e membro de uma das muitas divisões da Assembleia de Deus,  me mostrou o quanto as contradições se alojam no comportamento cínico dos ditos crentes. Co-dono dono de uma faculdade, proprietário de uma rede de escolas comerciais particulares e de fazendas, que explora sem nenhuma consciência da educação como direito, fazendo da terra e do ensino comércio, usando mão de obra explorada como meio de boa vida.

Por conhecer minha postura muitas vezes puxou conversa comigo. Numa oportunidade, em seu escritório,  me falou das coisas mais absurdas e contraditórias que podem balizar os valores de um ser humano.

Parecia-me orgulhoso de seu passado como militante do PCdoB,  mas, ao mesmo tempo, era sócio de ruralista de direita, tosco e ignorante.

Contudo,  a maior contradição para um dito esquerdista e doutor, daqueles que amam títulos ao ponto de pregar enorme placa à  porta de sua sala anunciando que ali havia um doutor, era ser membro de uma igreja reacionária e fundamentalista.

Como ‘crente’ esbravejava de Bíblia nas mãos contra os gays, possesso cuspindo textos de leitura superficial e sem exegese, completamente contraditório a tudo o que a ciência propõe como método de estudo e de elaboração teórica. Sem humildade, sem se orientar quanto o fenômeno homossexual e casamento homoafetivo. Tão tosco e analfabeto quanto o sócio neoliberal, negava todo o saber científico, até mesmo em coisas básicas de como ler a Bíblia a partir da lógica contextual e histórica. O absurdo da contradição era tão grande ao ponto de patrocinar viagens de seus irmãos ‘crentões’ para reivindicar  em Brasília apoio do maior corrupto e charlatão de Goiás, Demóstenes Torres, pernóstico de direita, amigo de Carlos Cachoeira e defensor dos ricos do agronegócio, caçado por corrupção.

Lá por 2010 os sinais de que os ‘petencas’ se aliavam ao pior da direita se esboçavam e cavavam contradições gritantes com tensas nuvens de hipocrisia e má fé.

Uma professora minha amiga, moçabicana e assembleiana, se posiciona na vida a partir de um visão progressista em solidariedade aos programas sociais como direitos dos pobres.

Ela não aceita o ‘estreitismo’ farisaico e discriminatório dessas igrejas fundamentalistas.

Perguntei-lhe pela razão de tanto ódio a mover pessoas que se dizem cristãs e seguidoras daquele que mais radicalizou a compaixão. Minha amiga me respondeu que até o primeiro mandato da presidenta Dilma os pentecostais votaram e apoiaram os dois governos de Lula e o primeiro da presidenta perseguida e deposta. A causa da mudança de postura, contou-me, foi o debate a respeito de gênero etc.

Pessoalmente não acolho esse argumento como exaustivo e pleno para explicar o comportamento tão fantasticamente odioso, fundamentalista e muito próximo do fascismo adotado pelos igrejeiros neopentecostais.

Como afirmamos reiteradas vezes aqui no Cartas, a razão principal que trafega por duas mãos é política. A direita fascista, desde os Estados Unidos,  seduziu os fundamentalistas ignorantes brasileiros, atraindo-os com viagens à Israel, aos Estados Unidos e com milhões de dólares para alguns coronéis donos de boiadas evangélicas, empurrando todos na direção da direita e do fascismo. O resultado é Bolsonaro, apoiado por eles.

Daí para a frente essas igrejas caminham até perder o controle sobre grupos extrema e assustadoramente violentos, que cheiram a terrorismo estilo Estado Islâmico. De pregações doutrinaristas e emocionalistas com o objetivo de incentivar seus congregados a perseguir os diferentes, negando-lhes os direitos aos seus cultos e à própria vida, avançam a atos armados para matar.

Cabe perguntar se entre esses fundamentalistas não há ninguém minimante inteligente capaz de indicar que essa situação se reverterá, sobrando aos delituosos julgamentos e condenações pesadas.

Também cabe perguntar se essa turma imagina que seu mundo se imporá o tempo todo sobre os outros e com que direito agem de forma tão tirânica contra irmãos e irmãs brasileiras.

É bom que se alerte que essa linha de falta de raciocínio é tão miserável que seus detentores, ao ultrapassar  os umbrais de suas denominações e templos, invade as outras pessoas podendo gerar guerra e desavenças incontornáveis.

A prática da discriminação e irracionalidade cega ao ponto de esses grupos não avaliarem que o tal demônio de quem fazem tanta propaganda não age nos diferentes, mas no mercado, no neoliberalismo e no imperialismo, que também os enche de ódio.

O texto do jornalista  Marcos Sacramento exemplefica  de modo altissonante a barbárie que os ditos evangélicos promovem innaceitavelmente no país.

“Segundo o babalawô e pesquisador Ivanir dos Santos, só no estado do Rio de Janeiro são mais de 200 terreiros ameaçados. A afirmação ocorreu em um evento promovido em setembro pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para discutir o problema da intolerância religiosa.

Há relatos da atuação de grupos compostos por traficantes em atos de vandalismo em terreiros. Pelo menos 20 casos dos chamados “bondes de Jesus” estão sendo investigados.

A intolerância não perdoa nem crianças, como foi o caso do ataque a Kaylane Campos, quatro anos atrás. A menina, na época com 11 anos, foi ferida por uma pedrada na cabeça quando andava por uma rua do Rio de Janeiro vestindo roupas do candomblé.

Pelo menos duas mulheres idosas, Mãe Gilda e Mãe Dede de Iansã, faleceram na Bahia após os terreiros que lideravam serem alvos do ódio de evangélicos extremistas.

Mãe Gilda faleceu em janeiro de 2000, depois de ser atacada pelo jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus.

A publicação da matéria “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”, em 1999, atiçou um grupo de fanáticos a invadir e depredar o terreiro fundado pela ialorixá.

Destroçada pela matéria falsa e pela destruição do templo, Mãe Gilda morreu aos 65 anos de infarto.

No caso da Mãe Dede de Iansã, ocorrido em 2015, em Camaçari, os extremistas evangélicos nem precisaram recorrer à força física para dar fim à mãe de santo. Bastou eles passarem a madrugada em frente à casa da ialorixá orando com a justificativa de expulsar os demônios que segundo eles estavam ali.

Os gritos de “afasta o demônio” e “limpa esse território do satanás e das forças malignas” foram demais para o coração da senhora de 90 anos, que passou mal e morreu.

A essa violência explícita soma-se a violência simbólica mas igualmente nociva praticada por quem associa as religiões de matriz africana ao satanismo sem se dar ao trabalho de conhecer a história por trás dessas crenças.

Palavras, sermões, notícias falsas e memes de escárnio à umbanda e ao candomblé circulam impunemente, em templos cristãos nas periferias e nas áreas ricas.

Para quem segue as crenças de matriz africana, a ira destruidora dos cristãos extremistas é uma velha conhecida”, escreveu  Marcos Sacramento em seu artigo publicado pelo DCM.

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Um comentário

  1. Evangélicos erram os demônios e atacam, apedrejam, atiram e matam pessoas de quem discordam! Acesse e compartilhe o link do Cartas Proféticas: http://cartasprofeticas.org/evangelicos-julgam-perseguem-incendeiam-e-matam-afrodesdendetes-com-que-autoridade-em-nome-de-quem/

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