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Ex-aluno de Olavo de Carvalho, o guru da extrema direita, relata sobre a experiência com a sujeição mental de uma seita do ódio

Ontem publicamos aqui uma carta devastadora de uma filha do farsante de intelectual, Olavo de Carvalho, uma divindade para direitistas analfabetos políticos e bolsonaristas fundamentalistas e fascistas.

Agora postamos o depoimento de um ex-aluno liberto das garras de Olavo.

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Do site DCM extraimos a seguinte postagem.

A alturas tantas, Heloisa autora da carta aebrta,  fala dos fãs do pai, as olavetes. “Só não enxerga o que você está criando nas pessoas, usando o nome de Deus, quem é cego, pois eu vejo claramente, como já vi em outras épocas suas, um bando de pessoas insensatas, com ódio de tudo e de todos, que caem cegamente na sua pregação, criando um exército de intolerantes com seus semelhantes, e que, quando enxergarem, não vai ter psiquiatra e nem hospício suficiente para todos”, diz.

“Sinto muito que a sua lavagem cerebral sobre as pessoas já tenha tomado essas proporções. Sim, isso mesmo, lavagem cerebral com as técnicas que você domina tão bem, como as da Programação Neurolinguística”.

 Um ex-aluno de Olavo, Joel Pinheiro da Fonseca, fez um relato sobre como opera esse mundo mental em que Olavo é cultuado como deus.

Fonseca é economista formado pelo Insper, mestre em filosofia pela USP e colunista da Folha. O texto saiu no site da revista Café Colombo.

Seguem alguns trechos que ajudam a explicar o método da loucura olavista:

Na visão de Olavo, ser de esquerda não é ter uma posição política como outras. É ter uma “mentalidade revolucionária”, estar disposto a usar qualquer método para atingir seus fins e viver sob valores invertidos. Não há que se discutir com pessoas de esquerda; há que se combatê-las, posto que são ignorantes e perversas. Carregam uma espécie de doença espiritual.

Longe de coibir as manifestações de loucura e ignorância em sua página, Olavo as estimula. Deixo um exemplo. Em 04 de setembro de 2014, um leitor mandou esta mensagem a seu perfil público:

“Professor Olavo de Carvalho, não sei se está fora de contexto essa pergunta, mas hoje, na atual conjuntura pré-governo mundial, não está se formando um novo ecúmeno global no sentido Voegeliano? Não sei, posso está viajando, mas é incrível a similaridade do processo atual, guardado as devidas proporções e condições específicas de cada tempo, com o que se desenrolou no período compreendido de Alexandre o Grande até a Pax romana, estrutura na qual, Jesus entra na história e que o cristianismo se ‘serve’ para a sua rápida expansão. (…) O que o senhor acha?! Sinceramente, acho que à catálise derivará, articulando nesse contexto profecias bastante difundidas, talvez, quem sabe, cruzando os dedos, o tão preconizado tempo mariano!”

Ao que o professor respondeu, sapiencialmente: “Você está na pista certa”.

(…)

Estou convencido de que, na atuação de Olavo, a forma é mais importante que o conteúdo, e chega mesmo a substituí-lo. Olavo vende com maestria a imagem de sábio e de bravo defensor do bem para jovens sedentos de certezas. E, com a confiança que nele depositam, leva-os pela mão a seu mundo mental particular.

O olavismo é um simulacro de religião que segrega seus adeptos do mundo. Uma “religião” que é parasitária do cristianismo por ele pregado, e em especial do catolicismo, mas que poderia facilmente se moldar a outros credos. Todos os possíveis pontos de contato com visões diferentes são neutralizados.

As amizades devem se dar preferencialmente entre os seguidores. A verdadeira amizade é “querer as mesmas coisas” e, portanto, não há amizade possível entre alguém que busca os fins mais elevados da vida e da sociedade (os alunos de Olavo) e quem vive para fins mundanos ou mesmo perversos.

A universidade e o ensino formal são, no melhor dos casos, inúteis e, mais comumente, perversos. A formação em ciências e matemática é vista como um saber puramente técnico, enquanto as filosofices amadoras do mestre sobre o tema são alçadas à categoria de verdadeira sabedoria. Nas ciências humanas, nem é preciso dizer, o mundo acadêmico “normal” é terra arrasada, exceto quando algum desses acadêmicos “normais” elogia Olavo e sua obra, o que imediatamente o arranca da condição de acadêmico “normal” e o transforma num intelectual acima da média entre seus pares.

Recentemente, o homeschooling passou a ser uma bandeira empunhada pelos adeptos do olavismo. Independentemente da discussão sobre os méritos do ensino domiciliar, um efeito claro dele é que o contato da criança com pessoas alheias ao olavismo ficaria bastante restrito.

O bom aluno do Curso Online de Filosofia (COF) deve se abster de opiniões até que se encontre bem formado: momento sublime que, aparentemente, nunca chega. A lista de leituras (que começa com carga pesada de literatura, pré-requisito da filosofia) é grande. E quando parece que os alunos chegarão à terra prometida, quando irão finalmente debater os grandes temas filosóficos, surge uma nova preliminar: ler mais literatura, decorar melodias, ler livros à velocidade de um parágrafo por dia. O curso teve início mas não se sabe se terá fim. Certa vez, Olavo lançou a bravata de que 5 anos de COF bastariam para o indivíduo dominar o establishment intelectual brasileiro (promessa que, embora o prazo já tenha expirado em 2 anos, não se cumpriu).

Olavo fomenta o tipo de disciplina e sujeição mental que esperaríamos de uma seita sob o comando de um guru. São estimulados a acreditar em toda sorte de misticismo, milenarismo e disciplinas esotéricas como astrologia e numerologia. A intuição, o símbolo e a convicção são superiores ao argumento, à crítica e à lógica discursiva. Olavo passou por tudo isso em sua formação – tendo, inclusive, participado de uma seita iniciática islâmica –, o que nos faz pensar quantos dos métodos aprendidos nesse período – hoje repudiado – não seriam reproduzidos no COF.

Questionar e discordar são práticas coibidas ou, na melhor das hipóteses, desestimuladas. Chegou-se ao ridículo de inventar a “virtude” conhecida como “humildade metódica”, segundo a qual o aluno, mesmo quando lhe parecer que Olavo está errado em um ponto particular, tem a obrigação de guardar a impressão para si e de convencer a si mesmo de que o professor, ainda que pareça estar errado, “deve estar certo”, posto que tem acesso a um plano mais elevado da realidade. O aluno prefere duvidar da própria mente a questionar o mestre.

Tantos mecanismos de defesa protegem o COF de uma constatação óbvia: é um curso pífio, a mais exata definição pedagógica do sentimento hoje conhecido como “vergonha alheia”. Horas e horas de elucubrações, brincadeiras, repetições, divagações, voltas, platitudes, impropérios, beletrismos e imprecisões sem progresso. Fala-se um pouco da biografia de um filósofo, comenta-se a política do dia, volta-se ao filósofo sob um outro aspecto, faz-se referência a uma briga do Facebook e assim por diante.

Não se vai a lugar nenhum, não se sai de lugar nenhum: ninguém sabe o que aprendeu. Peça a um aluno qualquer de Olavo que, em vez de o exaltar, em vez de expor em linhas gerais o que seria, em tese, sua obra, que aplique os conhecimentos filosóficos aprendidos na análise criteriosa de um filósofo ou de um problema, e veja o resultado. Mesmo assim todos saem embasbacados, sentindo que presenciaram algo profundo, de extrema qualidade.

Isso se explica. O real objeto dessas aulas não é uma tese ou obra filosófica, mas o espetáculo de ver o mestre em ação, filosofando em tempo real. Se transformado em texto, de fato, não sobra nada; perde-se o essencial, a pessoa que está ali falando. Pois nesse espetáculo pirotécnico de retórica e carisma, o conteúdo tende a zero para dar todo o espaço à única coisa que realmente importa: o próprio Olavo. Sua filosofia nada mais é do que uma mixórdia de racionalizações que facilitam a expansão do ego de Olavo sobre as mentes dos discípulos, que vão, passo a passo, sendo engolidas pela personalidade forte daquele que os guia, imitando-o até se tornarem cópias perfeitas.

Tudo em Olavo leva o aluno a se aferrar na autoridade e importância do mestre. Olavo destrói a autoestima de seus seguidores, substituindo-a pela devoção à sua pessoa. A dependência pessoal, a confiança exacerbada, a aniquilação do senso crítico em favor de uma visão supostamente mais profunda, o cultivo da admiração embasbacada. Em cada um deles, uma só conclusão: Olavo é o único canal seguro de contato com a realidade. E por isso a defesa tão aguerrida de seus seguidores. Se Olavo cair, isto é, se ficar patente que ele não é esse grande luminar do pensamento que lhes foi vendido, cairá o mundo dos discípulos.

Nesse contexto, é impossível ser neutro. Ou se presta reverência submissa ou se é inimigo. O eventual distanciamento nunca vem sem uma devida briga – em geral pública – seguida de excomunhão. Pouco a pouco, as pessoas mais inteligentes vêm se dando conta do truque e se afastando do mestre. O mal que sua legião de seguidores causa ao debate público, contudo, permanece.

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