Frei Betto e a saída

Frei Betto tem razão sobre a aposta relativa nas eleições, na denúncia, no anúncio e na organização popular

O risco da aposta em algum messias aventureiro, salvador da Pátria, que arrebate soluções prontas do além,  sem o povo e sem lutas organizadas, tentadoramente já toma conta do pensamento burguês eleitoralista, inclusive de setores da classe  trabalhadora e de segmentos da chamada esquerda.

Para a direita, para o fascismo e para o neoliberalismo, na afronta à soberania nacional, popular e democrática, a ideia dos messias salvadores da Pátria sempre é bem vinda. Ela mantem o povo marginalizado, imobilizado, atávico, pessimista  e alienado, pronta para os botes venenosos da dominação e para os golpes, como ocorre agora no Brasil, espantado sob a garras da quadrilha temerosa, gananciosa e imoral.

Eleições controladas  por instituições contaminadas por grupos sujos pelo golpe como  o TSE, o STF e o judiciário majoritariamente, o Congresso Nacional, manobradas pela mídia de organizações criminosas como a Rede Globo, por igrejas fundamentalistas e fascistas, como o são as ligadas às corruptas bancadas evangélicas e católicas, pelos bancos, pelo pato da FIESP, pelo agronegócio, que já têm seus candidatos a governadores, a  deputados e a senadores, são apenas fantoches espetaculares disfarçados de democracia em quem o povo vota sob a farsa de eleger pessoas “boas” e não partidos.

Candidatos à presidência já desfilam,  desde narigudos animadores de auditórios compostos de “huckretes”, por terroristas pregadores do ódio, a ídolos que arrastam multidões sem a participação profundamente democrática na análise das causas do golpe, sempre latente a estourar de várias formas e a qualquer momento, e sem a construção de projetos nacionalistas e libertadores com táticas e estratégia corretas.

O repórter Marcelo Auler, numa matéria em seu blog, mostra comunidades católicas romanas da Diocese de Iguaçu, RJ, estudando em encontro no dia 15 de novembro,  preocupadas com a frase do Papa Francisco no princípio “Igreja em Saída”, notadamente em direção ao povo, aos pobres, aos trabalhadores no resgate de sua autonomia como sujeito da história.

Palestrando,  Frei Netto declarou que não aposta todas as suas esperanças e fichas nas eleições de 2018. Para ele o processo é bem mais demorado, passando pela organização popular articulada competentemente nos movimentos sociais, que acontecem em pequenos grupos, juntando-se com as águas de afluentes no  grande rio das transformações lá adiante.

Como agenda dessa organização devem constar a denúncia do retrocesso que vivemos, ao qual caímos antes do golpe judicial-parlamentar de 2016,  e ao anúncio da organização articulada dos movimentos sociais.

O desafio da organização, a nosso ver, já é enfrentado por muitas organizações desde antes das eleições e as ultrapassarão com vistas à revolução social e laica, que substituirá essa casta dominante perversa, promíscua e opressora,  detentora do capital concentrado e roubado dos trabalhadores, por isso falido e desumano.

Leia aqui a íntegra da reportagem de Marcelo Auler em seu blog.

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