Grito dos excluidos por direitos

Grito dos Excluídos, por democracia e pela defesa de direitos trabalhistas

Os direitos e avanços democráticos conquistados nas últimas décadas estão ameaçados, diz organizador de mais uma edição do Grito dos Excluídos, que ocorre nos feriados da Independência

Evento chega à 23ª edição e vai ser realizado em doze cidades. Em São Paulo, o ato será na Avenida Paulista. Ação tem o propósito provocar reflexão sobre o que é a independência que se comemora em 7 de setembro.

São Paulo – RBA –  A 23ª edição do Grito dos Excluídos e a 30ª Romaria dos Trabalhadores para o Santuário de Aparecida ocorrem amanhã (7), dia em que se comemora a Independência do Brasil. “A ação tem o propósito de ajudar as pessoas a refletir sobre o que é essa independência, os seus direitos, sobre o sistema em que vivemos”, disse o coordenador do Grito Ari Alberti. Para este ano o lema do Grito será “por direitos e democracia a luta é todo dia” e pretende discutir e manifestar oposição às reformas trabalhista e previdenciária e defender a democracia.

“Somos governados por um Executivo que retrocede direitos historicamente conquistados, e cujas principais figuras estão convocadas a sentar no banco dos réus e responder pelos graves crimes de que são acusados. Somos governados por um Legislativo que majoritariamente atua de costas para os seus eleitores, já que 95% da população desaprovam o governo Temer e 81% consideram que o presidente deveria responder pelos crimes que lhe pesam aos ombros perante a Suprema Corte do país. Somos governados por um Judiciário que se agarra como carrapato às mais aberrantes mordomias, recebe vultosos salários engordados por penduricalhos, e pratica com frequência o nepotismo”, diz a convocatória do ato.

Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), que organiza o ato na Avenida Paulista, em São Paulo, destacou que o Grito é construído ao longo do ano, com debates e reuniões em bairros, associações e ocupações, e que este é o momento da população pobre e periférica se levantar para denunciar as mazelas do capitalismo. “Agora dia 7, a periferia, o povo mais pobre vai levar as panelas para as ruas e demonstrar que agora, de fato, as panelas estão vazias com desemprego, miséria, com fome, com cortes”, afirmou.

A CMP espera levar às ruas de São Paulo cerca 10 mil pessoas, integrantes de diversos movimentos populares que integram a Central. Eles vão protestar e bater panelas vazias contra as políticas recessivas e corte de direitos do governo golpista, Michel Temer e do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). “Há um ano do golpe, a população sente na pele as consequências com o desemprego que já atinge 14 milhões de pessoas e, outros vivem assombrados pela volta da fome e a miséria, fruto das políticas recessivas do governo federal e do desmonte de políticas sociais efetuadas pelo prefeito”, afirmou Bonfim.

Dom Guilherme Antônio Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lembrou que os direitos foram conquistados com luta e só a luta vai mantê-los. “Vivemos tempos difíceis. Os direitos e os avanços democráticos conquistados nas últimas décadas, frutos de mobilizações e lutas, estão ameaçados. O ajuste fiscal, as reformas trabalhista e da previdência estão retirando direitos dos trabalhadores para favorecer aos interesses do mercado. O próprio sistema democrático está em crise, distante da realidade vivida pela população”, disse.

Além das manifestações de rua, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida recebe a Romaria de Trabalhadores, com o tema “30 anos de resistência e ação, anunciando a esperança, combatendo a exploração”. “São 300 anos de presença da força da imagem de uma mulher negra, representando a força não só da mulher mais do povo. O objetivo é lembrar a importância de resgatar o povo, a mulher, de refletir sobre as questões do negro, do pobre, das pessoas que muitas vezes são excluídas,” disse Antônia Carrara, da Pastoral Operária e coordenação da Romaria dos Trabalhadores.

Confira os locais de atos:

São Paulo (SP), às 9h, Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista

Campinas (SP), às 9h, Largo do Pará

São José do Rio Preto (SP), às 18h30, Rua Boa Vista, 971

Caraguatatuba (SP), às 16h, no CIDE Centro – Av. Marechal Deodoro da Fonseca, 1.155

Juiz de Fora (MG), às 9h, Av. Rio Branco esquina com Rua Oscar Vidal

Fortaleza (CE), às 8h, na Arquidiocese de Fortaleza, Avenida Dom Manuel, 3

Campina Grande (PB), às 8h, Diocese de Campina Grande, Rua Afonso Campos, 251

Cascavel (PR), às 8h, Avenida Brasil, 6986

Porto Alegre (RS), às 9h, Rótula das Cuias, Praia de Belas

Eunápolis (BA), às 9h, Diocese de Eunápolis, Avenida Porto Seguro

Rio de Janeiro (RJ), às 9h, Av. Presidente Vargas com Av. Uruguaiana

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