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Igrejas nos Estados Unidos que seguem Donald Trump se desfazem e no Brasil por serem gado de Jair Bolsonaro

Getty; O Atlantico

Deparei-me com um artigo do escritor  Peter Wehner  sobre o que ele chama de “A Igreja Evangélica Está se Desfazendo”, que me causou impacto pela a analogia que faço com todas as igrejas, não somente nos Estados Unidos mas também no Brasil, inclusive as católicas.

Eu diria mais: a situação chocante com que corretamente Peter Wehner descreve as relações dos cristãos, plenos de ressentimentos, agressões e divisões não se limitam às igrejas.

As relações violentas e divisionistas nas igrejas ditas evangélicas, tudo por posições políticas de seus membros, ocorrem  similarmente no meio acadêmico, nos partidos, nos parlamentos e, pasmei, até mesmo no ambiente auto classificado de esquerda. Pior, as afrontas a pessoas com base no “essas coisas chegam até mim”, sem averiguação, por desconfiança e por preconceito crasso e histórico, ocorrem escandalosamente até no dito ambiente marxista pró socialismo científico.

No artigo do escritor  Peter Wehner, demonstrando forte conhecimento bibliográfico, pesquisa e consulta a fontes, as igrejas ditas evangélicas nos Estados Unidos marcham à deriva da opinião política conservadora e destrutiva de guerra de Donald Trump, embora também se dê confronto com os cristãos de esquerda na luta por justiça social e pelos direitos humanos.

Wehner demonstra exaustivamente que as pessoas dividem as igrejas, afastam-se e esgotam seus pastores, levando muitos à desistência e ao abandono do ministério. Isto depois de muito sofrimento e depressão.

Há muito mais agressões e discursos ressentidos na contradição dos discordantes, que são atacados com muito ódio.

O ensaio timbra as relações a partir de posições políticas externas às igrejas, mas que as invadem e inundam, marcando-as pelo ódio.

Sim, o ódio supera o amor como marca das relações cristãs, da comunhão com fraternidade e compaixão. Nesse terreno o que as pessoas dizem e fazem são despidas de ética, de racionalidade e, sobretudo, de base bíblica.

Aí identifico o que escritor  Peter Wehner  considera como causa desse fenômeno que leva o cristianismo de volta aos tempos de Constantino quando os cristãos abandonaram as marcas do bom samaritano, da partilha etc para se tornarem assassinos e corruptos apoiadores do poder. Os cristãos trocam a formação bíblica, teológica e catequética pelas orientações da mídia. Não estudam mais a Bíblia. Não há mais escolas para isso. Trocam tudo isso por cultos fervorosos e sem conteúdo, onde não há compromisso com o aprofundamento. Aí os sermões também são curtos e barulhentos, com técnicas de comunicação e coach, valorizando a satisfação emocional.

Ninguém mais se dispõe à 1 hora de estudos e formação semanais.

Para Peter isso é causa para as pessoas serem tão vulneráveis e refratáveis a forças do ódio, embora isso seja estranho à origem cristã.

O ódio a que ele se refere dá-se em forma de racismo, de discriminações de homossexuais, aos negros, às mulheres reduzidas a seres delicados e dependentes dos homens e a ideias socialistas. Assim, embalados por esta força destrutiva os membros das igrejas atacam os pastores que pensam o contrário ou que não se posicionam.

Os ataques se formam em divisões com pessoas saindo de igrejas e indo para outras  ou formando novas congregações, impondo enormes prejuízos às suas denominações de origem.

Ressalte-se que tudo se origina com muito ódio e em relações tóxicas. Isto leva a agressões públicas, ofensas, injúrias, calúnias e  judicializações.

Como escrevi acima, é impossível escapar da  analogia com nossas vivências no Brasil. Aqui,  este é o ambiente nas igrejas. A partir de Jair Bolsonaro a arminha com as mãos substituiu a cruz. Crentes, como esse segmento se chama ou congregado ou irmão e irmã não vêm nenhum problema em trocar Jesus por este fanático, debilóide e nazifascista colocado na presidência da república no Brasil.

Impressiona o fato de que igrejas sérias, com tradição rigorosa de defesa da vida acadêmica e dos estudos, como a Igreja Metodista no Brasil, por exemplo, viraram antros apodrecidos do conservadorismo,  eivado de ódio, de preconceitos graves e da ausência de compaixão, movidas a puro farisaísmo.

Mas não somente as igrejas foram tingidas pelo ódio que verte da mídia, onde agem pastores, pastoras, bispos e padres, falando sem base bíblica, teológica e científica, mas as escolas e universidades foram abaladas pelo mesmo ódio e pela mesma superficialidade e negação da ciência.  O ódio e a irracionalidade penetram em todos os ambientes, bestializando as pessoas.

Nos partidos há redutos de compadres, de casais, que mandam em tudo e em todos. Julgam sem ouvir, mentem e condenam. Nesses casos geralmente a internet é meio de intriga e não critério moral da militância na realidade e das vidas das pessoas.

Voltando a Peter  Wehner, nosso  autor considera que Trump nos Estados Unidos não é um traidor dos princípios e da vida cristã, mas executor da traição vendida pela mídia e do ódio que dela se derrama.

Pode ser, mas o fundo do problema não é alcançado por nosso escritor. A causa dessa voletividade, da imensa superficialidade intelectual dos ditos cristãos e, acrescentei,  da prática acadêmica e das relações em ambiente que deveria ser prefigurativo de uma sociedade justa, os partidos de esquerda.

A causa desse ódio – que não é brincadeira. Ele acontece mesmo – que encharca fígados e mentes, envenenando relações, causando fraturas insanáveis na comunhão das pessoas, é o modelo de sociedade neoliberal.

No paradigma neoliberal o que é verdade nas ciências vira pretexto para qualquer coisa, dependendo do que a mídia diga. As relações humanas baseadas na compaixão, no diálogo que permite e cria escuta e propostas de mudança, são substituídas pela concorrência como objetivos individualistas e trapaças sem ética. A fala de quem se senta ao lado para a troca de impressões e de ideias é trocada pelo grito e pelo uso autoritário da coerção de quem manda. A discordância respeitosa é permutada pela perseguição, pela calúnia, pelos insultos, pela minimização do outro e seu esmagamento emocional.

Enfim, para cristãos, educadores, pessoas de ciência e combatentes revolucionários o ódio irracional de uns contra os outros é imensamente contraditório e revelador de doença humana e social.

Sugiro a leitura calma e reflexiva da integra do artigo de Peter  Wehner  “A Igreja Evangélica Está se Desfazendo”.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.  

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